segunda-feira, julho 10, 2006

Cabo Espichel (2)

1 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

RECOMEÇO

Sei do sonho:

procuro tua sombra na

penumbra

da memória líquida

e nada encontro.

A lua não é vermelha


não é violeta

não é verdecoisa


mas

os loucos da madrugada

anunciam as primeiras águas da manhã.

Sei do sonho?

Tua sombra pagã

é um corpo que me foge

das mãos cansadas de espantos


e abismos.


A árvore sonolenta


anoitece os meus delírios.

Não te vejo na claridade


do silêncio.

O sol é um pássaro ferido

na solidão

de meus gestos de meus gritos

e a hora cruviana

é uma graviola


grávida

de aromas e carnes

pronta para ser saboreada.

Sei.

Não foi um sonho.

Como encontrar,


então,


na

arquitetura fluvial


de meus quereres,


as linhas

e curvas

de teu corpo barrento-canela?


Ah, não! Ah, sim!

Existe

um

grande sertão

nas veredas da minha paixão.


E eu sei do sonho.


Procuro tua sombra líquida


e nada encontro.


A lua não é verdeluã


mas

tua sombra pagã

anoitece os meus delírios.


Como encontrar,

sol e solidão,

a arquitetura colonial

de teu corpo fluvial?


Como encontrar,

no silêncio de meus gritos,

tua sombra teus aromas tuas carnes?

Sim,

não.




Tua memória vermelha




é uma sombra grávida




de morenezas e reentrâncias




azuis.

Docemente azuis.

Barrentas e azuis.

Moacy Cirne

4:12 p.m.  

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