terça-feira, junho 20, 2006

Resultados negativos

O facto de a Câmara de Sesimbra não ter, este ano, candidatado a Praia do Moinho de Baixo, no Meco, à atribuição de uma Bandeira Azul, já aqui havia merecido a minha atenção. Foi quando, em Março passado, sondei os motivos subjacentes àquela decisão dos responsáveis camarários, tal como esta se podia razoavelmente depreender de uma notícia então publicada no boletim municipal. Debalde sondei.

A resposta chegou agora. No que me diz respeito, chegou tarde, por vias travessas, mas chegou. E veio logo pela voz autorizada do Presidente Pólvora, que, em declarações ao “Notícias da Zona”, “justifica a decisão de não ter apresentado candidatura com o facto das análises feitas à água terem tido resultados negativos”. Tratando-se de análises, “resultados negativos” pode ser uma expressão equívoca. Bons resultados de análises são, muitas vezes, ou quase sempre, resultados negativos. Mas, neste caso, não pode ser isso, porque, logo a seguir, o Presidente Pólvora, na conversa com o “Notícias da Zona”, nos vem falar de prováveis “ligações não controladas de esgotos ou de águas pluviais que apanham a baía toda da Aldeia do Meco, ou pessoas que despejam as fossas”. “Resultados negativos” aqui, só pode, pois, querer dizer “águas de má qualidade”.

Confesso que em tudo isto há qualquer coisa que me escapa. Primeiro: as análises relevantes para efeitos de apresentação e apreciação de uma candidatura à Bandeira Azul são as que se realizam entre Maio e Setembro do ano imediatamente anterior. Essas análises não são da responsabilidade da Câmara, incumbindo antes a uma outra entidade estatal. Segundo: no ano passado, as análises feitas às águas do Meco deram, invariavelmente, resultados de “boa qualidade”. Este ano, as análises efectuadas até agora, afinam pelo mesmo diapasão. Ou será que não é assim? Por tudo isto, estou em crer que a bota não condiz com a perdigota, mas darei a mão à palmatória se estiver errado.

Durante algum tempo, e sem que o Presidente Pólvora o tivesse dito à comunicação social, constou que a candidatura não tinha sido apresentada por as análises efectuadas não serem em número suficiente. Não sei se isto corresponde à verdade, mas é, por certo, muito diferente de as análises serem más. Uma coisa é a quantidade, outra a qualidade. Sei, porém, duas outras coisas. Uma: o número de análises efectuadas às águas do Moinho de Baixo em 2005 foi sensivelmente igual ao registado no ano de 2004. Outra: as análises deram sempre resultados favoráveis – em suma, tivemos águas de boa qualidade. De 2004 para 2005, a diferença está no seguinte: no início do ano passado, a Câmara, com base nas análises do ano anterior, candidatou o Moinho de Baixo e ganhou a Bandeira Azul. Este ano, nada disso aconteceu.

Depois das declarações do Presidente Pólvora ao “Notícias da Zona”, não posso deixar de ficar confuso com tudo isto. Sou até levado a pensar que, se calhar, a freguesia do Castelo teria merecido um pouco mais de arrojo. Quem não arrisca não petisca. Mas, no fundo, no fundo, estou de acordo com o Presidente Pólvora. É quando ele fala de resultados que são negativos. São, sim senhor, e estão bem à vista.

4 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Eu sou sesimbrense de fim de semana, não voto nem tenho filiação partidária.
Mas pelo que observo em Sesimbra, pelo que ouço e leio, a minha impressão é que esta Câmara, em tão pouco tempo, está a acumular muitos resultados negativos.
Fazem muito vento, agitam muitas águas e sai quase tudo furado.
Não conheço o Presidente, senão de vista, mas o mínimo que se pode dizer é que não tem quem o ajude. E ele próprio está a cair em contradições que começam a beliscar a sua imagem.

8:28 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Har kã zill,

Lamento, mas não podemos publicar o seu comentário. Aqui aceitamos a crítica, ainda que mordaz, mas nunca nesses termos.

7:39 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Har kã zill,

Perdeu a sua aposta. A minha sensibilidade não é assim tão refinada.

O busilis não está na palavra de cinco letras (só por si, ela não é problema), mas no emprego que dela faz como qualificativo de algo.

Quanto à Liberdade e às liberdades, o tema daria pano para mangas.
No entanto, sobre este ponto, julgo, por agora, ser útil, no que diz respeito a este blogue, o seguinte aspecto: perante a lei ou a moral, nada nos obriga a ter aberta uma caixa de comentários. Há por aí muito blogue que a não tem. Nós temos uma caixa de comentários, mas reservamo-nos o direito de não publicar certos tipos de comentários, nomeadamente aqueles cuja linguagem consideramos execessiva, por poder ser ofensiva. Outros blogues têm a caixa de comentários absolutamente livre. É uma opção que respeitamos (também já foi a nossa). Mas, uma vez que decidimos moderar os comentários, temos responsabilidades. Ora o Har kã zill tinha no dicionário palavras próximas da que empregou, mas aceitáveis. Não vou dar exemplos. Também não publico o seu comentário mais recente, pela simples razão de que estaria a fazer entrar pela janela aquilo que fizera sair pela porta. Mas agradeço-o, como agradeço a forma como me interpelou.

Espero que compreenda.

8:24 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Linguagem excessiva e não "execessiva", como é evidente.

8:25 a.m.  

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