O espírito do lugar (8)

NA SERRA DA ARRÁBIDA
No meio desta Serra, onde se cria
Aquela saudade d’alma pura,
Que no duro penedo acha brandura,
Ardente fogo dentro n’ água fria,
Ouço do passarinho a melodia,
Vejo vestir o bosque de verdura,
Variar-se no céu outra pintura,
Que em vários sentimentos me varia.
Pasmando de quão mal se gasta a vida
De quem da terra quer subir ao céu,
Pois caminhar enfim ninguém duvida,
Menos da vida estreita, que escolheu,
Dos seus mais escolhidos, mais seguida,
Cristo Jesus, que numa cruz morreu.
Frei Agostinho da Cruz

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