Diário em Sesimbra (7)
RIBEIRA DA FAÚLHA
Poderia ser um veio de frescura. Mas, no entanto, cheira mal.
Poderia trazer aos nossos ouvidos a melodia das suas águas. E, no entanto, estão paradas, com cores que não lhe pertencem.
Poderia ser uma nascente de verdura, atravessando terras da Cotovia. O verde - por quanto tempo? - ainda vai permanecendo, entre tangerineiras e favais, entre vivendas e urbanizações.
Verde-passado, verde-futuro ou verde-final? Verde-saudade? Desejaria um verde de esperança...
Mas terei esperança num mundo em que tudo se submete ao dinheiro?
Poderia ser um veio de frescura. Mas, no entanto, cheira mal.
Poderia trazer aos nossos ouvidos a melodia das suas águas. E, no entanto, estão paradas, com cores que não lhe pertencem.
Poderia ser uma nascente de verdura, atravessando terras da Cotovia. O verde - por quanto tempo? - ainda vai permanecendo, entre tangerineiras e favais, entre vivendas e urbanizações.
Verde-passado, verde-futuro ou verde-final? Verde-saudade? Desejaria um verde de esperança...
Mas terei esperança num mundo em que tudo se submete ao dinheiro?

2 Comentários:
Este texto é um hino ao desencanto, lassidão de braços pendentes, revolta mal contida, surda e amarga.
Mas o mal maior não é o dinheiro. Pior são a imbecilidade, a boçalidade, a insensibilidade e a arrogância de quem suja e desafia o mundo dos conformados, dos descrentes da justiça e de um mínimo de autoridade, já que os valores éticos e morais jazem no fundo da ribeira...
Verdes são os homenzinhos de Marte, no nosso imaginário. Mas os que poluem ribeiros, rios e mares, deitam lixo e entulho em toda a parte, são nossos vizinhos, nossos familiares, os outros, sempre os outros.
Este mundo seria um paraíso sem os outros.
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