segunda-feira, abril 24, 2006

Não em meu nome

No gradeamento da Escola Básica de Sesimbra foi colocada uma faixa que, mais coisa, menos coisa, diz apenas isto: “Os utentes dos serviços de saúde do concelho de Sesimbra exigem a criação do hospital Seixal-Sesimbra”.

Não sei quem é que assim se arvora em representante dos utentes (presume-se que de todos os utentes), porque a faixa não no-lo diz. Mas uma coisa tenho por certa: a afirmação não será exacta, pois sendo eu, ao menos potencialmente, um desses utentes, alegadamente representados por pessoas ou por entidades que desconheço, nunca ninguém me ouviu tal exigência. Pela simples razão de que nunca a fiz.

Não custa admitir que a criação de um novo hospital algures no concelho do Seixal, destinado a servir este concelho nosso vizinho e também o de Sesimbra, é uma ideia simpática, e perfeitamente exequível num cenário de abundância de meios. Mas talvez se não afigure viável quando os recursos disponíveis, longe de serem infinitos, são, como é sabido, bem escassos.

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, dista poucos quilómetros do local aventado para a construção de uma hipotética nova unidade hospitalar. É hoje um estabelecimento que, em certas especialidades, como a obstetrícia, a pediatria e a ginecologia, apresenta níveis de qualidade muito satisfatórios, quando não excelentes. O desempenho dos seus diversos serviços, no que toca ao internamento, é bastante razoável. Certo que alguns aspectos do seu funcionamento, mormente na urgência, terão de ser revistos e aperfeiçoados. Mas isso só tende a reforçar a ideia de que, nas actuais circunstâncias, ampliá-lo e melhorá-lo será sempre preferível a investir numa nova unidade hospitalar.

Por outro lado, a criação, em simultâneo, de uma unidade de cuidados continuados num ponto nevrálgico da Península de Setúbal poderá ser um bom contributo para a resolução de alguns dos problemas que hoje se fazem sentir, e permitirá mesmo dar resposta a aspectos de natureza psicológica e social. Em Sesimbra, neste domínio, até há uma experiência que deve ser levada em conta.

A propósito, devo confessar que, de momento, o que verdadeiramente me preocupa é o possível encerramento do S. A. P. do Centro de Saúde de Sesimbra no período nocturno, entre as 21 e as 9 horas, uma vez que esta é uma estrutura fundamental de prestação de cuidados de saúde primários num concelho que tem crescido a olhos vistos, quer urbanística, quer demograficamente. Também não devemos esquecer as numerosas segundas habitações que por cá existem, bem como uma população muito variável em função de factores sazonais.

Quanto ao mais, cada um é livre de exigir o que quiser. Mas não em meu nome.

5 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Mais olhos que barriga .Temos? um Centro de Saúde que é uma vergonha em todos os aspectos e vamos lutar por um Hospital Distrital a implantar noutro concelho ? Por amor de Deus ...

1:34 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Também não concordo com a construção de um hospital no Seixal por razões que são fundamentalmente de natureza económica. Infelizmente não há dinheiro para tudo.
Contudo, o Hospital de Almada terá de ser melhorado em muitos mais aspectos e não só na urgência. Nas consultas ninguém fica menos de três horas à espera de ser atendido, marcam tudo para as nove horas e os médicos não começam a dar consultas antes das 10 ou 11 horas da manhâ.
E depois o tempo que se perde com aquela central de marcações que é tudo menos central porque, só como exemplo, os exames de medicina nuclear se marcam noutro sítio. Precisamos dum hospital eficiente onde as pessoas sejam bem tratadas e respeitadas.

10:16 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

A nossa saúde está pelas ruas da amargura.
Será que o SAP, vai mesmo fechar?
Será que o vereador da saúde sabe alguma coisa sobre isto? E o seu amigo Pólvora, ligará a estas matérias ou interessa-lhe mais a arruaça?
Será que somos todos anormais?

12:54 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Mais um dado! Então e não será provavel que a criação de um hospital no seixal, leve não só ao encerramento do SAP de Sesimbra, como a um agravar do retrocesso e falência dos centros de Saude do Castelo, Sesimbra e Q.Conde!
É que o seixal é já ali...

9:39 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Preocupante é Sesimbra ficar sem o S.A.P., e da boca das autoridades, não se ouvir nada sobre o assunto.

O que será que o Sr.Presidente têm a dizer sobre o assunto?

Será que em vez de um novo Hospital, não se deveria aproveitar o dinheiro para melhorar o de Almada com novos equipamentos e novas estruturas?

Porque será que o Centro de Saúde está a cair aos bocados, e não há nenhuma manifestação a favor da melhoria das instalações.

Antes do 25 de Abril, até existia maternidade, agora provavelmente dentro de alguns anos, nem Centro de Saúde teremos.

Pexito Revoltado

2:31 p.m.  

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