Mea culpa
Sou, por natureza e por cultura, pouco dado a internacionalismos. Se há coisa que me causa aversão são os dias, internacionais ou mundiais, disto ou daquilo. Aliás, há muito que o rol destas celebrações, algumas por dá cá aquela palha, deixou de ter o seu fim à vista.
Há quem afirme que celebrar hoje o Dia Internacional da Mulher acaba por ser uma forma de discriminação. Pela minha parte, devo dizer que meto neste saco a questão das quotas.
Por outro lado, a bandeira da luta, inteiramente justa, pelo reconhecimento da dignidade da mulher, não raro se presta a inconfessados aproveitamentos partidários, ou tem descambado, aqui e ali, para um feminismo insuportável.
Seja como for, e ainda que a celebração do dia 8 de Março tenha, felizmente, perdido, por virtude da evolução sócio-cultural, boa parte do lastro histórico resultante da trágica efeméride que a inspira, dou de barato que se comemore com ênfase e dignidade o Dia Internacional da Mulher.
Parece que, para assinalar a data, a Câmara Municipal de Sesimbra promoveu ontem de manhã, com sonorosos altifalantes, um alarido tremendo no Largo 5 de Outubro, cortando ainda o trânsito no jardim e distribuindo flores às transeuntes. Vindo de quem vem, o estrepitoso espalhafato não surpreende, ou não nos tivessem prometido Carnaval todo o ano. Neste capítulo, estão a cumprir. Mas a verdade é que, apesar de tão óbvia, não fui capaz de prever a coisa quando, faz hoje um mês, vos falei do cartaz engendrado para o Dia de São Valentim. Podem reler esse “post”, clicando aqui.
Impunha-se, por isso, este acto de contrição. Mea culpa.
Há quem afirme que celebrar hoje o Dia Internacional da Mulher acaba por ser uma forma de discriminação. Pela minha parte, devo dizer que meto neste saco a questão das quotas.
Por outro lado, a bandeira da luta, inteiramente justa, pelo reconhecimento da dignidade da mulher, não raro se presta a inconfessados aproveitamentos partidários, ou tem descambado, aqui e ali, para um feminismo insuportável.
Seja como for, e ainda que a celebração do dia 8 de Março tenha, felizmente, perdido, por virtude da evolução sócio-cultural, boa parte do lastro histórico resultante da trágica efeméride que a inspira, dou de barato que se comemore com ênfase e dignidade o Dia Internacional da Mulher.
Parece que, para assinalar a data, a Câmara Municipal de Sesimbra promoveu ontem de manhã, com sonorosos altifalantes, um alarido tremendo no Largo 5 de Outubro, cortando ainda o trânsito no jardim e distribuindo flores às transeuntes. Vindo de quem vem, o estrepitoso espalhafato não surpreende, ou não nos tivessem prometido Carnaval todo o ano. Neste capítulo, estão a cumprir. Mas a verdade é que, apesar de tão óbvia, não fui capaz de prever a coisa quando, faz hoje um mês, vos falei do cartaz engendrado para o Dia de São Valentim. Podem reler esse “post”, clicando aqui.
Impunha-se, por isso, este acto de contrição. Mea culpa.

9 Comentários:
Assino em baixo!
Pedro Martins: são sete compreensíveis razões as que apresenta para não (se) comemorar o Dia Internacional da Mulher. Não compreendo, por isso, qual a justificação do acto de contrição.
Aprecio muito a escrita bloguística do Pedro Martins, mesmo se não concordo em alguns casos com as ideias expressas, o que, aliás, é raro. Mas esta argumentação, desculpe-me lá, faz lembrar aquele truque que é dizer que se gosta de algo e a seguir enunciar duzentos defeitos da coisa.
A nossa sociedade, por motivos culturais, discrimina muita gente boa e competente, afastando-a de funções e responsabilidades que por direito natural deveria assumir. A discriminação pelo sexo é uma dessas ínvias vias. Se denunciamos tanta coisa, às vezes menor, que nos irrita, como não o fazer neste caso, com igual veemência?
Claro que tal não tem que (nem deve) ser resumido a um dia por ano. E também é verdade que a comemoração em si, enquanto alimenta em alguns uma simbologia de emulação partidária - afinal, outra forma de discriminação - para outros assume um carácter mercantil e, até, pseudo-poético. La rose c'est la rose, n'est ce pas?
A "luta" contra esta discriminação, por outro lado, presta-se aos maiores equívocos, como pode ser o decorrente do sistema de quotas, as quais, diligentemente atribuídas por um qualquer sistema burocrático, ameaçam ser ainda piores que o mal que pretendem curar.
Enfim, comemoremos ou não comemoremos, ao menos bloguemos.
Um cordial abraço.
O patrocínio era de quem???
Das floristas??? A iniciativa tinha por objectivo ajudar o comércio local ou o comércio autárquico??
Por este andar, vamos passar do dia da mulher ao das mulheres a dias.
Meu caro João Aldeia,
Antes de mais, agradeço-lhe esta amigável interpelação. O que eu quis dizer foi basicamente o seguinte:
1) Estou longe de apreciar, por sistema, os dias internacionais (coisas minhas, que quer o João Aldeia?).
2) Entre esses dias, inclue-se o Dia Internacional da Mulher (não contei as razões que aduzi, mas admito que sejam sete - por várias razões, é um número muito especial).
3) Seja como for, não creio que venha mal ao mundo em comemorá-lo, desde que a ênfase posta na coisa não prejudique a dignidade da celebração.
4) Ora o que passou ontem em Sesimbra escapa, em muito, a estes pressupostos. Foi uma coisa profundamente lamentável. Mais uma... no meu modesto entendimento, claro está
5) E o mea culpa teve apenas a ver com o facto de, há um mês, no "post" "Corações ao alto" (de 9 de Fevereiro), me ter escapado que isto ia acontecer. Apenas com isso, que eu normalmente não me arrependo do que digo ou do que faço...
Outro cordial abraço.
Caro João Aldeia,
Em jeito de aditamento, direi que estou essencialmente de acordo com aquilo que diz quanto à questão de fundo. Vê-se que pomos as mesmas reticências nos mesmos sítios. No entanto, talvez este seja um bom motivo para não pormos um ponto final nesta conversa aprazível.
Eu não tinha mesmo percebido.
Há um aspecto na blogosfera que dá origem a equívocos frequentes - e às vezes graves. É que este estilo dialogal parece-nos ser muito semelhante à conversa presencial, actividade para a qual o ser humano está especialmente adaptado.
Mas falta aqui algo muito importante: a visão do próximo, dos seus movimentos corporais, dos olhares, bem como o som da voz, as suas inflexões, etc. A falta disso empobrece a comunicação e origina equívocos.
Penso que terá sido isso que provocou, num dos primeiros comentários que aqui fiz, que uma obervação irónica que se dirigia a mim tivesse sido interpretada como indo em sentido oposto. E ainda recentemente, numa entrada de António Cagica Rapaz (sobre o restaurante do Meco) com um belo trocadilho final, a ironia parece ter sido igualmente mal compreendida por uma comentadora.
Agora coube-me a mim não ter entendido. Obrigado pela explicação.
Nem mais, João Aldeia. Estou absolutamente de acordo.
Em todo o caso, a blogosfera, mesmo com as suas limitações - e dizer isto é usar um lugar comum - também tem as suas vantagens específicas.
Julgo que vai sendo tempo de termos, em Sesimbra, para quem nos lê e para os outros, uma conversa informal (ainda que a coisa leve o nome de colóquio) sobre esta realidade que são os blogues. E porque se trata de uma outra (nova) forma de escrita e de leitura (com as suas características "sui generis"), a Biblioteca Municipal, que está bem aptetrechada informaticamente, poderia apadrinhar a iniciativa. Que me diz?
Creio que é boa ideia e agradeço a sugestão: terei todo o gosto em participar, até porque constituindo uma realidade recente e promissora, os blogues são também algo que ainda está no seu início e em desenvolvimento, podendo vir a assumir características novas e surpreendentes num lapso de tempo razoavelmente curto.
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