Lápis, canetas e um afia
A propósito do que aqui escrevi na passada segunda-feira, mas de certo modo inspirado pela atmosfera escolar da capa da última “Acontece”, entreguei-me hoje a um exercício tão básico como singular, e dei comigo a contar o número de eventos que a Biblioteca Municipal de Sesimbra programou para o mês que amanhã começa, ou que, durante este período de tempo, vai acolher nas suas instalações, nas quais se inclui o Pólo de Leitura da Quinta do Conde. Registei perto de 40 (quarenta) iniciativas, que correspondem a cerca de metade do total dos eventos programados pela edilidade (incluindo as festas religiosas, mas excluindo as iniciativas das Juntas e do movimento associativo, agrupadas na página 27). Perante o que lhe acabo de dizer, o leitor tem duas alternativas. Ou acredita, sem mais, naquilo que lhe afirmo, ou tem de ir pelos seus dedos, por essa “Acontece” fora.Como é sabido, a Biblioteca Municipal vai agora celebrar o primeiro aniversário na sua casa nova, a qual, sendo um edifício de excepção, se tornou, em poucos meses, o centro da vida cultural do concelho. Alguns de nós estão, aliás, recordados de que, há um ano, o “Jornal de Sesimbra”, dando-nos conta da inauguração da Biblioteca, fazia manchete com uma frase, plena de agrado, do então Vereador Augusto Pólvora sobre a notável qualidade arquitectónica do novo equipamento.
Por todas estas razões, ao lermos agora a “Acontece”, poderíamos esperar encontrar, no editorial da publicação, uma palavra sobre a efeméride, tanto mais que a Biblioteca programou um conjunto de iniciativas destinadas a comemorá-la condignamente. Mas não. Nas “primeiras linhas” da agenda de acontecimentos, subscritas pela Dr.ª Felícia Costa, na qualidade – não despicienda, tendo em conta o que vimos dizendo – de Vereadora da Cultura, sobre a Biblioteca Municipal, nem novas nem mandados. Tão pouco se dá, por qualquer outra forma, destaque ao acontecimento.
Dir-me-ão que são critérios editorais. Acredito que sim. Mas acontece que tais critérios, aplicados à nossa realidade local, me fazem, não sei porquê, lembrar de certo episódio, muito celebrado, de um álbum de aventuras de Astérix. É quando um bravo gaulês, questionado sobre Alésia (batalha que ditou a derrota de Vercingétorix), responde abespinhado: “Alésia? Mas a que propósito é que Alésia vem para o assunto?”.
Falo aqui de banda desenhada com quem segue a esperança de uma réstea de luz na noite escura. Talvez os lápis de cor, as canetas e o afia que sugestivamente ilustram a capa da “Acontece” se pudessem aplicar na concepção de um livro aos quadradinhos. Mesmo continuando a ver bonecos, sempre havia as legendas…

9 Comentários:
Pedi a 2 meses (não tenho bem a certeza se foi há 2 ou mais meses)que me enviassem o dito sesimbr'acontece e o boletim municipal e até hoje nunca vi na minha caixa de correio. porque será? será que tenho que razar a Santa Felícia (a senhora do polouro da IN'Cultura
Isso quer dizer que o Pedro resiste ainda e sempre ao invasor?
Parece-me bem.
Seja bem regressada, Elora.
Alésia, aqui, é a Biblioteca.
A MELANCIA DEPOIS DE ABERTA SAIU-NOS ASSIM!
Qualquer pessoa pode ser vereador da cultura em Sesimbra? Claro que sim. Basta para isso ser eleito em eleições livres.
Mas ser eleito democraticamente vereador da cultura faz um bom, ou pelo menos razoável vereador? Em meu entender, não.
Continuo a ter como bom, que no desempenho de cargos políticos deveremos ter gente com as maiores capacidades de desempenho dos lugares que ocupa.
Bem sei que existem pessoas que não se incomodam, por acharem que o importante é que um vereador da cultura, seja preferencialmente licenciado numa qualquer área e sobretudo de confiança politica. Pode ser inculto, não possuir qualquer curiosidade intelectual, viver de mal com a história local, desconhecer a produção artística nacional e internacional.
Pode ser incompetente, manipulado e manipulador, demagogo, populista, gastador e mau gestor. Pode mesmo não aprender com os erros e disparates que promove e em que se envolve. Desde que seja da cor está tudo bem.
Se um vereador assim, for rodeado por uma corte de ajudantes e assessores de nível idêntico ou inferior, todos da cor, obviamente que o resultado será aquele que se vive em Sesimbra.
A parolice não pára de crescer. A desqualificação e ausência de estratégia para promoção da cultura arrepia. Faz-se a agenda da Câmara juntando tudo, absolutamente tudo, desde que mexa. Chegam ao parasitismo intelectual de reivindicar eventos para os quais não mexeram uma palha.
Culturalmente são parolos de uma pobreza franciscana que nem imitar conseguem, preferindo corrigir o estilo de quem ainda vai mexendo qualquer coisinha.
Não se trata de ser elitista, pretensioso ou armar ao pingarelho.
Trata-se de exigência mínima de qualidade, independentemente das cores partidárias.
Os partidos políticos, todos, têm do bom, do médio e do piorzinho.
Em Sesimbra tivemos azar. A melancia depois de aberta saiu-nos assim!
Um pedido de esclarecimento:
Este blog é da biblioteca municipal?
Obrigado.
Não, não é.
Fui claro?
Caro Pedro,
Esta sua resposta foi clara mas na minha opinião não é coerente com a sua postura ao longo de vários posts e comentários seus, nomeadamente o comentário das 11.26 neste mesmo post.
Obrigado pela resposta.
É a sua opinião.
Esta Glória só pode ser funcionária da Câmara e só vê com o olho esquerdo.
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