domingo, agosto 06, 2006

BUDA E A CAIXA

Por Elísio

Ao Pedro

Havia um Buda na minha vida. Ou num Sonho. E tinha uma caixa de chocolates ao lado. Nunca a abri. Nem Cat Stevens num tempo bonito, com a sua bonita voz.
Não sei o que havia lá, se eram mesmo chocolates ou más supresas.

Olhei aquele Buda até ao entardecer e ele nunca saiu de um tarde de Verão que guardo num canto da minha memória. Mas a caixa nunca a abri.

Abri-me eu, fui feliz e infeliz, sofri e exultei até ficar velho, acho que como toda a gente que teve a sorte de chegar a velho. Quando me olhei ao espelho, tinha a barba longa e os cabelos escorridos e percebi que estava a ver o Santo Sudário, que dizem que é um espelho da Humanidade, embora seja provavelmente falso.

E Buda estava ao meu lado. Reparei então que a caixa de chocolates, embora sem ter sido aberta estava vazia. Percebi então que o mundo abrira e fechara sob a caixa e que Buda estivera sempre ao lado, velando para que o Mundo se fechasse depois de abrir.

Olhei para Buda, incandescente ao fim da tarde de Verão. Era Jesus sentado.

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