O Museu das Janelas Verdes (3)
(continuação do texto publicado ontem)Mas deixemos, por um instante, a arte portuguesa. No Museu de Arte Antiga, a exposição permanente de pintura europeia é um espaço de eleição. Pasme-se, pois este é um grande museu sem pintura de Rubens e de Rembrandt (para isso há em Lisboa o Museu Calouste Gulbenkian), mas tem Bosch e tem Durer (na imagem, o seu "São Jerónimo") num grau tão inusual quanto superlativo de mestria. Há grandes obras dos primitivos flamengos (para além de Bosch, vêem-se muitos mestres desconhecidos e quadros de Provost, Gérard David, Quentin de Metsys, Hugo van der Goes, Hans Memling, Mabuse, Patinir), um significativo núcleo de pintura catalã dos séculos XIV e XV com tábuas de Borrassá, Destorrents, Martorell e Bermejo, mestres alemães como Holbein, o Velho e Lucas Cranach, o esplendor maneirista de Morales e, ainda de Espanha, mas também de Itália, o tenebrismo de Ribera e Zurbaran, e de Luca Giordano e Mattia Preti, respectivamente. De Velásquez e Rafael há peças menos emblemáticas, mas Piero della Francesca, Andrea del Sarto, Van Dyck, Pieter de Hooch, Murillo, Tiepolo, Fragonard, Reynolds e Courbet são alguns dos nomes que enriquecem esta colecção, que culmina, inevitavelmente, no máximo esplendor, tão cheio de glória, da fantástica pintura de Bosch.
Claro está que o itinerário que nos é proposto tem muito mais para oferecer. À feição da sensibilidade de cada qual, sempre será possível entrever motivos de sortilégio em obras mais discretas. E chega a ser muito gratificante este olhar sobre os segundos planos… Um pequeno “Cristo coroado de espinhos”, pintura flamenga do século XVI, é uma tábua verdadeiramente notável, quer na expressão alcançada, quer na rica leitura simbólica que nos propõe. Também flamenga, uma “Virgem da Anunciação”, presumivelmente da autoria de Cornelis van Cleef, irradia tal beleza que já foi atribuída a Rafael. Há ainda a majestosa serenidade do “Retrato de João de Luxemburgo”, de mestre desconhecido, e a postura lúbrica e licenciosa da “Cortesã” de Jacob-Adriaenz Backer, outrora atribuída a Franz Hals. Muito pouco se sabe da vida, menos ainda da obra, que quase não chegou até nós, do espanhol Clemente Sanchez, mas o belíssimo “São Sebastião” que aqui se guarda justifica-o como pintor notável. Outros exemplos seriam possíveis. Vale a pena partir à sua descoberta.
Claro está que o itinerário que nos é proposto tem muito mais para oferecer. À feição da sensibilidade de cada qual, sempre será possível entrever motivos de sortilégio em obras mais discretas. E chega a ser muito gratificante este olhar sobre os segundos planos… Um pequeno “Cristo coroado de espinhos”, pintura flamenga do século XVI, é uma tábua verdadeiramente notável, quer na expressão alcançada, quer na rica leitura simbólica que nos propõe. Também flamenga, uma “Virgem da Anunciação”, presumivelmente da autoria de Cornelis van Cleef, irradia tal beleza que já foi atribuída a Rafael. Há ainda a majestosa serenidade do “Retrato de João de Luxemburgo”, de mestre desconhecido, e a postura lúbrica e licenciosa da “Cortesã” de Jacob-Adriaenz Backer, outrora atribuída a Franz Hals. Muito pouco se sabe da vida, menos ainda da obra, que quase não chegou até nós, do espanhol Clemente Sanchez, mas o belíssimo “São Sebastião” que aqui se guarda justifica-o como pintor notável. Outros exemplos seriam possíveis. Vale a pena partir à sua descoberta.
(continua)

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