As seitas de hoje (1)
Disse eu, em Fevereiro de 2004, numa publicação de renome, voltei a dizê-lo aqui há pouco dias, e repito-o agora, uma vez mais, neste espaço cibernético, cujo nome soa da mesma maneira:- que as seitas da minha meninice “não tinham carácter religioso e muito menos político”;
- “todos tínhamos um quartel”;
- “este nosso mundo era um sítio paradisíaco”;
- “armados em D’Artagnans, Zorros e Tarzans”;
- “aqueles trilhos não tinham segredos e por eles chegávamos às nespereiras…”;
- “tempo da absoluta despreocupação e de muitas amizades…”.
Está bem que se passaram muitos anos, que os intervenientes não são os mesmos, que os meios ao nosso dispor são muito mais amplos e sofisticados, que nos tornámos muito mais egoístas e isolados, mas que raio!, o palco, esse, continua a ser a Sesimbra em que vivemos e que alguns de nós amam.
Hoje há seitas políticas...
Há quartéis que albergam mais do que uma seita, tornando-os “mundos” infernais onde o imaginário não consegue corporizar qualquer figura,
Há figurões que armadilham os trilhos que deveriam levar-nos ao consenso de finalidades,
Há um mundo de preocupações e de poucas amizades…
Apetece-me escrever:
Hipócritas
Fingir boas qualidades
Para ocultar os defeitos
É ser-se cínico mascarado,
Antro de duplicidades,
Desrespeitador de conceitos.
Camaleão, dissimulado,
Que se arrasta untuoso,
Fingido de lealdades,
Velhaco e mentiroso,
És um hipócrita chapado!
Out/ 2005
Joaquim Penim

7 Comentários:
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
Miguel
será azia?!
Pelos vistos, a carapuça já serviu a alguém...
Saco de gatos: grupo heterogêneo; gente inferior e confusa; confusão, intriga; mistura de idéias.
Desculpem lá mas este sr não é ...
o EX conselheiro do chefe da seita cor de rosa que tem o quartel ao pé do Julio mouco e que enquanto governou ficou viciado na palavra NIM ?
Anda aqui um anónimo giríssimo (e uso o ...Íssimo porque sei que não gostam deste tipo de discurso benzoca!!)que já revela alguma reacção! Finalmente!! Oh, meu amigo, esses NIM's resolveram muitos embróglios antigos (tipo anos '90) de forma correcta e legal, coisa que muitos SIm's actuais não resolvem nem resolverão...Mas vá aparecendo que é sempre bom conhecer outras opiniões. E isto está a aquecer...
Conhecem a brigada aZiática?
Refiro-me a uns senhores que andam a sofrer de "azia" desde o dia 9 de Outubro de 2005, data das eleições autárquicas. Os subscritores deste blog são alguns deles...
Ó Pedro, tu querias é tacho!
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