quarta-feira, março 15, 2006

Diário em Sesimbra (7)

RIBEIRA DA FAÚLHA

Poderia ser um veio de frescura. Mas, no entanto, cheira mal.
Poderia trazer aos nossos ouvidos a melodia das suas águas. E, no entanto, estão paradas, com cores que não lhe pertencem.
Poderia ser uma nascente de verdura, atravessando terras da Cotovia. O verde - por quanto tempo? - ainda vai permanecendo, entre tangerineiras e favais, entre vivendas e urbanizações.
Verde-passado, verde-futuro ou verde-final? Verde-saudade? Desejaria um verde de esperança...
Mas terei esperança num mundo em que tudo se submete ao dinheiro?

2 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Este texto é um hino ao desencanto, lassidão de braços pendentes, revolta mal contida, surda e amarga.
Mas o mal maior não é o dinheiro. Pior são a imbecilidade, a boçalidade, a insensibilidade e a arrogância de quem suja e desafia o mundo dos conformados, dos descrentes da justiça e de um mínimo de autoridade, já que os valores éticos e morais jazem no fundo da ribeira...

3:54 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Verdes são os homenzinhos de Marte, no nosso imaginário. Mas os que poluem ribeiros, rios e mares, deitam lixo e entulho em toda a parte, são nossos vizinhos, nossos familiares, os outros, sempre os outros.
Este mundo seria um paraíso sem os outros.

12:15 p.m.  

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