sábado, junho 10, 2006

Fragmentos (3)

De Os Poetas Lusíadas

Camões, talvez o maior e o mais imperfeito lírico do mundo, foi a voz suprema duma Raça que nasceu das entranhas da terra, para morrer nas entranhas do mar. Mas a Voz sobrevive encantada no seu vulto de harmonia, como D. Sebastião, o sublime rei camoniano, em seu espectro de névoa…
Este Espectro e aquela Voz são hoje a velha Lusitânia, descarnada, reduzida ao seu espírito imortal: a sombra de eterna Beleza em que um Povo inteiro se dissolveu, pairando sobre uma Pátria defunta…
Mas o Encoberto, embriagado do canto de Camões, divaga ao luar da nossa evocação, na ilha do Encantamento… a ilha do nosso Desejo.
Teixeira de Pascoaes

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