As solidariedades do "Raio de Luz"
Os nossos leitores já terão, por certo, reparado no interesse com que, habitualmente, acompanhamos a imprensa local. Isso explica que, de quando em vez, haja coisas que nos saltem à vista, e que gostamos de partilhar com quem nos visita, como motivo de reflexão. É esse o caso de um dos pontos do editorial do último “Raio de Luz” (de 26 de Fevereiro), assinado pelo seu director, José Pedro Xavier, trecho que, para melhor esclarecimento, passamos a transcrever na íntegra:
“2. Dizem as más línguas politiqueiras que este jornal não deveria continuar a conceder espaço ou cobertura ao Senhor Arqt.º Augusto Pólvora. Não percebemos esta observação e achamo-la descabida. Se já era colunista/colaborador deste jornal, porque razão havíamos de suspender a publicação dos seus contributos?
“Será que é incompatível o cargo de Presidente da Câmara com o de cidadão que tem o direito de ter opinião?
“Enquanto cá estivermos e continuar a merecer a nossa confiança, o Senhor Arquitecto Augusto Pólvora, contará com o seu espaço e com a nossa solidariedade institucional e colectiva. Quando tivermos que lhe dizer ou fazer qualquer reparo ou crítica, falo-emos sem receios nem medos. Ponto final.”
Permita-me, porém, agora o senhor director do “Raio de Luz” que acrescente alguns parágrafos ao seu apressado ponto final. E, assim sendo, vamos por partes:
1 - O Arqt.º Augusto Pólvora, enquanto Presidente da Câmara, tem o direito de expressar as suas opiniões em artigos de imprensa. Isso é inegável, tanto do ponto de vista jurídico como do ponto de vista ético, ainda que a alguns possa parecer deslocado que o Arqt.º Pólvora utilize a sua coluna do “Raio de Luz” para se pôr a fazer relatórios pormenorizados da actividade, presente e futura, da câmara municipal, como acontece neste último jornal.
2 – O que, no texto do editorial citado, conviria esclarecer, em primeiro lugar, é em quem deposita o director do “Raio de Luz” a sua confiança. No cidadão Augusto Pólvora ou no Presidente Augusto Pólvora?
3 – A dúvida é tanto mais pertinente quanto José Pedro Xavier faz depender da manutenção dessa confiança, não só o espaço do Arqt.º Pólvora no jornal, como a “solidariedade institucional e colectiva” que o director do “Raio de Luz” lhe presta.
4 – Que a confiança, por natureza pessoal, do director do jornal tenha por destinatário o colunista, e não o edil, Augusto Pólvora, ainda se aceita. Mas a solidariedade “institucional” só parece ter algum sentido se for dispensada ao Presidente da Câmara. Pois não acrescenta ainda o director do “Raio de Luz” que quando tiver que dizer ou fazer qualquer reparo ou crítica ao Arqt.º Pólvora, o fará sem receios nem medos? Mal se perceberia a necessidade desta explicação pública se aqui apenas estivesse em causa a relação, do foro interno do jornal, entre o seu director e um mero colaborador…
5 – E, assim sendo, gostaria de tentar perceber o que vem a ser a solidariedade “institucional” e “colectiva” do director do “Raio de Luz” para com o Arquitecto Pólvora. Melhor: em que é que essa dupla solidariedade se traduz?
6 – A avaliar pela terminologia empregada, haverá até quem possa ser levado a pensar que José Pedro Xavier parece olhar para o concelho de Sesimbra como se este fosse uma pequena república presidencialista, em que ele, director do “Raio de Luz”, é o chefe de estado e o Arqt.º Pólvora o primeiro-ministro.
7 – E o Arqt.º Pólvora, que pensará ele de tudo isto? Não se sentirá incomodado? E os responsáveis dos outros jornais locais?
“2. Dizem as más línguas politiqueiras que este jornal não deveria continuar a conceder espaço ou cobertura ao Senhor Arqt.º Augusto Pólvora. Não percebemos esta observação e achamo-la descabida. Se já era colunista/colaborador deste jornal, porque razão havíamos de suspender a publicação dos seus contributos?
“Será que é incompatível o cargo de Presidente da Câmara com o de cidadão que tem o direito de ter opinião?
“Enquanto cá estivermos e continuar a merecer a nossa confiança, o Senhor Arquitecto Augusto Pólvora, contará com o seu espaço e com a nossa solidariedade institucional e colectiva. Quando tivermos que lhe dizer ou fazer qualquer reparo ou crítica, falo-emos sem receios nem medos. Ponto final.”
Permita-me, porém, agora o senhor director do “Raio de Luz” que acrescente alguns parágrafos ao seu apressado ponto final. E, assim sendo, vamos por partes:
1 - O Arqt.º Augusto Pólvora, enquanto Presidente da Câmara, tem o direito de expressar as suas opiniões em artigos de imprensa. Isso é inegável, tanto do ponto de vista jurídico como do ponto de vista ético, ainda que a alguns possa parecer deslocado que o Arqt.º Pólvora utilize a sua coluna do “Raio de Luz” para se pôr a fazer relatórios pormenorizados da actividade, presente e futura, da câmara municipal, como acontece neste último jornal.
2 – O que, no texto do editorial citado, conviria esclarecer, em primeiro lugar, é em quem deposita o director do “Raio de Luz” a sua confiança. No cidadão Augusto Pólvora ou no Presidente Augusto Pólvora?
3 – A dúvida é tanto mais pertinente quanto José Pedro Xavier faz depender da manutenção dessa confiança, não só o espaço do Arqt.º Pólvora no jornal, como a “solidariedade institucional e colectiva” que o director do “Raio de Luz” lhe presta.
4 – Que a confiança, por natureza pessoal, do director do jornal tenha por destinatário o colunista, e não o edil, Augusto Pólvora, ainda se aceita. Mas a solidariedade “institucional” só parece ter algum sentido se for dispensada ao Presidente da Câmara. Pois não acrescenta ainda o director do “Raio de Luz” que quando tiver que dizer ou fazer qualquer reparo ou crítica ao Arqt.º Pólvora, o fará sem receios nem medos? Mal se perceberia a necessidade desta explicação pública se aqui apenas estivesse em causa a relação, do foro interno do jornal, entre o seu director e um mero colaborador…
5 – E, assim sendo, gostaria de tentar perceber o que vem a ser a solidariedade “institucional” e “colectiva” do director do “Raio de Luz” para com o Arquitecto Pólvora. Melhor: em que é que essa dupla solidariedade se traduz?
6 – A avaliar pela terminologia empregada, haverá até quem possa ser levado a pensar que José Pedro Xavier parece olhar para o concelho de Sesimbra como se este fosse uma pequena república presidencialista, em que ele, director do “Raio de Luz”, é o chefe de estado e o Arqt.º Pólvora o primeiro-ministro.
7 – E o Arqt.º Pólvora, que pensará ele de tudo isto? Não se sentirá incomodado? E os responsáveis dos outros jornais locais?

8 Comentários:
Tomei hoje contacto com este Blog.
O post "As solidariedades do Raio de Luz" faz com que o inclua nos meus "favoritos"
Miguel
Fica o senhor presidente avisado de que ou se porta bem ou o senhor director retira-lhe a confiança. E olhe que ele é homem para o pôr de castigo...
Se eu fosse Amável (mas não sou) aconselharia o senhor director a escrever "por que razão" e não "porque razão".
Pior ainda aquela do "falo-emos" em vez de "fá-lo-emos". Este termo "falo" é melindroso, sabe?
Francamente, senhor director, lembre-se de que a nossa juventude lê, atente e embevecida, os seus escritos pelo que não pode dar assim erros de palmatória! Se não, que raio de luz instrutiva espalhará pela terra?
Peço-lhe que não me retire a sua confiança, seja magnânimo!
Leia-se "atenta" e não "atente", naturalmente. Não quero imitar o senhor director...
Oh, al mocreve achas mesmo que a nossa juventude lê o Raio de Luz?Pleeaase!! A pergunta é: Quem lê o Raio de Luz?? E já agora desafiava o Senhor José Pedro a enumerar, ou melhor...mais light...simplesmente lembrar quais os objectivos do Centro de Estudos Culturais e Acção Social Raio de Luz. A memória é fraca...e seja resumido..é que temos cérebros tãaaao pequenos como convém!
E num jornal que defende os ideiais da Igreja, não se esqueça: o seu Jornal peca nos 7 pecados mortais!!
Urban@
Urbana,
Eu sempre ouvi dizer que o sol, quando nasce, é para todos. Agora o raio de luz deixa-me pensativo. Que luz será? Lembro-me do filme "A luz vem do alto", mas qual alto? O alto das Vinhas ? O alto das Necessidades? Alto lá, é urgente reflectir.
Apesar de tudo, admito que alguma juventude seja atingida por um ou outro Raio de Luz. Faz parte das CECAS que apanham...
O que é CECAS? Ó Urbana, mas é elementar : Centro de Estudos Culturais e Acção Social.
PS: o qualificativo do meu pseudónimo não está gralhado, é mesmo um C. Veneno puro...
Agradeço ao Miguel as suas palavras. E seja bem-vindo!
Ai meus amigos,
Tanta gente a cortar na casaca do Senhor José Pedro e do Senhor Presidente, por amor de Deus!!!
Ao menos, deixem o Senhor José Pedro e o Arqº Augusto Pólvora na qualidade de Presidente da Autarquia virem até aqui e manifestar o que lhes ocorre em sua defesa.
Será que ainda o desejam fazer?
Sejamos realistas e não vamos em CECAS...
O Carnaval passou e a vida agora são só dois dias !!!
Até amanhã se Deus quiser...
Gaivot@
Caro António Cagica Rapaz,
Sabe...
Neste momento o frio tem tendência a ir embora, o que já não se pode dizer da gripe das aves (infelizmente), mas como sou assim "musculado" pode ser que ela não queira nada comigo.
Em relação às CECAS penso que o senhor Al Mocreve Satânico não se importa do comentário que fiz, pois para dizer a verdade as secas são piores que as obras de Santa Engrácia, prometem, prometem e nunca mais as CECAS estão prontas...
Em relação ao resto cá esperamos pela defesa dos "arguidos" pois como sempre a mãe gaivota me ensinou, quem cal@ consente !!!
Vamos lá ver o que têm a alegar em sua defesa.
Ou será que só vêm os advogados ?
Vou-me agasalhar pois a tempestade começa a levantar-se ...
Gaivot@
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