DOIS ALEMÃES
por Elísio
Há dois Filósofos na Alemanha que dão que falar. Um deles chama-se Jürgen Habermas e outro Peter Sloterdijc. Eles representam as duas grandes correntes actuais de pensamento num país que sabe bem filosofar. Habermas já vai nos seus oitenta anos, e Peter vai nos seus cinquenta.
Habermas apoiou a primeira Guerra do Golfo, não apoiou a segunda, defendeu a substituição das Nações Unidas por uma Assembleia de Organizações não-governamentais e, como gosta muito da Europa, acha que se devia dar-lhe ganas criando uma espécie de Patriotismo constitucional europeu que faria os soldados europeus lutarem atás à morte por uma Constituição europeia, aprovada por todos. Embora defenda o máximo de liberdade a nível político, no campo social permanece um social-democrata. Vê-se que é bom homem, escreve muito, tem boas intenções e muitas desilusões, tentando sempre digeri-las com mais e mais palavras, em que cabe toda a gente, se não se ficar a dormir pelo caminho. Ultimamente diz que, no Mundo, ou se acredita na Natureza ou na Religião, uma alternativa que o deixa um bocado para trás, desiludido.
Já Peter parece achar que muito do que ouvimos são histórias falsas ou meio-falsas, que a conversa dos políticos é cínica, que ninguém dá o cabedal por aquilo que diz acreditar, que a única coisa que se faz é piadas mas com gente de pouco jeito para contar anedotas. A pensar assim, Peter, poderia parecer um rapaz amargo mas não é. Num dos tratados dele, já com vinte anos (a “Crítica da Razão Cínica”), Peter, além de vários capítulos como deve ser, tem um muito bem escrito, dedicado à “Teoria dos Cus”. Não pensem que ele é aficionado ou tarado. Esse capítulo parte sobretudo daquilo de que todos temos um lado mais débil e que todos os animais mais parecidos connosco, o têm também. O que ele defende é que não devemos ir em cantigas, que muitas das cantigas que para aí se cantam são de pessoas com a consciência pesada e que se deve amar a vida, simples como ela é, às vezes com pouca coisa. E que cada um, sem ser mais cínico que os cínicos que o perseguem, deve adaptar o Pensamento um pouco àquilo que é. Não sendo católico, cita uma vez João Paulo II dizendo que a mania de uma pessoa se realizar a si próprio, às vezes, é um grande egoísmo. Gosto mais de Peter, que sabe tanto como Habermas mas que, de tudo o que sabe, deixa cada coisa em seu lugar, sem pretender agarrar tudo com um braço e dizer que é o campeão. E dá mais gosto lê-lo porque até põe desenhos e fotografias bonitas.
Habermas apoiou a primeira Guerra do Golfo, não apoiou a segunda, defendeu a substituição das Nações Unidas por uma Assembleia de Organizações não-governamentais e, como gosta muito da Europa, acha que se devia dar-lhe ganas criando uma espécie de Patriotismo constitucional europeu que faria os soldados europeus lutarem atás à morte por uma Constituição europeia, aprovada por todos. Embora defenda o máximo de liberdade a nível político, no campo social permanece um social-democrata. Vê-se que é bom homem, escreve muito, tem boas intenções e muitas desilusões, tentando sempre digeri-las com mais e mais palavras, em que cabe toda a gente, se não se ficar a dormir pelo caminho. Ultimamente diz que, no Mundo, ou se acredita na Natureza ou na Religião, uma alternativa que o deixa um bocado para trás, desiludido.
Já Peter parece achar que muito do que ouvimos são histórias falsas ou meio-falsas, que a conversa dos políticos é cínica, que ninguém dá o cabedal por aquilo que diz acreditar, que a única coisa que se faz é piadas mas com gente de pouco jeito para contar anedotas. A pensar assim, Peter, poderia parecer um rapaz amargo mas não é. Num dos tratados dele, já com vinte anos (a “Crítica da Razão Cínica”), Peter, além de vários capítulos como deve ser, tem um muito bem escrito, dedicado à “Teoria dos Cus”. Não pensem que ele é aficionado ou tarado. Esse capítulo parte sobretudo daquilo de que todos temos um lado mais débil e que todos os animais mais parecidos connosco, o têm também. O que ele defende é que não devemos ir em cantigas, que muitas das cantigas que para aí se cantam são de pessoas com a consciência pesada e que se deve amar a vida, simples como ela é, às vezes com pouca coisa. E que cada um, sem ser mais cínico que os cínicos que o perseguem, deve adaptar o Pensamento um pouco àquilo que é. Não sendo católico, cita uma vez João Paulo II dizendo que a mania de uma pessoa se realizar a si próprio, às vezes, é um grande egoísmo. Gosto mais de Peter, que sabe tanto como Habermas mas que, de tudo o que sabe, deixa cada coisa em seu lugar, sem pretender agarrar tudo com um braço e dizer que é o campeão. E dá mais gosto lê-lo porque até põe desenhos e fotografias bonitas.

2 Comentários:
E pensar, a propósito da oposição Natureza vs. Religião apontada por Habermas, que o pensamento português, desde Sampaio Bruno, supera essa aparente contradição...
Embora não tenha o prazer de o conhecer, também gosto mais do Peter. Para quem não souber, a Teoria dos Cus diz, em palavras singelas, que quem tem cu tem receio, sobretudo em ajuntamentos como o roque que lava no rio ou um comício do Alkatiri.
Também gosto do Peter, não é por mais nada, é uma questão de princípio, pronto, gosto do princípio dele. E do fim também, quando o Elísio sublinha que ele ilustra o que escreve com desenhos e fotografias bonitas, ou seja, o Peter satisfaz quem sabe ler e entretém quem vê bonecos.
Só por isso gosto do Peter, porque ele me comove, com essa coisa dos bonecos, faz-me pensar na "acontece", que querem vocês, eu sou sensível a estas pequenas coisas.
Para ser mais que perfeito, e isso seria indicativo, só falta ao Peter dar a sua calinadazita, meter uma rúbrica aqui, um prèviamente ali. Que diabo, será pedir muito?
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