sábado, março 04, 2006

Tudo isto é fado













A GUITARRA DA MOURARIA

Amo a tua guitarra, ó Mouraria,
em que um doer mourisco nos desola,
e as almas, sob a lua, acaricia,
como da Alfama a passional viola!...

Bem galantes solaus também carpia
Severa, essa Ninon de naifa e mola.
Mas há sangue em teus ais!... Tua magia
quantas vezes não traz a Cruz e a Estola!

Vai alta a lua. – Após a cavatina,
Almaviva, com zelos de Rosina,
dá seis golpes na amásia, com furor.

Almaviva é marujo e de melenas.
Prisões, guitarras, ais, céu de açucenas.
– Surge a Polícia... e prende, em fralda, o Amor.

Gomes Leal

(Imagem: Fado, de José Malhoa)

6 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Ainda hoje por entre lojas de indianos, ciganos a carregar os seus sacos pretos e o cheiro a açafrão e a incenso, a simples passagem pela mouraria, e o vislumbrar da Rua do Capelão, automaticamente fazem soar as guitarras. É mágico! Quem conhece esses fados, sabe que logo eoam dentro de nós:..." Por ter passado mesmo ao meu lado certo fadista de tez morena, boca pequena e olhar trocista ...Ai Mouraria, do homem dos meus encantos...Que me mentia ...Mas que eu adorava tanto...Amor que o vento com um lamento levou consigo...E que agora a toda a hora trago comigo...Ai Mouraria.....

10:02 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Ah fadista!

10:15 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

António, desculpe mas esse "ai"não existe antes de "a toda a hora". Eu acho que esse ai é de amor, é muito seu, muito do romantismo próprio que pôs no fado... Ah Fadista!! E a desgarrada...??? Para quando???

5:28 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

António,

A desgarrada no blog
Fomos nós que inventámos
Se a moda pega, ai meu Deus!
Somos já, pela Câmara, contratados!

Sim, que isto de rimas
Dá muita projecção e louvor
Mas a nós que somos artistas
A Câmara tem de pedir por favor!

Começavamos com o Fado do Embuçado
Que fala de algo tapado
E acabávamos com o da Desgraçadinha
Quando o mandato tiver finado!!!

Quanto aos Ais,
É coisa dos romanticos,não se preocupe.
Tomara a muitos que conheço
que os Ais o coração lhes ocupe...

(Rima à pressão, está a ver!!!)

12:14 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Mea culpa, Mea culpa. Ainda hei-de cantar este fado consigo e depois vamos ver quem dá o ai!!Aprendi o fado por um compendio de letras de fados da Amália, daí a falta do ai...
Obrigado. O problema dos outros foi uma virgula, o nosso tem sido um "Ai". Sempre é mais romântico...
Sabe, aprendi alguns fados da Amália de ouvir um CD de (pasme-se!)Fáfá de Belém...São naturais as minhas confusões. É muita mistura...mas é muito amor ao Fado. Também aprendi alguns através dos antigos filmes portugueses. Lembra-se de um que começa assim: " O fado tem tal bruxedo que eu tenho medo sempre que o canto, pois aprendi muito cedo qual o segredo do seu encanto..." Lindo! Choro sempre quando o canto (só para mim!)pois era o único fado que a minha avó sabia cantar. Recordo-me sempre dela.Isto está-me a dar o saudosismo!!!

4:47 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Os Ais que o António profere nos fados estão explicados e bem: são os ais de mãe, de amor e dor, aqueles que só os filhos nos sabem ensinar. Os da sua mãe ficaram em si, à flor da pele, à saida da boca...E ainda bem...Que bom ...

O fado continua assim:
Quem escuta o fado não sabe
Quanto lhe cabe da nossa voz
Parece que uma alfacinha
canta sózinha dentro de nós

A vida é como um fado
Uma fatal canção
Noltalgico trinar
Do amor que nos amarra
Por isso a alma chora
E tem o coração
A forma singular de uma guitarra...

Há para aí muita gente
Que não o sente
Nem acredita
Que esta canção portuguesa
É concerteza a mais bonita
Mas vi crescer no momento
O sentimento de quem o canta
E a gente queira ou não queira
A alma inteira sobe à garganta

A vida é como um fado...

10:38 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home