sexta-feira, maio 19, 2006

Nocturnos (10)

NOCTURNO DE UMA PRAIA NO INVERNO

Rangem os barcos na sombra,
como portas mal fechadas,
noite adiante quebradas
no segredo que as deslumbra.

Rangem os barcos, e o vento
com sua voz incompleta,
a chicoteá-los, inquieta
o corpo todo sangrento

da praia que longe, absorta,
já se não move – mas grita,
na solidão infinita
de uma deusa quase morta.

David Mourão-Ferreira

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