Uma grandessíssima história da carochinha
Como seria de esperar, o improvável Dr. Sequerra vem contar-nos uma grandessíssima história da carochinha sobre a questão da Fortaleza no último número de “O Sesimbrense”. O Dr. Sequerra bem nos tenta convencer de que o passado dia 4 de Maio ficou para a história, mas a única proeza digna de registo que encontrámos no jornal que dirige, reside no facto de ele, Dr. Sequerra, no seu estilo inconfundível, ter escrito uma reportagem onde não nos dá a conhecer, nem sequer por um pálido momento, o teor do acordo estabelecido entre a edilidade, a GNR e o Estado.
Aliás, em rigor, o Dr. Sequerra não faz alusão a qualquer acordo. Fala do “Acto Público de Disponibilização Oficial do espaço público da Fortaleza de Santiago à população de Sesimbra” (nunca tantas palavras tiveram tão pouco para nos dizer), e refere, como quem não quer a coisa, “uma cerimónia, de relevante significado para todos os sesimbrenses”, “muito rápida” e “carregada de emoção, que não foi escondida nem disfarçada por parte do Presidente da Autarquia, que viu nesse dia o fim de uma longa batalha”. O Dr. Sequerra tem ainda vagar para, lá do alto da sua cátedra, e no costumado tom professoral, avaliar desigualmente os discursos do Secretário do Estado (rotulado de “interessante”) e do Presidente da Câmara (ao qual reconhece “muita qualidade”). Encantado com a alocução do edil, e “com a antecipada certeza da sua oportunidade e da utilidade do seu impacto” (lá volto eu a ficar comovido), o Dr. Sequerra publica depois, na íntegra, as palavras proferidas pelo Presidente Pólvora, das quais, em concreto, apenas resulta que, doravante, e dentro de um certo horário, o pagode está autorizado a ir espreitar a baía à esplanada da Fortaleza. No mais, são as já nossas conhecidas declarações de intenções, cuja validade os sesimbrenses estão hoje, mais do que nunca, em condições de avaliar.
Claro que a ausência de quaisquer garantias quanto ao futuro não parece incomodar o nosso intrépido Dr. Sequerra, que, na sua devoção fervorosa, nos assevera que a Fortaleza é quase “nossa” e que a “reconquista” está (quase) consumada. Pelos “quases”, pelas aspas, pelos parênteses, responde, está bem de ver, o Dr. Sequerra, que augura boas perspectivas de resolução final do arrastado “caso Fortaleza”, em 2007. Bem pode o já de si muito optimista Presidente Pólvora vir dizer ao “Setúbal na rede” que nunca em menos de dois a três anos o Museu do Mar será instalado na Fortaleza. O Dr. Sequerra corta a direito e faz a coisa por muito menos. É só uma questão de meses. É já a seguir…
Claro que tudo isto tem uma explicação, pelo menos na imperscrutável cabeça do Dr. Sequerra. É que agora é tudo muito diferente. Agora, temos o “bom senso versus consenso”, agora “louva-se o desassombro e o poder de síntese” que se obtiveram. Ainda não há muitos anos, e sobre este mesmo dossiê, o Dr. Sequerra, instalado na sua doutoral cadeira, verberava o suposto conformismo do Presidente Penim, que alegadamente seria como os alunos que se contentam com o “dez”, sem nunca lutarem pelo “vinte”. Hoje, nas entrelinhas, o Dr. Sequerra, afinando a sua rebeca por outro diapasão, já parece sugerir que Amadeu era um obstinado intransigente, um dos tais que queriam o tudo ou nada, um autêntico "turra". Apetece dizer com o Eça: Ora sebo! Mantivesse hoje o Dr. Sequerra a malha estreita e implacável dos seus juízos de antanho, e o Presidente Pólvora nem sequer ia à oral. Mas, já lá diz o vate imortal, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, é meia-noite e tudo vai bem.
Só é pena que Albano Sacramento de Campos esteja afastado – ao que sabemos a contragosto – das lides jornalísticas. Muito gostaríamos de ouvir a sua opinião. Por quantos anos mais ficarão por caiar os muros da Fortaleza?
Aliás, em rigor, o Dr. Sequerra não faz alusão a qualquer acordo. Fala do “Acto Público de Disponibilização Oficial do espaço público da Fortaleza de Santiago à população de Sesimbra” (nunca tantas palavras tiveram tão pouco para nos dizer), e refere, como quem não quer a coisa, “uma cerimónia, de relevante significado para todos os sesimbrenses”, “muito rápida” e “carregada de emoção, que não foi escondida nem disfarçada por parte do Presidente da Autarquia, que viu nesse dia o fim de uma longa batalha”. O Dr. Sequerra tem ainda vagar para, lá do alto da sua cátedra, e no costumado tom professoral, avaliar desigualmente os discursos do Secretário do Estado (rotulado de “interessante”) e do Presidente da Câmara (ao qual reconhece “muita qualidade”). Encantado com a alocução do edil, e “com a antecipada certeza da sua oportunidade e da utilidade do seu impacto” (lá volto eu a ficar comovido), o Dr. Sequerra publica depois, na íntegra, as palavras proferidas pelo Presidente Pólvora, das quais, em concreto, apenas resulta que, doravante, e dentro de um certo horário, o pagode está autorizado a ir espreitar a baía à esplanada da Fortaleza. No mais, são as já nossas conhecidas declarações de intenções, cuja validade os sesimbrenses estão hoje, mais do que nunca, em condições de avaliar.
Claro que a ausência de quaisquer garantias quanto ao futuro não parece incomodar o nosso intrépido Dr. Sequerra, que, na sua devoção fervorosa, nos assevera que a Fortaleza é quase “nossa” e que a “reconquista” está (quase) consumada. Pelos “quases”, pelas aspas, pelos parênteses, responde, está bem de ver, o Dr. Sequerra, que augura boas perspectivas de resolução final do arrastado “caso Fortaleza”, em 2007. Bem pode o já de si muito optimista Presidente Pólvora vir dizer ao “Setúbal na rede” que nunca em menos de dois a três anos o Museu do Mar será instalado na Fortaleza. O Dr. Sequerra corta a direito e faz a coisa por muito menos. É só uma questão de meses. É já a seguir…
Claro que tudo isto tem uma explicação, pelo menos na imperscrutável cabeça do Dr. Sequerra. É que agora é tudo muito diferente. Agora, temos o “bom senso versus consenso”, agora “louva-se o desassombro e o poder de síntese” que se obtiveram. Ainda não há muitos anos, e sobre este mesmo dossiê, o Dr. Sequerra, instalado na sua doutoral cadeira, verberava o suposto conformismo do Presidente Penim, que alegadamente seria como os alunos que se contentam com o “dez”, sem nunca lutarem pelo “vinte”. Hoje, nas entrelinhas, o Dr. Sequerra, afinando a sua rebeca por outro diapasão, já parece sugerir que Amadeu era um obstinado intransigente, um dos tais que queriam o tudo ou nada, um autêntico "turra". Apetece dizer com o Eça: Ora sebo! Mantivesse hoje o Dr. Sequerra a malha estreita e implacável dos seus juízos de antanho, e o Presidente Pólvora nem sequer ia à oral. Mas, já lá diz o vate imortal, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, é meia-noite e tudo vai bem.
Só é pena que Albano Sacramento de Campos esteja afastado – ao que sabemos a contragosto – das lides jornalísticas. Muito gostaríamos de ouvir a sua opinião. Por quantos anos mais ficarão por caiar os muros da Fortaleza?

2 Comentários:
Realmente este director de "O sesimbrense" está claramente direcionado para o sensacionalismo gratuito. Quando abri esta ultima edição do jornal e vi em letra quase garrafal o título " quase NOSSA" pensei imediatamente que só da cabeça dessa pessoa poderia sair um título daqueles, assim como frases como esta : A "reconquista" está (quase)consumada.Depois de tudo aquilo que foi dito na manhã de 4 de maio e das incertezas em relação ao futuro, é no mínimo estranho que aquele sr. faça um comentário daquele teor.Por mim ,confesso já não ter pachorra e apetece-me perguntar, mas o que é que esse sr. anda á procura ?
O Dr. Sequerra estava na Fortaleza no dia 4 de Maio? Se esteve e se conhece tão bem Sesimbra e sesimbrenses como vem apregoando há algum tempo, sabe de certeza que metade dos que lá estavam não entenderam os rasgos de modernidade que o Sr. Presidente deu ao seu discurso, utilizando palavras que nem o Secretário de Estado utilizou. Quer tanto ser diferente e descolar-se do (de quê?)... de nada, que parace ter sentimentos de revanche!(Esta palavra fica bem em qualquer discurso, seja ele político ou não).
Sr. Rapaz, quanto às suas considerações, acrescento mais: será que o Dr. Sequerra se estará a preparar para Provedor? É que essa figura desapareceu ou está desaparecida, e com a campanha que o Sr. Sequerra tem feito, bem como a sua proclamada defesa de Sesimbra e dos seus interesses, penso que o Provedor está a chegar!
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