terça-feira, março 28, 2006

Uma questão de estatuto

Como seria de esperar, o director do “Raio de Luz” não esclareceu em que consiste a solidariedade institucional que, em Fevereiro último, expressou ao Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra.

Mas, na edição deste mês, José Pedro Xavier dá-se ao trabalho de reproduzir, na capa da publicação, o estatuto editorial, no qual se proclama o pluralismo político e religioso do jornal e a sua independência face aos partidos.

Não sabemos se a súbita aparição estatutária se ficou a dever à necessidade de justificar o que quer que fosse perante a interpelação lançada por este blogue. Registamos, porém, a acrimónia epigramática do senhor director do “Raio de Luz” nas primeiras linhas do seu editorial deste mês, asseverando-nos que não responde a “provocações vindas de quem não tem nem se lhes pode dar a mínima importância”. É que, por “saber respeitar, acarinhar e estimar” um “universo de 16 mil leitores” (sic), José Pedro Xavier afirma não perder tempo “com futilidades e menos ainda com quem não tem o mínimo de elevação”.

Não sabemos se os leitores do “Raio de Luz”, sejam eles quais ou quantos forem, se sentirão particularmente respeitados, acarinhados e estimados pela meridiana clareza de todas estas palavras.

Sabemos, porém, que o estatuto editorial de qualquer jornal vale o que vale. Já lá vão alguns anos, ouvi dizer a um mestre que as árvores se conhecem pelos frutos. Pois com os jornais passa-se o mesmo. Um jornal não é aquilo que diz ser, é apenas aquilo que diz.

Neste número do “Raio de Luz”, deparamos com dois rasgados elogios ao Dr. Francisco de Jesus, Presidente da Junta de Freguesia do Castelo. Numa notícia que nos dá conta da visita deste autarca ao local onde está a decorrer a obra de construção do CECAS-RL, ficamos a saber que “aqui está um exemplo digno de registo que só eleva quem governa e dignifica as instituições”. E, prossegue o articulista, “isto significa que os ventos de mudança têm rosto e leitura possível no bom relacionamento com as pessoas e instituições.”

Porém, o “Raio de Luz” vai mais longe e, no já citado editorial, firmado pelo seu director, elogia o senhor presidente pelo trabalho desenvolvido com o novo boletim da Junta. Na apoteose do desvelo, o senhor director deixa mesmo escapar que “é assim que todos os autarcas deviam ser.”

Não discutimos a exemplaridade do autarca. Mas aconselhamos os jornalistas a procurarem outros modelos. Com um editorial destes, não há estatuto que resista…

6 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

A todos umas Santas tardes,

Mas, meus amigos...
Aindem perdem tempo a falar desse senhor e desse tal Pólvora.Não conseguem ver que é dar importância a mais a eles.
Comecem a cobrar dinheiro pelas entradas no blog, e pelas postagens e enviem algum do $$$$ conseguido, para a paróquia que precisa mais do que as CECAS !!!!

4:58 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Um universo é coisa vasta. 16.000 é muito ou pouco, depende.
É como o número de manifestantes que oscila colossalmente conforme é indicado pelos sindicatos ou pelo Governo.
Só lamento não ser um dos 16.000, azar o meu, para poder ser respeitado, estimado e acarinhado pelo senhor José Pedro Xavier.
Felizes os acarinhados porque deles será o Raio de Luz.

5:29 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Editorial assim, desse calibre, só aquele do confrade Sesimbrense onde se dizia que o Carlos Batista não podia continuar a ser director por não ser vice-presidente da Liga.
Adivinhem quem lhe ocupou logo o lugar...

Tasse bem, meu
Isto é rap do melhor
Pira-te já digo eu
Keu kero ser Director
Tasse bem, meu,
Quem te topa sou eu

7:09 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Conhecem a brigada aZiática?
Refiro-me a uns senhores que andam a sofrer de "azia" desde o dia 9 de Outubro de 2005, data das eleições autárquicas. Os subscritores deste blog são alguns deles...
Ó Pedro, tu querias é tacho!

6:11 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Ó Senhor Pedro Martins, não estranhe a linguagem deste anónimo da azia, que é gente que só consegue pensar com o estômago.
E se dúvidas ainda houvesse, está na cara que isto vem do quadrante da cassete. É que o comentário é igualzinho ao que puseram na entrada "Um Mau Exemplo".

9:10 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Bem diz o senhor J.P. Xavier que "os ventos de mudança têm rosto".
Pois têm, rosto e cassete...

9:28 p.m.  

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