Uma oportunidade perdida
Como já aqui dissemos, “O Sesimbrense” oferece-nos, na sua última edição, um suplemento especial de oito páginas, dedicado ao Turismo. Do ponto de vista concelhio, parece-nos possível abordar este tema de duas perspectivas distintas, que, não sendo as únicas, serão, ao menos, as mais evidentes: uma tendo por objecto a análise deste importante sector no plano local; a outra com o objectivo de promover, fora de portas, os atractivos e as potencialidades turísticas (que não são poucas) do concelho.
Das oito páginas deste suplemento, duas são preenchidas com uma extensa entrevista ao Presidente Pólvora, exclusivamente dedicada à questão da Mata de Sesimbra. Estou em crer que não seria descabido conhecermos, ainda quase em começo de mandato, as ideias do autarca sobre o turismo concelhio, as perspectivas do sector, os problemas com que se debate, os planos e as soluções da edilidade. Mas não. E assim, até podemos ser levados a pensar que não há vida para além da Mata.
Depois, temos um pouco mais de duas páginas de publicidade ocupadas por empresários ligados ao sector (aqui, quem pode levar a mal que o jornal faça pela vida?). Por fim, o que resta deste caderno especial destina-se a divulgar, com propósitos claramente promocionais, as belezas naturais, a história e as tradições culturais do concelho, num repositório de lugares comuns que não são novidade para ninguém.
Chega a ser notável a forma como se justifica, na contracapa deste suplemento, a inclusão, na mesma, de um artigo sobre a “Associação de Socorros Mútuos Marítima e Terrestre da Villa de Cezimbra”. Obviamente, não está em causa o artigo, nem o seu autor, o Prof. Manuel Nabais. Apenas a sua inserção inopinada nesta autêntica manta de retalhos. Daí que “O Sesimbrense”, em jeito de introdução, tenha sentido a necessidade de explicar, tintim por tintim, o porquê deste remate. Começa por admitir que – e citamos – “num suplemento de Turismo, onde se deve falar de turismo, de atractivos turísticos, nada parece prever que se fale da Associação de Socorros Mútuos Marítima e Terrestre da Villa de Cezimbra”. Pois não, pois não. Mas, bem vistas as coisas pelo lado do quinzenário, isso “faz todo o sentido na medida em que esta associação faz parte integrante da própria história dos sesimbrenses”, ou não tivesse ela, “em tempos passados” desempenhado “um papel muito importante na evolução e formação do povo sesimbrense, criando-lhe uma alma própria, um amor comunitário singular e um espírito fraterno ímpar”. “São todas estas características – afirma-se em jeito de conclusão – que tanto agradam aos turistas que todos os anos “inundam” as ruas da nossa Piscosa.” Depois desta demonstração irrefutável, quem ousará ainda discordar? Faz lembrar aquelas associações de ideias do género: Açores – Pauleta – Futebol – Campeonato do Mundo – Alemanha. Acreditem: nunca falha.
O que ainda se percebe pior é que “O Sesimbrense” tenha optado por elaborar um suplemento de divulgação turística do concelho quando é sabido que os seus leitores são quase todos sesimbrenses (nativos ou por adopção, residentes ou não no concelho) ou amigos de Sesimbra. Fica a sensação de que se procura convencer quem cá vive – ou quem aqui vem habitualmente – a ir para fora cá dentro – dentro deste rectângulo que vai do Espichel ao Alto das Vinhas e do Marco do Grilo a Sesimbra.
Teria sido interessante ouvir os agentes económicos envolvidos nesta actividade, dando conta das suas expectativas e das suas queixas, agora que o Verão chegou e nos encontramos em plena época alta. Teria sido importante avaliar a presente situação local e regional do sector, inventariando pontos críticos, promovendo a reflexão, avançando soluções. Nada disso foi feito. E, como leitor, fico com a sensação de que esta foi uma oportunidade perdida.
Das oito páginas deste suplemento, duas são preenchidas com uma extensa entrevista ao Presidente Pólvora, exclusivamente dedicada à questão da Mata de Sesimbra. Estou em crer que não seria descabido conhecermos, ainda quase em começo de mandato, as ideias do autarca sobre o turismo concelhio, as perspectivas do sector, os problemas com que se debate, os planos e as soluções da edilidade. Mas não. E assim, até podemos ser levados a pensar que não há vida para além da Mata.
Depois, temos um pouco mais de duas páginas de publicidade ocupadas por empresários ligados ao sector (aqui, quem pode levar a mal que o jornal faça pela vida?). Por fim, o que resta deste caderno especial destina-se a divulgar, com propósitos claramente promocionais, as belezas naturais, a história e as tradições culturais do concelho, num repositório de lugares comuns que não são novidade para ninguém.
Chega a ser notável a forma como se justifica, na contracapa deste suplemento, a inclusão, na mesma, de um artigo sobre a “Associação de Socorros Mútuos Marítima e Terrestre da Villa de Cezimbra”. Obviamente, não está em causa o artigo, nem o seu autor, o Prof. Manuel Nabais. Apenas a sua inserção inopinada nesta autêntica manta de retalhos. Daí que “O Sesimbrense”, em jeito de introdução, tenha sentido a necessidade de explicar, tintim por tintim, o porquê deste remate. Começa por admitir que – e citamos – “num suplemento de Turismo, onde se deve falar de turismo, de atractivos turísticos, nada parece prever que se fale da Associação de Socorros Mútuos Marítima e Terrestre da Villa de Cezimbra”. Pois não, pois não. Mas, bem vistas as coisas pelo lado do quinzenário, isso “faz todo o sentido na medida em que esta associação faz parte integrante da própria história dos sesimbrenses”, ou não tivesse ela, “em tempos passados” desempenhado “um papel muito importante na evolução e formação do povo sesimbrense, criando-lhe uma alma própria, um amor comunitário singular e um espírito fraterno ímpar”. “São todas estas características – afirma-se em jeito de conclusão – que tanto agradam aos turistas que todos os anos “inundam” as ruas da nossa Piscosa.” Depois desta demonstração irrefutável, quem ousará ainda discordar? Faz lembrar aquelas associações de ideias do género: Açores – Pauleta – Futebol – Campeonato do Mundo – Alemanha. Acreditem: nunca falha.
O que ainda se percebe pior é que “O Sesimbrense” tenha optado por elaborar um suplemento de divulgação turística do concelho quando é sabido que os seus leitores são quase todos sesimbrenses (nativos ou por adopção, residentes ou não no concelho) ou amigos de Sesimbra. Fica a sensação de que se procura convencer quem cá vive – ou quem aqui vem habitualmente – a ir para fora cá dentro – dentro deste rectângulo que vai do Espichel ao Alto das Vinhas e do Marco do Grilo a Sesimbra.
Teria sido interessante ouvir os agentes económicos envolvidos nesta actividade, dando conta das suas expectativas e das suas queixas, agora que o Verão chegou e nos encontramos em plena época alta. Teria sido importante avaliar a presente situação local e regional do sector, inventariando pontos críticos, promovendo a reflexão, avançando soluções. Nada disso foi feito. E, como leitor, fico com a sensação de que esta foi uma oportunidade perdida.

2 Comentários:
Um suplemento sobre turismo tem sempre apresentação dos hotéis e do que estão a promover, tipos de público, ocupação, promoção e animação. Agora mais sentido faz pois temos um hotel novo com toda uma apresentação que poderia ter sido feita, entrevistas etc. As Associações de comerciantes poderiam ter sido ouvidas pelos mesmos assuntos.
Os apoios de praia, o Clube Naval, a aquarama, etc, etc, etc.
A própria Câmara devia ter sido ouvida no que ao turismo concerne. Tanto que havia para falar: que projectos, que inovações, o parque de campismo de Sesimbra e as suas alterações, a vigilância balnear...
Mas não afinal o suplemento Mata que se farta!
Com a sua anunciada saída do jornal e com tanta subserviência diante do Presidente" "y sus muchachas", estará o Dr. Sequerra a fazer-se a algum lugar de Assessor, Provedor, Varredor ou Salvador Nadador.
Recorde-se que, como vem no romance, o Dr. Sequerra em tempos foi animador de praia...
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