A cereja no topo do bolo
Na sua edição de hoje, o jornal de distribuição gratuita “Destak” anuncia para logo, às 23 horas, no Canal História, um documentário sobre Camões. Vale a pena transcrever, na íntegra, o texto inaudito que nos dá esta “sugestão do dia”: “Quem foi Luís de Camões? Não existe nenhuma certeza sobre o local de nascimento de Luís Vaz de Camões, como também não se sabe onde viveu, existem apenas suposições ou reivindicações locais. O que sabemos é que embarcou com Vasco da Gama rumo ao Oriente e, durante a viagem, que durou quinze anos, escreveu Os Lusíadas, considerada uma das grandes obras da poesia universal. No final, permanecerá sempre uma aura de mistério em torno da história deste poeta.”
Quem fala assim não é gago, mas deveria calar-se para sempre, qual circunstante de um matrimónio. Será ocioso lembrar que Vasco da Gama morreu no Natal de 1524, em Cochim, e que se desconhece a data de nascimento de Luís de Camões, situada algures entre 1517 e 1525. Quanto aos quinze anos que durou a viagem... Na verdade, o busílis deste caso é um facto público e notório. Não carece de prova. Releva da mais pura ignorância histórica. Será que se serviram da “História de Portugal em Disparates”, que, há já uns bons anos, se tornou um grande sucesso de vendas?
Não sei se a responsabilidade por tamanha pérola será de imputar ao “Destak” ou, ao invés, ao Canal História. A calinada, tremenda, deslustra, até aos confins do escândalo, seja lá quem for o seu fautor. Mas é bem reveladora do ponto a que chegámos. Ao Estado Novo ficámos a dever, em boa medida, um “camonismo de estado” que tanto serviu para afastar os portugueses do seu maior Poeta. Depois do 25 de Abril, houve quem nos pretendesse convencer de que o grande épico e lírico representava os valores da Reacção (e logo ele, que terá sido, muito provavelmente, um fiel de amor!). E agora temos Gama e Camões de braço dado, por esse mar abaixo, por esse mar acima, parando, ao longo de quinze anos, em todas as estações e em todos os apeadeiros!
Depois das duas entradas tão lúcidas que o António Cagica Rapaz aqui assina hoje, uma sobre os novos rumos da disciplina de Português (cruzes, credo!), a outra sobre a barbárie que continuamente emana da nossa televisão, é sem ponta de contentamento que me sinto agora a pôr a cereja no topo do bolo. Mas esta é a ditosa pátria minha amada…
Quem fala assim não é gago, mas deveria calar-se para sempre, qual circunstante de um matrimónio. Será ocioso lembrar que Vasco da Gama morreu no Natal de 1524, em Cochim, e que se desconhece a data de nascimento de Luís de Camões, situada algures entre 1517 e 1525. Quanto aos quinze anos que durou a viagem... Na verdade, o busílis deste caso é um facto público e notório. Não carece de prova. Releva da mais pura ignorância histórica. Será que se serviram da “História de Portugal em Disparates”, que, há já uns bons anos, se tornou um grande sucesso de vendas?
Não sei se a responsabilidade por tamanha pérola será de imputar ao “Destak” ou, ao invés, ao Canal História. A calinada, tremenda, deslustra, até aos confins do escândalo, seja lá quem for o seu fautor. Mas é bem reveladora do ponto a que chegámos. Ao Estado Novo ficámos a dever, em boa medida, um “camonismo de estado” que tanto serviu para afastar os portugueses do seu maior Poeta. Depois do 25 de Abril, houve quem nos pretendesse convencer de que o grande épico e lírico representava os valores da Reacção (e logo ele, que terá sido, muito provavelmente, um fiel de amor!). E agora temos Gama e Camões de braço dado, por esse mar abaixo, por esse mar acima, parando, ao longo de quinze anos, em todas as estações e em todos os apeadeiros!
Depois das duas entradas tão lúcidas que o António Cagica Rapaz aqui assina hoje, uma sobre os novos rumos da disciplina de Português (cruzes, credo!), a outra sobre a barbárie que continuamente emana da nossa televisão, é sem ponta de contentamento que me sinto agora a pôr a cereja no topo do bolo. Mas esta é a ditosa pátria minha amada…

12 Comentários:
...e como estais certamente recordados Vasco da Gama chegou (antes de morrer) ao pé Cochim...
O marajá perguntou-lhe se queria casar com a sua filha. O camarada Vasco primeiro disse que não, mas depois disse Cochim...
E quando foi de férias, disse que depois de Cochim...China.
Acabou como porteiro de um grande centro comercial, no Parque das Nações. Meteu-se-lhe em cabeça que era dono daquilo. E ainda há quem diga que vai às compras ao Vasco da Gama...
Quanto aos 15 anos de viagem, parece que foi por causa de ventos contrários. Em desespero, o imediato perguntou ao grande Vasco:
- Meu capitão, que hei-de fazer com tais ventos?
-Olhe, meu velho, alíseos...
E eu que não sabia que o "Camões" passava na TV (sem I)!
Como, por erros meus, estava a ver o "Roma", não assisti ao naufrágio que, para a época, foi melhor que o do "Titanic", não vi o D. Sebastião a ser levado, por "Os Lusíadas", a Alcácer-Quibir... enfim, perdi uma obra da prima de alguém pouco sério!!!
AINDA BEM!!!
Parabéns, José Elmano Sem Raiva!
O outro, embora divague, não lhe chega aos calcanhares!
Este "post" merecia ser emoldurado!
Oh Pedro, não elogie o Cagica Rapaz, que o homem passa o dia a olhar para o umbigo e a escrever no blogue.
Anónimo das 9h30,
Eu não sei se o António Cagica Rapaz passa o tempo a olhar para o umbigo. É-lhe conhecido o gosto pela actividade física, mas duvido que pratique esse género de exercício. Tanto mais que ele aparece aqui de cara descoberta, escrevendo admiravelmente e dizendo coisas que não vejo serem rebatidas. Tudo isto parece incomodá-lo. É pena, mas é natural.
Por isso, anónimo, ou heterónimo, ou seja lá o que for, perde o seu tempo. Assim como perdeu uma boa ocasião (mais uma) para ficar calado.
Se o Sr. António passasse o dia a escrever no blog, não aprendia nada nem tinha tempo de ler e de aprender, de aprofundar a sua literatura e a sua cultura pessoal. Se o Sr. António passasse o dia no blog não aprenderia nada com, e só, os comentários de certos anónimos... que em nada contribuem para construir...nada.
Sabe se o António olha para o umbigo é porque o consegue ver, o que na idade dele é um feito e demonstra a sua boa condição física! Mas anónimo das 9H30 a Onda Jovem tem actividades físicas para a "malta jovem" Força! 'Bora lá, pessoal,olhá Ondá, olhá Ondá!
Assim se separam as águas!
De um lado os que tentam dar um contributo, escrevendo, trazendo algo de novo para partilhar.
Outros (já cansa repeti-lo) acobardados atrás do anonimato TENTAM (mas não conseguem) beliscar e desmotivar quem os incomoda.
Só vos peço, companha do blogue, que não liguem. Continuem...
É interessante perceber que afinal quem dá a cara também sabe escrever como anónimo. É o que dá mais jeito quando dá mais jeito.
Força anónimo! Assim é que é!
O anónimo das 11.28 parece andar a jogar à cabra-cega. De repente agarra um pseudónimo, anónimo ou heterónimo (que mistura), fica eufórico porque julga ter descoberto um hipotético embuste, e vai a correr dizer ao povo que bem nos conhece, ó máscaras.
De facto, isto é bem divertido. Mesmo se alguns pouco ajudam à festa...
Ó anónimo das 9:30 AM e das 11:28 AM!
A pontaria, às vezes, sai alta...
O "camone", singular de "camones", só apareceu por gozo meu e porque o Camões, caricaturado pelo Canal História, bem poderia ser um "Camones"!
Sou Pedro, é verdade... mas não Dr. nem Martins! E afianço-lhe que, se vir o Dr. Pedro Martins, não o conheço; só conheço aquilo que escreve e que merece a minha atenção.
Não sou sesimbrense; sou saloio, nascido ali para os lados de Sintra e, há dois anos, imigrante nesta bela terra. Não foi por acaso; foi por opção!
Entrei neste "blog" para me divertir... e vou continuar, se os "anonymous" me derem motivos!!!
Como nota:
Quando envio um "post", o meu "email" vai SEMPRE na linha de baixo!!!
Amigo camone,
De facto, a sua primeira frase resume, exemplarmente, a situação. A pontaria, às vezes, sai alta, ou seja, ideias escorreitas e português suave, são coisas que perturbam, enervam e provocam reacções rasteiras.
É o reino da azia, única fórmula que conhecem.
E não suportam que alguém dê à gramática a prim...azia.
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