sábado, fevereiro 18, 2006

Nos cem anos do Refugo (2)







A Sociedade Recreio de Sesimbrense completa hoje cem anos de vida. O "Sesimbra e Ventos" continua a assinalar esta efeméride, publicando uma crónica da autoria da Senhora D. Maria José Penim, que evoca a vida da colectividade na já longínqua década de 30.
No programa de hoje, o momento alto das comemorações é a sessão solene que terá lugar na sede da instituição, a partir das 16h00. Seguem-se a celebração de uma missa, um jantar e um baile. Parabéns ao "Refugo", e que conte muitos!


O Refugo dos anos 30

São tantas as memórias, meu Deus! Incompreensivelmente, em turbilhão, sucedem-se, sem que consiga escaloná-las no tempo. Contudo, não tenho dúvidas de que as partilhei com os meus grandes amigos e amigas.

No Refugo aprendemos a dançar, a criar amizades e a cimentar os amores das nossas vidas. Lá dei o meu primeiro beijo de amor, cantei, dancei, dei escola, enfim, fiz trinta por uma linha. Lá vi os meus filhos brincarem, crescerem, dançarem e namorarem, mas sem que conseguissem chegar aos meus calcanhares. Lá e naquele tempo, tudo era diferente.

Tivemos um professor de dança, o Júlio Casa Pia, e organizámos bailes dos Namorados, da Chita, da Rosa, da Pinha e dos Patins.

Havia concursos de Valsa, ganhos invariavelmente pela Lina Cheis e pelo Justino Come Figos, e de Tango, onde sobressaíam sempre o António Casa Pia, o Alfredo Marinheiro e o Justino, normalmente fazendo par com as suas namoradas. Em patins foi o Amadeu que ganhou o primeiro prémio, dançando com a sua irmã Maria. Também havia alguns “pés de chumbo”, como o Zé Balinhas, poetas como o Antero Figueiredo que fez os versos picantes para o “Enterro do Bacalhau”, virtuosos como o Humberto Batalha, a Embaixador e o Carvalhinho, no campo da música, no canto e teatro o Nuno Cardoso e resistentes como o Isidro Pésão, que não trocava os bailes do Refugo por nada deste mundo. E tantas famílias, como a do Álvaro Tanoeiro, que aguentou até ao fim a disputa do Baile de Carnaval mais longo de que há memória, do José Dionísio, os Zegres, os Taklins, os Zegre Neto, Crespos, Penins, Luís Conceição e tantos, tantos mais que vieram entretanto a constituir novas famílias, mas sempre fiéis ao nosso Refugo.

A Angeolila casou com o Jeremias, a Fernanda com o Zé Balinhas, a Maria da Arrábida com o Abel, a Carolina com o Justino, a Guilhermina com o Marcos, outros com outros e eu com o Amadeu.

Maria José Penim

1 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Gostei do texto aqui apresentado pela Senhora DªMaria José, o qual retrata bem a importância que "O Refugo" tem tido ao longo dos anos na vida de muitas famílias sesimbrenses.
É de facto curioso e salutar que muitas pessoas com algumas dezenas de anos de associados, continuem a fazer da Sociedade de Recreio Sesimbrense o seu ponto de encontro favorito.
"O Refugo" está de parabéns. Completar 100 anos de existência é um marco importante que merece o nosso apreço.Por isso, dou os meus parabéns ao Clube, cumprimentando os seus dirigentes, não resistindo de dar a conhecer um texto que acho muito curioso inserido no "Cezimbrense" de 17 de Fevereiro de 1929 com o título"Recordações de tempos idos" da autoria do nosso conterrâneo João Pólvora, á data residente no Seixal, e que passo a transcrever:
... foi em virtude deste instinto de natural têndencia para o meio recreativo, que na minha terra pertenci mais tarde, a todas as sociedades deste género, desde o "Grémio Cezimbrense" martir colétividade dos dias agitados duma época infeliz, á "Sociedade Recreio Cezimbrense" que ajudei a fundar, e os seus mais féros inimigos cognominaram sarcasticamente de "Sociedade do Refugo".
Observador

11:59 a.m.  

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