VIETCONGUE
por Elísio
Filipe Pereira voltou de Espanha onde apanhava fruta por 40 Euros por dia e levava porrada do Patrão, além de ser mantido preso. Os ciganos que o recrutaram não lhe deram tempo de pegar no Bilhete de Identidade porque o Pereira precisava de comer. Deram-no como morto. Só a Mãe, pobre e miserável mãe de Portugal, corria para saber dele. O Pereira voltou à guna, depois de andar 30 Km a pé. Escravo, sim, escravo...
Foi para isto que se fez o 25 de Abril? Foi para isto que se andou 30 anos a dizer o pior do "Fascismo"? Foi pelos 24.000 mortos da Guerra Colonial contra os entre 350.000 e um milhão de mortos angolanos, depois da libertação? Para não falar de Moçambique, da Guiné, de Timor. Foi para isto que o maestro Lopes Graça mandou o seu coro cantar que "os nossos heróis dormem nos currais’? Os nossos heróis como o Pereira, dormem no mato, à beira da estrada, com os pés nus.
Foi para isto..? Quero-vos dizer-vos que o homem que vos queria dizer, ninguém chegou a perceber realmente o que ele queria dizer. Ou seria que o que ele queria dizer, era isto..?
Lembro-me de um Povo, pequenino e amarelo, pobre e tolerante que até admirava o outro Povo que o veio a encher de bombas, gás e mortos. Um Povo cujo Pastor usava sandálias de palha e que nunca foi suficientemente feliz para tentar arranjar uma esposa, entre guerras e fábricas e exílios e prisões, e fugas no mato. Um Povo que era bombardeado de noite e reconstruía tudo de madrugada, um Povo que admitia todas as religiões porque dizia que Buda, seu mestre, podia aceitar tudo o que um profeta bom trouxesse, fosse por mar ou por terra. Um Povo que se esforçava por aprender línguas para ser irmão de toda a gente, que, de meio comunista passou a ser um bocado capitalista, sem deixar de ser vietnamita e que saudou Bill Gates só porque julga que ele se fez um dos homens mais ricos do mundo graças ao esforço do seu pensamento. Porque o pensamento não mata, nem estrangula. Um povo que vivia sob o chão, de tantos nomes esquecidos...
E tu Portugal, que deste a este Povo um Alfabeto, que fazes? Foi para isto..? Os poderosos metem-se com Nações muito mais pobres e dilaceradas que tu e saem-se mal. Enquanto isso, tu, Portugal, estudas na Universidade para seres Doutor, abres a Televisão para relaxar, vais comprar um carro novo, e pedes crédito para ir ao Brasil, torces pela Selecção de todos nós, exiges o direito ao Aborto e achas graça aos casamentos do mesmo sexo, tens o Festival do Sudoeste e o Rock-in-Rio, eleges um amigo-cá-da-terra, como a Felgueiras, para a Câmara, e escolhes um Presidente que te parece honesto mais um Governante que te parece eficaz, para trabalharem por ti. E os teus filhos são escravos, nos lugares onde, dantes, nem imigrantes eram. E tu queres lá saber!
Quero vos dizer-vos, como dizia o Presidente Jorge Sampaio, que isto... não! Quero-vos dizer-vos que não é justo que tudo o que como seja importado e que as minhas ruas se encham de gente que não é portuguesa, nem quer ser, a quem pagam uma vergonha e que aceitam tudo. Que a minha Pátria arde e não me deixam plantar um tomate no meu solo. Que me enchem os filhos de exigências, o meu corpo de necessidades que nunca teve e me enchem de culpas do que nunca fiz. Que não posso pescar, nem rir, nem chorar, não posso assobiar, não posso vestir um pano que não venha na revista, que não posso fumar.
Filipe Pereira voltou de Espanha onde apanhava fruta por 40 Euros por dia e levava porrada do Patrão, além de ser mantido preso. Os ciganos que o recrutaram não lhe deram tempo de pegar no Bilhete de Identidade porque o Pereira precisava de comer. Deram-no como morto. Só a Mãe, pobre e miserável mãe de Portugal, corria para saber dele. O Pereira voltou à guna, depois de andar 30 Km a pé. Escravo, sim, escravo...
Foi para isto que se fez o 25 de Abril? Foi para isto que se andou 30 anos a dizer o pior do "Fascismo"? Foi pelos 24.000 mortos da Guerra Colonial contra os entre 350.000 e um milhão de mortos angolanos, depois da libertação? Para não falar de Moçambique, da Guiné, de Timor. Foi para isto que o maestro Lopes Graça mandou o seu coro cantar que "os nossos heróis dormem nos currais’? Os nossos heróis como o Pereira, dormem no mato, à beira da estrada, com os pés nus.
Foi para isto..? Quero-vos dizer-vos que o homem que vos queria dizer, ninguém chegou a perceber realmente o que ele queria dizer. Ou seria que o que ele queria dizer, era isto..?
Lembro-me de um Povo, pequenino e amarelo, pobre e tolerante que até admirava o outro Povo que o veio a encher de bombas, gás e mortos. Um Povo cujo Pastor usava sandálias de palha e que nunca foi suficientemente feliz para tentar arranjar uma esposa, entre guerras e fábricas e exílios e prisões, e fugas no mato. Um Povo que era bombardeado de noite e reconstruía tudo de madrugada, um Povo que admitia todas as religiões porque dizia que Buda, seu mestre, podia aceitar tudo o que um profeta bom trouxesse, fosse por mar ou por terra. Um Povo que se esforçava por aprender línguas para ser irmão de toda a gente, que, de meio comunista passou a ser um bocado capitalista, sem deixar de ser vietnamita e que saudou Bill Gates só porque julga que ele se fez um dos homens mais ricos do mundo graças ao esforço do seu pensamento. Porque o pensamento não mata, nem estrangula. Um povo que vivia sob o chão, de tantos nomes esquecidos...
E tu Portugal, que deste a este Povo um Alfabeto, que fazes? Foi para isto..? Os poderosos metem-se com Nações muito mais pobres e dilaceradas que tu e saem-se mal. Enquanto isso, tu, Portugal, estudas na Universidade para seres Doutor, abres a Televisão para relaxar, vais comprar um carro novo, e pedes crédito para ir ao Brasil, torces pela Selecção de todos nós, exiges o direito ao Aborto e achas graça aos casamentos do mesmo sexo, tens o Festival do Sudoeste e o Rock-in-Rio, eleges um amigo-cá-da-terra, como a Felgueiras, para a Câmara, e escolhes um Presidente que te parece honesto mais um Governante que te parece eficaz, para trabalharem por ti. E os teus filhos são escravos, nos lugares onde, dantes, nem imigrantes eram. E tu queres lá saber!

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