sexta-feira, junho 02, 2006

Nocturnos (12)

UM SINAL

Era já noite mas eu corria
Corria cegamente pela página fora.
Ou era talvez a rua. Corria
para um encontro
não sei ao certo de quê nem
de
quem.
Um nome um rosto
um corpo nu deitado no abismo.
Mas era uma estrela
que me
guiava.
Era um sismo
era um vento.
Ou talvez a palavra. Ou talvez a palavra.
E por isso eu corria
loucamente corria pela noite dentro.

Manuel Alegre

1 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Este Manel ficou assim quando integrou o pelotão que fugiu da Guerra Colonial. "Correu loucamente" é o que se lembra. Mas eu lembro-lhe que, também e mais recentemente, correu loucamente atrás da reforma que um tal Guterres atribuiu a esses heróicos fugitivos bastando a abonação de DUAS QUAISQUER testemunhas para que esse dinheirinho começasse a cair nas continhas bancárias desses grandes patriotas.
Enfim, loucuras de um poeta do polvo.

12:26 a.m.  

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