segunda-feira, setembro 04, 2006

A CRUZ

Vejo o meu avô chegando ao Pousado,
Em tardes de sol e de poeira.
Eu esperava aquele pão cansado,
Que, para mim, guardava para ceia.

Lembro-o carregando aquela Cruz,
Nos funerais, até à exaustão.
E, como ele gostava de Jesus,
Mesmo doente, não soube dizer não.

Herdou o Tio Zé aquela sina,
Aquela mesma Cruz na procissão.
Uma poalha de luz a ilumina.
Ele a carrega, com fé e oração.

Lisboa, 7-4-2005

António Soares

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