quinta-feira, setembro 21, 2006

BEBEDEIRA

[Os Bêbados, ou Festejando o São Martinho, de José Malhoa]
Sinto a garganta a arder;
apetece-me beber,
beber sem parar,
até saciar,
até não poder.

Apetece-me beber!
Não é pra esquecer
nem é pra lembrar,
nem pra fugir, sequer...

Quero bebidas finas,
requintadas,
vindas seja donde for:
gin. whisky ou licor,
vodka, champagne, rum...
quanto mais fortes, melhor.

Quero rir às gargalhadas,
conversar, gritar, cantar!
Se me apetecer chorar,
não me perguntem porquê.
Se é tristeza ou alegria,
não sei, nem quero saber:
o que eu quero é beber!

Não tenham medo!
Eu não caio...
e, se cair, não importa:
arrastem-me até à porta
e deixem-me no passeio!
Não, eu não tenho receio:
ainda sei o caminho
pra ir pra casa sozinho.

Inda posso beber mais.
Ainda posso beber.
Beber até cair;
até adormecer...

LISBOA, 66

Pedro Ferreira Neves

2 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Um conselho : não conduza.

5:48 p.m.  
Blogger A.Teixeira said...

Está muito engraçado, e torna-se muito mais vivo quando declamado, ao usar o ritmo das frases curtas, de ébrio que se "defende" e fala pouco para não mostrar como a sua linguagem está entaramelada...

7:13 p.m.  

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