terça-feira, junho 06, 2006

Carregaste para aqui muita água, sabes!?

Quem se lembra do estado gravoso em que o abastecimento de água ao concelho de Sesimbra se encontrava no ano de 1998, não pode deixar de sorrir ao ler a entrevista que o Presidente Pólvora concedeu ao último número do jornal “Notícias da Zona”. É uma extensa entrevista, dedicada, por inteiro, à água que consumimos, à sua qualidade e ao seu abastecimento. Faz parte de um amplo dossiê consagrado ao tema, que contempla ainda a capa da publicação, o editorial, um outro artigo de opinião, um inquérito de rua e uma peça de fundo, correspondendo tudo, por atacado, a pouco menos de metade das páginas desta edição.

Quem se lembra do estado gravoso que apontei não pode, com efeito, deixar de esboçar um sorriso. Basta lembrar que no Verão de 1998 quase se registou uma situação de ruptura no abastecimento, herdada da anterior gestão autárquica, da responsabilidade do Partido Comunista, personificada por Esequiel Lino, e a que Augusto Pólvora, enquanto vereador, esteve, durante alguns anos, associado.

Nos últimos dois mandatos assistiu-se a um investimento sem precedentes neste domínio, a ponto de o problema estar hoje resolvido, em todo o concelho, tanto no plano da quantidade como no da qualidade. Daí que não nos seja possível deixar de sorrir quando o Presidente Pólvora afirma que “a nível de Sesimbra nós temos vindo a fazer investimentos significativos nos últimos anos no sistema de abastecimento de água e podemos garantir que, a não ser que aconteça alguma anormalidade, alguma ruptura não prevista, grave, o abastecimento de água este Verão decorrerá normalmente, sem grandes dificuldades.”

“Nós temos vindo a fazer investimentos significativos…”, diz o Presidente Pólvora. Nós quem, Senhor Presidente?, pergunto-lhe eu. Apetece citar aqui uma saborosa anedota pexita. É quando dois pescadores, nas suas aiolas, disputam as mesmas águas, supostamente ricas em peixe, e um deles, irritado, diz ao camarada para procurar outras paragens, ao que este lhe pergunta: “O mar é teu?! Carregaste para aqui muita água, sabes!?”

Registo, porém, com agrado, a tranquilidade que transparece das restantes palavras do Presidente Pólvora, quando agora nos garante que este ano não vai haver problemas (a verdade é que já há alguns anos que não temos problemas). Isto faz toda a diferença. Em 1998, Amadeu Penim, poucos meses depois de ter tomado posse, não estava em condições de fazer tal afirmação. Antes pelo contrário, tinha ficado com o menino nos braços, com uma conduta fundamental em estado de ruptura, e isto no pino do Verão. Muitos milhões de euros depois, impressiona-me ver como o Presidente Pólvora, num gesto oportunista, vem colher os louros da solução alcançada, quando a força política a que pertence é que não soube resolver o problema. Sejamos claros: o Arquitecto Pólvora foi parte do problema, não foi parte da solução.

Mais estranho ainda é que o “Notícias da Zona”, só agora, quando a questão da falta de água já passou à história e deixou de ser notícia, quando o ano em curso levou consigo o fantasma da seca vivido em anos anteriores, se tenha lembrado de dar tamanha relevância a um tema que, sendo importante, está já bem longe de dominar as atenções dos sesimbrenses às portas da época balnear. Antigamente, até era preciso ter lata para carregar a água que escasseava. Hoje é bem mais fácil…

9 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Pois é, pois é, pois é...

O amigo Pedro Martins tem razão, uns comem a carne e para os outros sobram os ossos.
E que osso duro de roer foi esse problema de falta de água em 1998 e nos anos seguintes.
Mas, como sempre em portugal tudo se resolve no presente.
Não se preocupe amigo Pedro, que daqui a vinte anos os próximos presidentes de câmara ainda vão dizer que os " louros " nesse problema foram deles.
Mas, todos temos direito a falar pelo menos enquanto existir água... nem que seja salgada nesse mar que é de todos .

Enfim, haja água !!!

6:36 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Lata é o que não falta.
Mas o que mais impressiona é a atitude dos jornais da zona, em concepção lata (cá está ela, outra vez)...
Afinal, a assessoria de Imprensa funciona, não para consumo interno, mas na sedução (publicitária?) aos jornais que dão notícias (ou fazem propaganda) cá pela zona.

É tudo boa gente, isentos, desinteressados, nada alinhados.
Tudo boa gente. E boa zona...

6:50 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Linos, Amadeus, Pólvoras, tudo gente de esquerda, socialistas e comunistas. E é bom não ir esquecendo quem tem enviado esta Vila p'ró buraco. Com ou sem água.

11:53 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

É de facto preciso ter lata...mas isso é o k ñ falta ao presidente da CMS e ao resto dos comunas...Sempre a mm coisa.Parabéns Pedro Martins pelo post.

11:06 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

É estranho este procedimento por parte do arq. Pólvora.
Será que ele pensa que as pessoas não têm memória?
Julgará que seduz? Não perceberá que perde crédito?
Propaganda sim, é de boa guerra, mas fumo para os olhos não.
Podemos ser acomodados, parvos não.

11:09 a.m.  
Blogger Atena said...

Eu começo a pensar que o facto dos governantes se vangloriarem com os resultados obtidos pelo trablho / esforço / planificação dos governantesns anteriores, faz parte do código deontológico dos políticos.

2:16 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Deixem a água faltar! Se se vier a verificar falta de água, já sabem para quem vão as culpas: Má gestão anterior!Heranças, heranças!Dão sempre jeito!

3:35 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Vendaval,

Se reparar bem naquilo que escrevi, ninguém aqui pôs em causa a bondade da política efectuada no abastecimento de água ao concelho nos últimos anos. O que critiquei foi a forma como, na entrevista, o actual Presidente da Câmara se refere a essa política, como se ele tivesse tido alguma quota-parte de mérito na mesma. E o que é facto é que não teve.
Que o Presidente Pólvora continue, neste domínio, a política do anterior, é aquilo que eu desejo, muito embora, em termos relativos, pouco tenha já para fazer.
Quanto aos executivos que se tornam oposições e criticam as oposições que se tornam executivos, é tudo uma questão de as críticas serem, ou não, justas. Mas, numa democracia, é algo que está dentro da natureza das coisas. Ou será que não?
O que não é aceitável, no extremo oposto, é as oposições tornarem-se executivos e perfilharem e elogiarem tanto o trabalho dos seus antecessores que até o querem fazer seu, ignorando olimpicamente quem realmente o desenvolveu. Desculpe lá o Vendaval, mas isso é que não me parece bem.

7:11 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Vendaval,

Sobre as suas últimas palavras neste comentário, e para terminar, pela minha parte, lembro-lhe que o Dr. Salazar também não gostava nada de críticas. E Hitler, e Estaline, e Mussolini, etc., também não. Eles queriam realmente trabalhar à vontade, ainda que por conta própria.

Estamos conversados.

7:42 a.m.  

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