A asneira perpétua
Chegou hoje às minhas mãos a publicação “Vila de Sesimbra”, editada pela Câmara Municipal no âmbito da novel colecção “Patrimónios”.
Trata-se de um livrinho que nos oferece um notável conjunto de fotografias do sesimbrense José Arsénio, sempre em muito bom plano, e aqui e ali ao nível do melhor da sua já vasta produção. Entre grandes planos e vistas gerais, o leitor (re)descobre a vila de Sesimbra, as suas ruas e os seus recantos, os seus monumentos e os seus símbolos. É um registo muito bem conseguido, digno, sério, sóbrio, e por vezes de grande beleza.
Só é pena que os textos que acompanham as fotografias não logrem atingir a mesma bitola. Ainda assim, tendo em vista o já declarado propósito promocional desta brochura, daí não viria grande mal ao mundo. Mas dá-se o caso de a língua portuguesa ter sido, em certos momentos, muito maltratada, e isso era algo que a superior qualidade do trabalho de José Arsénio não merecia.
No texto de abertura da Vereadora do Pelouro da Cultura, Dr.ª Felícia Costa, misto de prefácio ao livro e apresentação da colecção, é-nos dito, a dado passo, do trabalho fotográfico de José Arsénio, que o mesmo “é um documento valioso de uma beleza inquestionável, que perpétua a memória de Sesimbra e dos seus homens do mar.” O documento perpétua? Ou será que perpetua? Alguém reviu isto? E se reviu, tinha a mais ténue ideia do que estava a fazer?
A vereadora Felícia Costa declarou há poucos dias ao “Notícias da Zona” que o preço da brochura “vai oscilar entre os dois euros e os dois e meio”. Melhor será que fique pelos dois euros, não vá o leitor sentir-se defraudado.
Para mais, os erros não se quedam pelo texto subscrito pela Vereadora. A páginas 25, cita-se calamitosamente Rafael Monteiro, num trecho em que este se estribara em Álvaro Ribeiro. Quem se der ao trabalho de comparar a transcrição feita nesta “Vila de Sesimbra” com a passagem, a páginas 103, da obra “Alguns Mareantes Desconhecidos da Terra de Sesimbra e outros textos”, que, com António Reis Marques, tive a honra de editar, constata que a referência feita pelo historiador sesimbrense a seu mestre Álvaro Ribeiro é estranhamente eliminada e que, onde se lia: “Os homens do mar de Sesimbra são sábios, sempre souberam transmitir o seu conhecimento aos aprendizes atentos, aos capazes, como escreveu Álvaro Ribeiro, de aceitar a audiência antes da evidência”, se lê agora, para nossa maior perplexidade, que os mesmos homens do mar “sempre souberam transmitir o seu conhecimento aos aprendizes atentos, aos capatazes (…), de aceitar a audiência antes da evidência”.
De tudo isto fica, para a audiência, a evidência de certas palavras: o que hoje sobeja em capatazes, vai minguando em pessoas capazes…
Trata-se de um livrinho que nos oferece um notável conjunto de fotografias do sesimbrense José Arsénio, sempre em muito bom plano, e aqui e ali ao nível do melhor da sua já vasta produção. Entre grandes planos e vistas gerais, o leitor (re)descobre a vila de Sesimbra, as suas ruas e os seus recantos, os seus monumentos e os seus símbolos. É um registo muito bem conseguido, digno, sério, sóbrio, e por vezes de grande beleza.
Só é pena que os textos que acompanham as fotografias não logrem atingir a mesma bitola. Ainda assim, tendo em vista o já declarado propósito promocional desta brochura, daí não viria grande mal ao mundo. Mas dá-se o caso de a língua portuguesa ter sido, em certos momentos, muito maltratada, e isso era algo que a superior qualidade do trabalho de José Arsénio não merecia.
No texto de abertura da Vereadora do Pelouro da Cultura, Dr.ª Felícia Costa, misto de prefácio ao livro e apresentação da colecção, é-nos dito, a dado passo, do trabalho fotográfico de José Arsénio, que o mesmo “é um documento valioso de uma beleza inquestionável, que perpétua a memória de Sesimbra e dos seus homens do mar.” O documento perpétua? Ou será que perpetua? Alguém reviu isto? E se reviu, tinha a mais ténue ideia do que estava a fazer?
A vereadora Felícia Costa declarou há poucos dias ao “Notícias da Zona” que o preço da brochura “vai oscilar entre os dois euros e os dois e meio”. Melhor será que fique pelos dois euros, não vá o leitor sentir-se defraudado.
Para mais, os erros não se quedam pelo texto subscrito pela Vereadora. A páginas 25, cita-se calamitosamente Rafael Monteiro, num trecho em que este se estribara em Álvaro Ribeiro. Quem se der ao trabalho de comparar a transcrição feita nesta “Vila de Sesimbra” com a passagem, a páginas 103, da obra “Alguns Mareantes Desconhecidos da Terra de Sesimbra e outros textos”, que, com António Reis Marques, tive a honra de editar, constata que a referência feita pelo historiador sesimbrense a seu mestre Álvaro Ribeiro é estranhamente eliminada e que, onde se lia: “Os homens do mar de Sesimbra são sábios, sempre souberam transmitir o seu conhecimento aos aprendizes atentos, aos capazes, como escreveu Álvaro Ribeiro, de aceitar a audiência antes da evidência”, se lê agora, para nossa maior perplexidade, que os mesmos homens do mar “sempre souberam transmitir o seu conhecimento aos aprendizes atentos, aos capatazes (…), de aceitar a audiência antes da evidência”.
De tudo isto fica, para a audiência, a evidência de certas palavras: o que hoje sobeja em capatazes, vai minguando em pessoas capazes…

6 Comentários:
É uma tristeza e uma vergonha.
E andamos nós a sustentar estes analfabetos.
O "Vendaval" revela não ter percebido patavina daquilo que leu. É o costume. E percebe-se porquê, ao vermos a dama que defende.
Tem, vá lá a gente compreender isto!!!, uma obsessiva fixação pela pessoa de António Reis Marques, que não é tido nem achado para este assunto.
Quanto à errata do boletim municipal, sou eu que não percebo. Mas lá que ela é útil nos tempos que correm, disso ninguém duvida...
O "Vendaval" não percebeu (porque não sabe, ou então finge que não sabe) que o livro "Alguns Mareantes..." é da autoria do próprio Rafael Monteiro, e não de António Reis Marques e Pedro Martins. Isto está bonito, está. Santa ignorância!
Bela pirueta, Vendaval! Só é pena que tenha demorado 24 horas a dá-la e que, com o devido respeito, se tenha espalhado ao comprido.
Ainda um dia me há de explicar o que é lá isso agora de bibliografia que não é própria mas que é relacionado. "Bibliografia relacionado", estranho conceito que você, sempre tão dado (ou dada?) ao rigor universitário, aqui nos apresenta. Se bem percebi, é assim a modos que o seguinte: o "Ensaio sobre a cegueira" é "bibliografia relacionado" do Sr. Zeferino Coelho, editor da Caminho, e bibliografia própria do Sr. Saramago. Isto é só um "supônhamos", está claro...
Valeu.
Vê-se mesmo que o vendaval veio de fora e não conhece quem são "os da terra" que mesmo sem curso, são mais historiadores que muitos que estudaram.
Só tenho uma dúvida. Na minha terra fala-se em mulas asneiras, isto é, as filhas de uma burra com um cavalo. Neste caso parece-me que estamos perante asneiras mulas, tão mulas, tão mulas, que até nos dão um coice no estômago!
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