Os Claros Escuros d’ “O Sesimbrense”
Na parte superior esquerda da contracapa da sua última edição (de 16 de Janeiro passado), e sob o sugestivo título “Claros Escuros”, “O Sesimbrense” refere-se aos três aumentos verificados, nos últimos sete meses, em Portugal, nos preços dos transportes públicos. Nessa peça, e em jeito de conclusão, afirma-se que “relativamente a Paris, por exemplo, os bilhetes de Metro e de Autocarro já quase não fazem diferença.”
Que a vida está difícil, ninguém o ignora. E será legítimo pensar que, entre nós, o preço dos transportes públicos se revela pesado, sobretudo se se levar em conta a medíocre qualidade do serviço que, muitas vezes, é prestado aos utentes.
Permita-me, porém, “O Sesimbrense” que faça duas observações.
A primeira resulta de uma certa perplexidade minha enquanto leitor. Fará sentido que um jornal local, cujos responsáveis tanto se queixam da falta de espaço, abra uma coluna ao alto da última página para um assunto de âmbito nacional, sem maior incidência local do que aquela que tem em qualquer outra parte do país, conferindo-lhe o relevo próprio das notícias postas na contracapa?
A segunda diz respeito à clamorosa inexactidão que há em se pretender esbater as diferenças entre os preços dos bilhetes nos transportes de Paris e de Lisboa (depreende-se que a outra cidade com Metro, termo da comparação sugerida, seja a nossa capital). Um bilhete simples de Metro custa em Paris € 1,40, o dobro do que custa em Lisboa (€ 0,70, como é bom de ver). E, no que respeita ao bilhete de autocarro, o ratio não será muito diferente se o utente lisboeta optar por um bilhete pré-comprado (1 BUC), que monta em € 0,75, ao passo que em Paris um título de transporte importa em € 1,40.
Estes são os factos. Podem comprová-los nos “sites” da Carris, do Metro e da RATP. E, digam o que disserem, o dobro, seja lá do que for, sempre faz a sua diferença…
Que a vida está difícil, ninguém o ignora. E será legítimo pensar que, entre nós, o preço dos transportes públicos se revela pesado, sobretudo se se levar em conta a medíocre qualidade do serviço que, muitas vezes, é prestado aos utentes.
Permita-me, porém, “O Sesimbrense” que faça duas observações.
A primeira resulta de uma certa perplexidade minha enquanto leitor. Fará sentido que um jornal local, cujos responsáveis tanto se queixam da falta de espaço, abra uma coluna ao alto da última página para um assunto de âmbito nacional, sem maior incidência local do que aquela que tem em qualquer outra parte do país, conferindo-lhe o relevo próprio das notícias postas na contracapa?
A segunda diz respeito à clamorosa inexactidão que há em se pretender esbater as diferenças entre os preços dos bilhetes nos transportes de Paris e de Lisboa (depreende-se que a outra cidade com Metro, termo da comparação sugerida, seja a nossa capital). Um bilhete simples de Metro custa em Paris € 1,40, o dobro do que custa em Lisboa (€ 0,70, como é bom de ver). E, no que respeita ao bilhete de autocarro, o ratio não será muito diferente se o utente lisboeta optar por um bilhete pré-comprado (1 BUC), que monta em € 0,75, ao passo que em Paris um título de transporte importa em € 1,40.
Estes são os factos. Podem comprová-los nos “sites” da Carris, do Metro e da RATP. E, digam o que disserem, o dobro, seja lá do que for, sempre faz a sua diferença…

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