Nocturnos (13)
UMA NOITE
Que fria mão me vem fechar a porta
De sobre o lábio da primeira estrela?
Que morto florilégio me flagela?
A que prisão a noite me transporta?
Oh! que de semelhanças de ave morta
No descerrar dos gonzos da janela!
Lisas paredes, como branca tela,
Não sei que sombras o luar recorta …
Ai, como um túmulo, ao que vem de fora,
Oh! minha pobre casa, onde não entro
Hoje, que é noite, e apenas me demora,
Na embalagem que é só pagar o porte,
Que fria mão a há-de fechar por dentro?...
Mas não: Não desças mais, frio de morte.
Afonso Duarte
Que fria mão me vem fechar a porta
De sobre o lábio da primeira estrela?
Que morto florilégio me flagela?
A que prisão a noite me transporta?
Oh! que de semelhanças de ave morta
No descerrar dos gonzos da janela!
Lisas paredes, como branca tela,
Não sei que sombras o luar recorta …
Ai, como um túmulo, ao que vem de fora,
Oh! minha pobre casa, onde não entro
Hoje, que é noite, e apenas me demora,
Na embalagem que é só pagar o porte,
Que fria mão a há-de fechar por dentro?...
Mas não: Não desças mais, frio de morte.
Afonso Duarte

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