sexta-feira, abril 07, 2006

Teatro de Gil Vicente na Biblioteca Municipal

À farsa seguinte chamam Auto da Índia. Foi fundado sobre que uma mulher estando já embarcado pera a Índia seu marido lhe vieram dizer que estava desaviado e que já nam ia, e ela de pesar está chorando e fala-lhe uma sua criada. Foi feita em Almada, representada à muito católica rainha dona Lianor. Era de 1509 anos.
Entram nela estas figuras: Ama, Moça, Castelhano, Lemos, Marido.

É deste modo que a Copilação de todalas obras de Gil Vicente nos apresenta esta obra vicentina, que amanhã, pelas 15h00, é levada à cena no átrio da Biblioteca Muncipal de Sesimbra. A representação, que contempla também o Monólogo do Vaqueiro, está a cargo dos finalistas da Escola de Teatro de Cascais (trata-se de alunos do grande actor sesimbrense João Vasco), e insere-se no programa das comemorações dos 470 anos da Freguesia de Santiago.
Logo depois do teatro, pelas 15h30, haverá ainda lugar a uma palestra, intitulada "Povo com História - identidade com memória", na qual serão oradores o Dr. Luís Ferreira e o Padre Dr. A. Sílvio Couto.
Pelas 18h00, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, será celebrada uma missa solene comemorativa da efeméride.

5 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Se mestre Gil tivesse adivinhado que um tal João Vasco viria a existir, teria chamado à sua obra "Auto da Vasqueiro"...

7:20 p.m.  
Blogger Joao Augusto Aldeia said...

Bom... Já não chegava ter o Romeu Correia insinuado que as mulheres de Sesimbra carregam fama de levianas (logo ele, que era casado com uma...) e agora comemora-se o aniversário da Freguesia com a história da mulher adúltera que se aproveita da estadia do marido na Índia?

Para uma vila que perdeu quase metade da população (masculina, supõe-se) durante as Descobertas, a alusão vem mesmo a propósito. Pobres homens que:
"Partem em Maio daqui,
Quando o sangue novo atiça:
Parece-te que é justiça?
"

7:31 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Meus amigos izzz essa história de levianas izzz é apenas izzz uma história de lenha, fatalidade izzz que já vem de longe izzz.
Como dizia a outra izzz não te descalçes izzz que vás ao petróleo izzz...

8:32 p.m.  
Blogger Joao Augusto Aldeia said...

Aqui vai uma história do “Verão Quente” de 1975. Os pequenos grupos da extrema esquerda resolveram fazer uma "barragem". Era uma imitação grotesca das que o PCP fizera algum tempo antes, e o pretexto era a presença, no Tejo, de uma esquadra americana - como se uma barragem aos automóveis na rotunda de Santana impedisse os porta-aviões de seguir rota. A coisa prolongou-se pela noite e, quando o cansaço nos começou a moer, logo surgiram sugestões para que a coisa ficasse por ali. Recordo-me do malogrado Carlos Pé-Curto ter ficado abismado: então noite dentro, quando seria mais provável que a reacção atacasse, é que nós desistíamos? (O Carlos levava aquilo muito mais a sério do que o nosso empolgamento juvenil permitia).

A certa altura surgiu um carro desportivo (só por isso, suspeitíssimo!); mandado parar, só o fez relutantemente, depois de dar meia volta à rotunda; um grupo correu atrás dele: ao volante, um tipo de cara fechada; ao lado, de gabardina e chapéu na cabeça baixa, não deixando ver a cara, um personagem de aspecto sinistro; deixou-nos aproximar e a seguir, sempre sem deixar ver a cara, disse qualquer coisa com voz grave, soturna: "Há algum problema?".

Depois de uns segundos de nervoso miudinho, o homem deixa ver a cara, a rir-se: era o João Vasco! Escusado será dizer que a barragem acabou logo ali: tínhamos sido gozados à grande.

9:32 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Belíssimo apontamento, João!

10:01 p.m.  

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