Nocturnos (10)
NOCTURNO DE UMA PRAIA NO INVERNO
Rangem os barcos na sombra,
como portas mal fechadas,
noite adiante quebradas
no segredo que as deslumbra.
Rangem os barcos, e o vento
com sua voz incompleta,
a chicoteá-los, inquieta
o corpo todo sangrento
da praia que longe, absorta,
já se não move – mas grita,
na solidão infinita
de uma deusa quase morta.
David Mourão-Ferreira
Rangem os barcos na sombra,
como portas mal fechadas,
noite adiante quebradas
no segredo que as deslumbra.
Rangem os barcos, e o vento
com sua voz incompleta,
a chicoteá-los, inquieta
o corpo todo sangrento
da praia que longe, absorta,
já se não move – mas grita,
na solidão infinita
de uma deusa quase morta.
David Mourão-Ferreira

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