Teatro de Gil Vicente na Biblioteca Municipal
À farsa seguinte chamam Auto da Índia. Foi fundado sobre que uma mulher estando já embarcado pera a Índia seu marido lhe vieram dizer que estava desaviado e que já nam ia, e ela de pesar está chorando e fala-lhe uma sua criada. Foi feita em Almada, representada à muito católica rainha dona Lianor. Era de 1509 anos.Entram nela estas figuras: Ama, Moça, Castelhano, Lemos, Marido.
É deste modo que a Copilação de todalas obras de Gil Vicente nos apresenta esta obra vicentina, que amanhã, pelas 15h00, é levada à cena no átrio da Biblioteca Muncipal de Sesimbra. A representação, que contempla também o Monólogo do Vaqueiro, está a cargo dos finalistas da Escola de Teatro de Cascais (trata-se de alunos do grande actor sesimbrense João Vasco), e insere-se no programa das comemorações dos 470 anos da Freguesia de Santiago.
Logo depois do teatro, pelas 15h30, haverá ainda lugar a uma palestra, intitulada "Povo com História - identidade com memória", na qual serão oradores o Dr. Luís Ferreira e o Padre Dr. A. Sílvio Couto.
Pelas 18h00, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, será celebrada uma missa solene comemorativa da efeméride.

5 Comentários:
Se mestre Gil tivesse adivinhado que um tal João Vasco viria a existir, teria chamado à sua obra "Auto da Vasqueiro"...
Bom... Já não chegava ter o Romeu Correia insinuado que as mulheres de Sesimbra carregam fama de levianas (logo ele, que era casado com uma...) e agora comemora-se o aniversário da Freguesia com a história da mulher adúltera que se aproveita da estadia do marido na Índia?
Para uma vila que perdeu quase metade da população (masculina, supõe-se) durante as Descobertas, a alusão vem mesmo a propósito. Pobres homens que:
"Partem em Maio daqui,
Quando o sangue novo atiça:
Parece-te que é justiça?"
Meus amigos izzz essa história de levianas izzz é apenas izzz uma história de lenha, fatalidade izzz que já vem de longe izzz.
Como dizia a outra izzz não te descalçes izzz que vás ao petróleo izzz...
Aqui vai uma história do “Verão Quente” de 1975. Os pequenos grupos da extrema esquerda resolveram fazer uma "barragem". Era uma imitação grotesca das que o PCP fizera algum tempo antes, e o pretexto era a presença, no Tejo, de uma esquadra americana - como se uma barragem aos automóveis na rotunda de Santana impedisse os porta-aviões de seguir rota. A coisa prolongou-se pela noite e, quando o cansaço nos começou a moer, logo surgiram sugestões para que a coisa ficasse por ali. Recordo-me do malogrado Carlos Pé-Curto ter ficado abismado: então noite dentro, quando seria mais provável que a reacção atacasse, é que nós desistíamos? (O Carlos levava aquilo muito mais a sério do que o nosso empolgamento juvenil permitia).
A certa altura surgiu um carro desportivo (só por isso, suspeitíssimo!); mandado parar, só o fez relutantemente, depois de dar meia volta à rotunda; um grupo correu atrás dele: ao volante, um tipo de cara fechada; ao lado, de gabardina e chapéu na cabeça baixa, não deixando ver a cara, um personagem de aspecto sinistro; deixou-nos aproximar e a seguir, sempre sem deixar ver a cara, disse qualquer coisa com voz grave, soturna: "Há algum problema?".
Depois de uns segundos de nervoso miudinho, o homem deixa ver a cara, a rir-se: era o João Vasco! Escusado será dizer que a barragem acabou logo ali: tínhamos sido gozados à grande.
Belíssimo apontamento, João!
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