sexta-feira, julho 14, 2006

Curtas (52)

Dezoito anos

Voltaram hoje, dezoito anos depois. A mãe, o filho mais velho, já um homem, e outro rebento, miúdo para os seus sete, oito anos, a cara do irmão. A família é mais numerosa, mas foram estes os representantes que compareceram no estabelecimento de banhos (que prodígio, esta expressão!), com o fito de comprar gelados. A mãe, com um sorriso prazenteiro e certa saudade benigna no olhar, deu referências, disse de quem era filha, mencionou antigos vizinhos de toldo. A D. Joaquina não se lembrava de ninguém. De todo. Afinal, viu milhares de caras ao longo destes anos. Já o José Horta teve uma vaga reminiscência quando ouviu o nome do mais velho. Havia um Leonardo, sim. "E por que é que estiveram dezoito anos sem cá vir?", inquiriu a D. Joaquina? "Fomos para outros sítios", respondeu a mãe, sem pestanejar. "Mas as crianças", interpôs o José Horta, com um orgulho mal disfarçado, "as crianças nunca se esquecem das praias da meninice. E voltam sempre", concluiu, assertivo. Lá estava o Leonardo, homem feito, que o não deixava mentir. Ao cabo de dezoito anos.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

E lá se vai a vila enchendo, nesta 2ª quinzena de Julho, de caras que conhecemos da infância, mas já com rugas e cabelos brancos, com filhos e netos, mas sempre com amor à nossa Vila (e lá há melhor?).

10:32 a.m.  

Enviar um comentário

<< Home