Caça grossa

Através de Teixeira de Pascoaes, do Saudosismo e da Renascença Portuguesa, descobri António Corrêa d’Oliveira. É hoje um poeta que quase ninguém lê, e cuja obra está praticamente inacessível.
Há pouco menos de um mês, veio parar-me às mãos, na feira de velharias de Azeitão, aqui bem perto, uma antologia das suas líricas.
Hoje, na gloriosa Livraria Bizantina das Portas de Santo Antão, do mesmo autor, a caça foi grossa: a primeira edição (deve ser a única) de “Os Teus Sonetos”, de Livrarias Aillaud e Bertrand, Paris-Lisboa, anno MCMXIV, com uma dedicatória, autógrafa, do poeta, na qual se pode ler:
“Ao Senhor Dr. Teixeira de Queiroz, homenagem do seu grande admirador
António Corrêa d’Oliveira.”
O preço? Um euro.
E antes que certos aprendizes de bibliófilos me voltem a apodar de biltre, aqui vos deixo um poema deste livro, cuja ortografia actualizei. Eu não tenho emenda, mas tenho sonetos.
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SENHORA DE MARÇO
Chegara Março. Eu via abrir-se a vida
Como uma rosa enfim desabrochada:
A terra, era mais verde e mais florida;
E madrugava mais a madrugada.
Das altas ondas do mar largo erguida,
A névoa se esvaía em luz doirada;
Cada frágua, uma fonte enternecida;
Toda a pomba, feliz e acasalada.
O espírito divino da Beleza
Tinha encarnado em ti, ó meu Amor:
De ti vivia toda a Natureza!
Eu tinha o mundo em mim: em tudo esparso,
Eu era a onda e a ave, a luz e a cor…
- Era o meu coração um mês de Março!
Belinho
António Corrêa d’Oliveira
Chegara Março. Eu via abrir-se a vida
Como uma rosa enfim desabrochada:
A terra, era mais verde e mais florida;
E madrugava mais a madrugada.
Das altas ondas do mar largo erguida,
A névoa se esvaía em luz doirada;
Cada frágua, uma fonte enternecida;
Toda a pomba, feliz e acasalada.
O espírito divino da Beleza
Tinha encarnado em ti, ó meu Amor:
De ti vivia toda a Natureza!
Eu tinha o mundo em mim: em tudo esparso,
Eu era a onda e a ave, a luz e a cor…
- Era o meu coração um mês de Março!
Belinho
António Corrêa d’Oliveira

2 Comentários:
Era importante que os autores do projecto vercial distinguissem conselho de concelho de... Esposende.
Muito agradeço ao leitor das 12:39 PM o reparo que faz. É o que dá a gente confiar em absoluto no que quer que seja. Quem diria, o Projecto Vercial!
Confesso que, quando fiz a ligação à página, não li detidamente o seu conteúdo. E saiu isto. As minhas desculpas.
Já lá diz o ditado: não há soneto que não tenha emenda.
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