segunda-feira, maio 29, 2006

Confusões e confissões (2)

No seu artigo do último “Raio de Luz” sobre a magna questão da Fortaleza, a que já ontem aqui me referi, o Presidente Pólvora considera que, com o acordo assinado entre a edilidade e a GNR, “Sesimbra conquistou desde já e ainda que parcialmente um novo espaço de cultura e lazer”. Assim se refere o edil às “inúmeras iniciativas de carácter cultural” que “já este verão terão lugar na Fortaleza”.

Postas as coisas nestes termos, convirá talvez lembrar que nos últimos anos, e em épocas diversas, tiveram lugar na Fortaleza várias realizações sócio-culturais promovidas pela autarquia e por outras entidades. Não seriam “inúmeras” como as que agora anuncia o Presidente Pólvora. Talvez não fossem sequer numerosas. Mas algumas delas ainda hoje estão bem vivas na memória dos sesimbrenses. Quando, lá para Outubro, se fizer as contas do “antes” e do “depois”, talvez não seja preciso recorrer ao palito métrico…

Mas a verdadeira questão é outra e passa pelo pleno aproveitamento da Fortaleza, já previamente definido e projectado pela Câmara Municipal e pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, tendo em vista a recuperação e a reconversão daquele monumento, de forma a transformá-lo num verdadeiro espaço de fruição cultural, e também, consequentemente, num novo factor de desenvolvimento económico do concelho.

Ora, quanto a esse objectivo, como já antes aqui afirmei, Sesimbra e os sesimbrenses não têm hoje qualquer garantia efectiva de que o mesmo possa vir a ser alcançado, com a agravante de a autarquia haver legitimado, pelo reconhecimento, uma determinada situação de facto plena de significados. E aqui é que mora o busílis da questão.

A terminar o seu artigo deste mês, o Presidente Pólvora faz alusão àqueles que disseram que o que foi obtido é pouco e que “a montanha pariu um rato”. Tanto quanto me recordo, na opinião pública e publicada local fui o único a empregar esta elucidativa expressão, pelo que me inclino a pensar que conto, entre os meus leitores, com o Presidente Pólvora. Assim, na volta do correio, sempre lhe direi que muito me apraz vê-lo lançar mão, em jeito de desgarrada, de alguns provérbios para justificar este seu precoce Waterloo. Não deixa de ser verdade que, como ele afirma, “quem tudo quer tudo perde” e que “mais vale um pássaro na mão, que dois a voar”. O que o Presidente Pólvora nos não confessa, porque não quer, ou não pode, é que, neste momento, tem lá em casa, numa pequena gaiola, um canário que, com o seu canto, lhe irá suavizar um pouco a costumada inclemência da canícula estival. Pena foi que, por conta deste refrigério, tenha, entretanto, deixado escapar uma águia-real a quem, provavelmente, não voltará a pôr a vista em cima.

Quanto ao outro ditado em que se abona, poderia eu responder-lhe que “quem porfia sempre alcança”, “que água mole em pedra dura...” e “que longos dias tem cem anos”. Mas seria inútil. Torna-se hoje evidente que a ambição minguada do Presidente Pólvora – o mesmo que, há alguns meses, prometia transformar Sesimbra no maior destino turístico da Península de Setúbal – não consente tamanhos estados de alma.

3 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

É verdade que inúmeros políticos, juízes, empresários, cientistas, escrevem artigos em diários ou semanários, por norma, publicações de certa dimensão.
Mas fazem-no pontualmente, excepcionalmente.
Que o cidadão Augusto Pólvora mantivesse uma coluna no Raio de Luz, sobre poesia, arquitectura, pesca ao atum ou caça grossa, nada mais compreensível e aceitável.
Mas que o Presidente Pólvora prolongue a sua função através daquele jornal, causa estranheza e denota uma falta da ambição preocupante.
Contenta-se com tão pouco!
Como aconteceu com a Fortaleza, aliás...

10:39 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Ao ler-se o que em "Sesimbr'acontece", verifica-se que a Fortaleza foi "ganha" para as Escolas de Samba e transmissão de um jogo de futebol (trataram dos direitos de transmissão e de autor?).

De resto as iniciativas remetem-nos para a Biblioteca (com todas as condições que aquele equipamento apresenta e faculta aos visitantes, bem como a equipa dinâmica e organizada, discreta mas competentemente liderada pela Vereadora do Pelouro).

Mais iniciativas poderão ser acompanhadas no Castelo (reino de outra Vereadora, que ali encontrou burgo adequado para reinar e, na sua cafetaria, o ambão para preleccionar.

Ai, Ce Zimbra voltasse ao Castelo...

10:34 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Tá-se mesmo a ver, as escolas de samba são o ex-libris de Sesimbra, ao ponto que no Brasil já surgiram pálidas imitações.
Samba e futebol, que mais quer o povo?

7:25 p.m.  

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