sexta-feira, março 17, 2006

Nocturnos (2)

NOCTURNO

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento…

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento…

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental

12 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

"Sonho que sou um cavaleiro andante...
...Silêncio, escuridão... e nada mais!"

Um dos nossos MESTRES do soneto e uma das maiores figuras da nossa literatura.

Há mais de 40 anos que sei, de cor,
vários poemas que nos legou.
É bom saber que há mais apreciadores...

10:42 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

É bem verdade, Impaciente Português.
Provavelmente, depois dos de Camões, são de Antero os melhores sonetos escritos em língua portuguesa. E eles vão aparecer aqui mais vezes...

Saudações bloguísticas

8:15 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Podemos, já que estamos com a massa na mão, juntar ao grupo o Senhor Manuel Maria Barbosa?
O Senhor merece... e até nasceu aqui perto!

10:01 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Faça favor, luso impaciente. Se tiver a bondade de ir aos arquivos de Dezembro último, descobre por lá, no dia 21, três sonetos do Bocage, aquando dos 200 anos do passamento de Elmano.
Mas tiver algum outro soneto do Bocage em vista, peça que a gente passa, ou faça você mesmo... um comentário com poema acoplado.
E já agora, com sua permissão, acrescento ao rol o Régio da "Biografia".

Até mais blog!

10:12 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Não foi uma crítica! Trata-se de juntar aqueles que considero os maiores sonetistas da nossa Literatura: Camões/Antero/Bocage, um trio de ouro.
Régio não entra, quanto a mim, neste "Clube"!

11:54 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Mas de modo algum eu tomei as suas palavras por uma crítica, ó Impaciente Português!

Já quanto a Régio, não podemos estar de acordo. Não faz mal.

Em todo o caso, que me diz a esta - como alguém lhe chamou - tripeça bandárrica: Pascoaes, Pessoa e Régio?

12:14 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Aqui estamos de acordo!
Temos tantos e tão bons poetas que o dífícil é escolher! É uma sorte que nem todos reconhecem...

E o Cesário, que morreu Verde, quando havia tanto a esperar?
E o Junqueiro, que declarou Guerra à Inglaterra?

Podíamos ficar aqui toda a tarde, mas é hora de passar à mesa, algo menos poético, mas indispensável!!!

12:56 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

É como diz...

1:14 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Ó meninos, isto parece um namoro!
Se estou a interromper, digam que eu vou-me já embora.
Olhem, seus finórios da estrofe, o meu avô não era poeta mas tocava guitarra. Por isso eu SONETO de artista!!
Quanto à vossa tripla, Pascoaes, Pessoa e Régio, não passa de um PPR, afinal de contas. Nem dá para descontar no IRS.
Eu conheço um cá em Sesimbra que disse que, se tivesse tido oportunidade, teria sido outro Pessoa.
Ou será que ele apenas queria dizer outra pessoa?
Venha o demo e escolha...

5:13 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Já que falamos de Bocage e da mestria dos seus sonetos, aqui vos deixo as duas primeiras quadras de um que é simultâneamente uma adivinha.
Vamos ver quem acerta no alvo.

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga e não quebra com o zambujeiro;
Oco, qual sabugeiro, tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rigo que um pinheiro

6:45 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

"Poesias eróticas, burlescas e satíricas" - Soneto XIII.

7:24 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Sim senhor, muito espertinho.

E já agora transcreva o resto do soneto porque eu sou um indivíduo muito pudico.

7:34 p.m.  

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