A GRANDE ILUSÃO
por Elísio
A Ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel é uma mulher bonita de se ver. Tem umas madeixas loiras sempre a caírem sobre o rosto que ela tem de afastar com as suas mãos longas, cinematográficas. Tem um ar pouco à-vontade, com as suas roupas sóbrias, de cerimónia satânica numa Universidade da Nova Inglaterra... quero dizer, meio de rapaz, típicas dos “pubs” de encontros simpáticos, em Greenwich Village, Nova Iorque.
Disse ela ontem, que um Estado que não consegue sancionar a sua soberania dentro das fronteiras ou onde existem grupos terroristas dentro do seu território, ou milícias, não pode ser aceite. Receitou bem a cartilha. A Espanha tem um grupo terrorista no seu território, o Reino Unido também, o Governo de Bagdhad tem de lidar todos os dias com várias milícias, o de Kabul fê-las renascer para segurar a polícia. Existem milícias, constitucionalmente, nos EUA. E acrescenta Gideon Meir, porta-voz do MNE israelita, que a ameaça do Hezbollah, diária, sobre o povo de Israel, essa é que é desproporcionada. Ai que a alucinação do Sr. Geir não tem proporção!
Parece-me que a Sra. Livni não está à vontade nas suas roupas. Tem um ar distinto, quase frio, mas um sorriso caloroso, e aquelas mãos nasceram para afagar (já agora um homem que não esteja, correlativamente, vestido de roupas femininas).
Espero que ela vá amar alguém, ser bonita para um jardim, escrever poemas ou fazer filmes e que experimente um desses vestidos claros e longos, à moda de Israel, que lhe fica muito bem. Não sonhe ser Golda Meyr, que não nascera tão bonita.
Tenho pena que queira ser homem, de tão torcida que é, num cargo onde os homens tentaram aprender com as mulheres. Como se o direito à auto-determinação do Líbano, da Espanha ou dos EUA seja equivalente a escolher entre matarem em segredo ou não dormir de noite, com bombardeamentos colaterais e parando aviões com prédios cheios de inocentes.
A Sra. Livni, se calhar, não deve gostar do próprio pai pois não nascíamos se os nossos pais não interferissem entre si mas também não crescíamos se eles não nos deixassem, depois, em paz. A Sra. Livni não vai parar enquanto não encontrar uma pose definitiva frente às câmaras, ou enquanto não for homem. Irá à Síria e ao Irão para cantar, com voz de veludo, que "não é aceitável", acompanhada ao órgão Estaline. Os seus promotores julgarão que nos enganam com a lógica da guerra preventiva (que é um jogo de suposições como o foi a dissuasão nuclear) para evitar piores males. Como se tudo não estivesse programado, há muito tempo, para arder em toda a região, ao som da tabuada da democracia, ou do ditado militar. E ainda querem envolver a comunidade internacional neste fogo regional, para o qual têm muitos litros de gasolina. Em breve teremos um Grande Iraque onde a arma é o voto do povo, com eleitores passivos e activos, idos nas urnas, todos os dias.
Realmente a solução é a mesma que já ouvimos na Alemanha dos anos 30: sem a auto-terminação de todos os colaterais, sem os colaterais todos a irem como cordeiros para o duche, não haverá auto-determinação dos especiais, nem pureza de sangue. Auto-determinação, já agora, até da antiquada condição de mulher.
Assim, uma destas noites, um médico vai decretar ao modo do general que quer deixar o Líbano, o Irão, o Iraque e a Síria em vida vegetativa: que se desligue uma máquina para ligar outra. Ora já não é a cabeça de Sharon que pensa, mas a máquina. Se já sabíamos que não se pode pensar como os ideais, os ideais têm de pensar como nós e liga-se à máquina quando a nossa mente estoura. A vida é como é, faça-se a comparação, tire-se a metáfora: a vida, como é. E depois, vá-se mais longe: a vida é como... ou "é a vida!".
Vivemos um sonho, em que não se acorda da magia do palavreado. Por isso se tem que ligar a cabeça à máquina. Faz-se-lhe uma máscara mortuária e, sem honra mas com glória, metemo-la num busto. Tínhamos a cabeça suja de sangue, o nosso pensamento afogava-se no sangue, guardámo-la numa urna de pó. E só resta aos mortos-vivos este sonho da idade das cavernas, de ter um calhau erguido, em que o alívio de tanto sangue é o pó seco a que se reduzirá obusto do nosso cérebro em curto circuito, quando o vierem derrubar. Cairá como a ânfora romana, hermeticamente fechada, que só tinha dentro, afinal, ar e pó...Ah, “zombies” vaidosos, loucos de posar, sem lugar onde descansarem a cabeça!

5 Comentários:
Existe um pequeno equívoco neste post. É verdade que existem grupos terroristas ou de milícias dentro dos países que mencionou. Esqueceu-se(?), porém, de um pequenino detalhe que faz toda a diferença. É que o grupo terrorista que actua no Líbano não ataca os libaneses mas sim um país vizinho, situação que não se repete nos países que o sr.Pedro Martins mencionou. Este esquecimento recorda-me as pessoas que confundem o muro de Berlim com o recente muro construído por Israel em que as pessoas de esquerda ainda não perceberam que um foi construído para evitar que as pessoas saíssem e o outro para evitar que as pessoas entrem.
Tão simples para uns e tão deliberadamente confuso para outros.
Farol do Cabo,
Um pequeno esclarecimento: eu não sou o autor do texto desta entrada. O seu autor, tal como está indicado logo a seguir ao título, é Elísio, um dos autores deste blogue. Bem sei que todos nos habituámos a ver a autoria das entradas no final de cada uma, e, com efeito, fui eu que publiquei esta entrada, mas não fui eu que escrevi o
texto correspondente. O seu a seu dono. No entanto, aceito o seu repto e tomo de bom grado a interprelação.
Se me permite que lhe dê a minha modesta opinião sobre este assunto, dir-lhe-ei que não acredito, a este propósito, em bons e maus, em rapazes e vilões - como nos filmes de cowboys.
Como religião, o Islão, com excepção da mística "sufi", está muito longe de me entusiasmar. E quero que fique bem claro que nada desculpa o terrorismo islâmico, que aqui condeno veementemente.
Mas quanto aos propósitos de Israel e, sobretudo, dos Estados Unidos, desculpe-me Farol do Cabo, só cai na cantiga quem quiser... Dir-lhe-ei que sou amigo de algumas pessoas - e gente boa -, mais à direita e mais à esquerda, que sabem muito sobre este assunto - e olhe que não é um saber livresco, ou dos jornais -, e que já há muito perceberam a grande farsa que vai no teatro do mundo. E como eu confio nos meus amigos...
De resto, não creio que no mundo de hoje o bem combata o mal. Acho que o mal se combate a si mesmo. Apenas isso...
ERRATA: "interpelação" e não "interprelação", como é óbvio.
Farol do Cabo,
Agradeço-lhe sem rodeios, as suas palavras, sábias, que me convencem da utilidade talvez um pouco passageira desta blogomania. Eu, de facto, não sou o Pedro. Por agora, sou o Elísio.
Mas parece-me que, embora não apareça logo no primeiro argumento que usa, pressupõe uma diferença de perspectiva entre Direita e Esquerda, da qual não fujo,mas que me não diz muito. E até o digo de um modo triste pois os campeões da superação da direita e da esquerda foram os fascistas dos anos trinta, que seduzem muita gente, em tempos de crise moral,nem digo até quem...Agora o que divide Israel e os Islâmicos é uma coisa talvez entre Ordeiros e Libertários, na terminologia da nossa I República, que se distribuem entre a Esquerda e a Direita. Mas há mais: o problema da zona é entre Desenvolvidos e Sub-desenvolvidos, ou entre Ocidente e Oriente, o que é muito mais complexo e todas as análises são superficiais, quer entre grupos judeus que perfilham ideologias do tipo nazi (muito diferente de Fascismo)e islâmicos que perfilham ideologias do tipo maoísta ( muito diferente do marxismo-leninismo). Se me permite, não vou emitir uma opinião, por cuidado e por respeito. Mas vou contra-argumentar ao que disse: o Reino Unido tem grupos terroristas católicos e protestantes que fizeram vários atentados, na vizinha Irlanda e noutros países europeus. A Espanha tem a ETA que fez, pelo menos atentados em França, sem ter em conta todos os da solidariedade entre eles que levou, por exemplo à prisão de quatro instrutores irlandeses nas FARC colombianas. Agora vamos ao pior: a Milícia de Michigan está ligadíssima ao atentado de Mc Veigh ao edifício Alfred Murrah em que morreram cerca de 150 inocentes, já agora num outro Estado dos EUA com legislação bem diferente em termos de protecção dos cidadãos. Não falo nos Estados Iraque e Afeganistão, lutando pela sua legitimidade porque o que a política de Bush lá fez está já designado pela Ciência Política: transformaram Estados-canalha, em Estados-falhados. O que quero dizer é que os Estados em formação, são todos como o Líbano, têm delicadíssimos equilíbrios e só uma visão aflita nos faz esquecer o que foi a Guerra civil do Líbano. Por outro lado, Israel, não deixa nascer a Palestina e quer deixar em vida vegetativa o Líbano, já agora graças a um Governo de Esquerda, pois Olmert e Sharon eram do Mepat, o primeiro partido trabalhista de Israel. Aquilo que o Hezbollah fazia a Israel, fê-lo Israel todas as semanas a Gaza. E está, perdoe-me dizer-lhe, enganado: o muro de Israel destina-se a não deixar sair, aliás como muitas gente ficou convencida debaixo da propaganda soviética do fim dos quarenta que julgava que as massas ocidentais iam saltar para o paraíso socialista. O muro destina-se a não deixar sair e propagar-se uma população árabe israelita que, em 2025 terá superado os neuróticos ocidentais que são maioria na população israelita. E, como todos os muros, cairá de uma forma súbita.
Por fim, e porque as compreensíveis explicações do Pedro Martins para um auditório Sesimbrense deixam uma certa sombra, digo que detesto todas as formas de Terror, a propósito das quais me lembro do nazismo, do bolchevismo, de Hiroshima e da Revolução francesa que inventou o termo em Política. Mas sei que o combate ao Terror implica muitas vezes que peguemos em armas.Negar isso, seria negar a Bíblia, o Corão, o Avesta e até os Sutras budistas. Só que o Terror em Política não pode ser medido como em Jornalismo.
Nota I: No meu comentário anterior onde se lê sr. Pedro Martins deve ler-se sr. Elísio, Peço, aos dois senhores, que relevem o meu lapso.
Nota II: Em momento algum, no comentário, eu defendo a posição de Israel. Gosto de ajudar aqueles que, apesar de muito sagazes e conhecedores, não atendem aos pequeninos detalhes que fazem a diferença talvez porque, como diria o sr. Rapaz, não conseguem despir a camisola. Felizmente a política não é futebol e, livremente, podemos analisar as situações que vão aparecendo, sem prejuízo das nossa convicções, na medida do possível, de um modo imparcial.
Nota III: O que vemos ou, melhor, o que eu vejo, é uma luta entre gente empreendedora, trabalhadora e, portanto, rica e os outros que passam a vida a rezar, pouco produzem, e por isso que são pobres. O que não seria pecado uma vez que cada um tem o direito à escolha. O pior é o pecado da inveja. Mortal!
Nota IV: É, para mim, extremamente difícil encontrar interlocutor para conversas sobre assuntos políticos pois os “interessados” são muitos e os “desinteressados” são poucos.
Nota V: A democracia existente em Portugal trouxe, a muita e boa gente, um equívoco enorme. Não entendem que o voto de um intelectual vale rigorosamente o mesmo que o voto de um “burro” e aqueles ainda não perceberam que a sua linguagem intelectual apenas satisfaz o seu ego perante a corte. Quanto à educação do povo... este não percebe. Daí o lapso de, para os Portugueses, tudo se resumir à discussão do jornal A Bola após uma partida de futebol entre esquerda e direita. Infelizmente.
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