quarta-feira, abril 19, 2006

O exemplo de Alpalhão

Por sugestão do Ruy Ventura, e na sua companhia, estive no sábado passado em Alpalhão, freguesia do concelho de Nisa. Sem parar, já por ali passara uma ou outra vez. Guardara então na memória a imagem fugaz, apressada, de uma pequena vila norte-alentejana. Impressionara-me, todavia, a razoável dimensão do perímetro urbano e alguns traços airosos das suas ruas e das suas casas, denunciando um importante, posto que há muito perdido, estatuto político-administrativo. Na verdade, Alpalhão deixou de ser concelho em 1855.

Seja pelos pergaminhos, seja pela sua índole, as gentes de Alpalhão mostram-se ciosas das suas raízes e da sua identidade, pondo grande cuidado na preservação da memória colectiva. Por isso, na tarde do último sábado, tive, tal como o Ruy, o raro privilégio de assistir, na Igreja Matriz da vila, a uma palestra magistral sobre o património histórico-artístico da freguesia, proferida pelo Professor Vítor Serrão, um eminente historiador que tão bem conhece Sesimbra e que os sesimbrenses tão bem conhecem. A ele, e a Eduardo da Cunha Serrão, se ficou a dever a “Sesimbra Monumental e Artística”.

Seguiu-se uma memorável visita guiada aos vários templos católicos de Alpalhão, depositários de algumas obras de arte de relevo. Entre elas, encontra-se a jóia da coroa, uma muito notável Santíssima Trindade, escultura gótica executada por uma oficina de Coimbra, a fazer lembrar o estilo do famoso mestre Diogo Pires-o-Velho.

Mas o que, porventura, mais me impressionou foi ter constatado que esta esplêndida acção cultural nasceu da iniciativa de um punhado de homens e mulheres, que constituem a Liga dos Amigos de Alpalhão. Actuando numa região muito desfavorecida, e dispondo, por isso, de pouquíssimos meios, os alpalhenses e a sua Liga conseguiram, ainda assim, organizar um evento de grande qualidade científica, mas acessível a todos os participantes. Fizeram-no de modo sóbrio, digno e empenhado – com saudável ambição, mas sem ponta de protagonismo. E tudo isto sem nunca perderem de vista que é sobretudo Alpalhão que os move, mesmo se as portas estão franqueadas a quem chega.

Não pude deixar de reparar nesta Liga que vai para fora dentro. O exemplo aqui fica.

6 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Igual à Liga-do-Sr.-da-toalha-debaixo-do-braço-no-dia-da-manifestação-do-POPNA.

9:40 a.m.  
Blogger Pedro Mendes said...

O problema não é falar, é haver gente para ouvir... e isso é mais dificil.

10:14 a.m.  
Blogger Ruy Ventura said...

Mas em Alpalhão, posso testemunhá-lo, havia muita gente para ouvir. E ouvir com atenção!

10:46 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

A Liga dos amigos de Sesimbra gosta muito de organizar escursões que levam os amigos pra longe daqui.
E à terra pouco liga.

11:28 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Não é como a tomada da minha cozinha. Essa está ligada à terra.

12:12 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Ainda existe alguém a fazer algo pela sua terra, sim lá para os lados da província.
E nós Sesimbrenses? Na sexta feira vamos fazer algo por Sesimbra. Vamos à converseta na Biblioteca sobre os Blogues!!!

12:35 p.m.  

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