Visões de Gomes Leal (4)

GOMES LEAL/II
(Grito de Gomes Leal no céu:)
“Cansado de dormir no basalto
morri e meteram-me numa nuvem de elevador.
E agora cá estou no céu alto
com uma estrela ao peito em vez de flor.
Mas qualquer dia dou um salto.
(Ou peço a um anjo que me transporte
para não quebrar as pernas.)
Estou farto de céu e quero mundo! Quero morte!
Quero dor! Quero tabernas!”
José Gomes Ferreira

5 Comentários:
Fui procurar mais...e adorei... É daquela poesia que se percebe, que se assimila e que fica. Gostei muito.
"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis..."
Urban@
Belo poema, senhora D. Urbana. E o autor é...
Sr. Pedro, a minha prática é: vocês lançam autores que eu não conheço ou conheço mal, e eu procuro por mais na net. Tenho aprendido imenso com este exercício e com a nova forma de aprender que nos ensinaram.
Presumo, pois, caro Urbana, que se trata de um poema do José Gomes Ferreira... Não o conhecia...
Estamos sempre todos a aprender.
Obrigado, Urbana
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