segunda-feira, junho 12, 2006

REFLEXÃO SOBRE ZARQAOUI

por Elísio

Um dia destes, ocorreu-me uma aflição terrível. E se Zarqaoui tivesse sido uma criação? Não digo que ele não existisse, que não fosse um jordano, de origem palestina, traumatizado desde a infância por ter crescido em campos de refugiados, regularmente metralhados pelos aviões israelitas, que cresceu apenas com o refresco do ódio, que depois tomou o gosto de matar e sobreviveu, durante algum tempo e êxito, como quem se vicia nesse cálice negro e antigo. Não digo, tão-pouco, que ele tivesse sido exagerado pelos mecanismos psicológicos da Guerra, para se transformar num alvo ou numa bandeira e, depois, ser abatido para pontuar uma vitória, no meio de tantas derrotas. A criação é muito mais perversa: é a criação do eterno rebelde que determina, pelo lado contrário, o campo de quem está no Poder. A lenda de David, do Robin dos Bosques e dos outros. Ou seja: cria-se o rebelde para cair. O rebelde estimula as nossas correrias adolescentes quando devíamos ser mais meditativos, celebra as nossas fanfarronadas e, por fim, tudo acaba num apagada e vil tristeza em que nos encolhemos por não termos sido nós a ser eliminados. É isso: a revolta, a Revolução, a libertação comunista em que os Senhores e os Tiranos morderiam o pó é uma invenção dos próprios Tiranos para perpetuar a saudade de ser rebelde, de querer e poder, que é o lema do Tirano. Porque não vimos, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda que Hitler, Estaline e Mao Tsé-Tung eram todos a mesma coisa, não queremos ver hoje que uma Democracia que bombardeia e abusa do seu Poder, é a mesma coisa que uma Ditadura. Ou será que só porque muita gente diz que uma coisa é assim, a coisa é mesmo assim?!

6 Comentários:

Blogger A.Teixeira said...

É uma interessante hipótese, a de Zarquaoui ter sido uma criação, erigida para depois se propagandear a sua queda. Mas, sendo assim, a criatura, tal como a do Dr. Frankenstein, fugiu ao controle do criador.

Não foi manha, mas sim resignação, o que percebi na expressão de Bush quando anunciou a sua morte ao mesmo tempo que se apressava a esclarecer que não esperava que esse facto alterasse alguma coisa às desventuras do exército norte-americano no Iraque.

9:47 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

O Sr. Pedro falou em rebeldes e lembrei-me de um, um que faz anos no Dia de Santo António, .... olha, é amanhã (pura coincidência!!!), um rebelde com causa, e que nunca se transformou naquilo que os outros pretendiam , um rebelde com coração pexito e sensibilidade para ver a sua Vila para além do mar e do céu, sensibilidade para a transformar em palavras de poeta, para a colorir com as cores que não existem na paleta.
Parabéns, Sr. António. Fico à espera de uma desgarrada de quadras de S. João aqui no blog.
Seja feliz.

11:39 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Urbana,

Eu não sou o autor do texto. Limitei-me a publicá-lo. O seu autor é Elísio, tal como vem indicado no começo da entrada, logo depois do título.

6:55 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Sra. Urbana,

Vejo pela maneira como termina o seu comentário que não sente muita felicidade emanar do texto. Talvez tenha razão: mas não penso que se possa ser verdadeiramente feliz neste mundo.E, sobretudo, sendo apenas rebelde. E Sto. António, que umas vezes foi o meu único amigo e a quem rezo todos os dias ( tradição de família) não era um rebelde. Era aliás muito duro com os caprichos da gente do seu tempo, inclusive os rebeldes. E seu mestre, S. Francisco, não se rebelou contra o Serviço militar. Simplesmente, o abandonou. Rebeldia é uma coisa que pode ser, aqui e ali, boa. Amor Imenso como o de Sto. António é muitas vezes suave e silencioso, qualidades que também transformam o mundo e são sempre boas. Zarqaoui podia ter alguma razão. Perdeu-a, por exemplo,quando matou aquele rapaz, aterrado, em frente às câmaras. E até fica a saber que este rapaz morreu sem dor, sangrado até à morte, como os árabes, nos termos do Corão, sangram os animais. Isso não tirou nada à montagem feita para espalhar a soberba da Rebeldia, com a cabeça dele decapitada. O terror dos seus últimos instantes porá Zarqaoui num difícil julgamento perante Allah, o Misericordioso. Elísio

10:37 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

"Um beijinho, Urbana." ???
O blogueiro Rapaz, desta vez, passou-se dos carretos. Um beijinho? E no sítio do costume, não?

Quanto ao Zarkawi, era bom que todos os que emitem opinião sobre esse personagem tivessem consciência de que se tratava do maior assassino do século XXI. Não só pelo que ordenou mas pelo que executou. Existem vários videos em que o próprio, a sangue frio, decapita vários ocidentais com uma faca de cozinha. Com uma faca de cozinha!
Mereceu morrer na maior das agonias. Uma hora com os pulmões furados até ao último suspiro. Sem piedade, com ele tanto gostava.

1:20 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

ACRapaz,
Agradeço o cartão amarelo. Até que enfim alguém me dá alguma coisa sem ser os bons dias ou as boas tardes. Mas eu mereço pois o padre Abílio sempre ia dizendo que aquela rapaziada estava mesmo a pedi-las. Mas cedo ou mais tarde pagariamos pelo que iamos fazendo. Embora seja ateu, não estava sòzinho... graças a Deus.

4:42 p.m.  

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