sábado, julho 08, 2006

Schumann, 150 anos depois (8)

TARDE DE MÚSICA

Só Schumann, meu Amor! Serenidade…
Não assustes os sonhos… Ah!, não varras
As quimeras… Amor, senão esbarras
Na minha vaga imaterialidade…

Liszt, agora o brilhante; o piano arde…
Beijos alados… ecos de fanfarras…
Pétalas dos teus dedos feitos garras…
Como cai em pó de oiro o ar da tarde!

Eu olhava para ti… «é lindo! Ideal!»
Gemeram nossas vozes confundidas.
- Havia rosas cor-de-rosa aos molhos –

Falavas de Liszt e eu… da musical
Harmonia das pálpebras descidas,
Do ritmo dos teus cílios sobre os olhos…

Florbela Espanca

2 Comentários:

Blogger Luis Eme said...

Grande pesquisa... até a amorável Florbela surge nesta festa da música, e porque não da poesia?...

2:13 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

É muito curioso constatar que os poetas portugueses entram frequentemente em diálogo com a música dita "clássica" ou "erudita". Schumann é só uma das pontas do icebergue...

Talvez esta seja uma pista a explorar um pouco mais para diante, ao longo deste Verão, aliando a música à poesia e à pintura...

2:22 p.m.  

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