"Em Globália todos os dias há uma festa"
Li há pouco, na edição em papel de hoje, a entrevista de Jean-Christophe Rufin ao “Diário de Notícias”. Mas podem lê-la aqui. Acreditem que vale bem a pena.
Rufin, de quem ainda não li qualquer obra, é médico, político e escritor. Venceu por duas vezes o Prémio Goncourt, primeiro com “O Abissínio” (Goncourt Primeiro Romance em 1997), e depois com “Pau Brasil” (em 2001). Na entrevista concedida ao DN, fala-nos do seu último romance, “Globália”, cuja tradução portuguesa foi agora publicada pela Asa. Trata-se uma fábula política e social, de alguma sorte inspirada em “1984”, de George Orwell. Mas enquanto a obra-prima do escritor inglês visionava o estalinismo do pós-guerra, o livro de Rufin parte do mundo dos nossos dias e da liberdade fixada como seu princípio fundamental, para nos alertar para os grandes perigos que as democracias também encerram.
Na conversa, o escritor francês chega a levantar-nos, aqui e ali, a ponta do véu. Diz-nos, por exemplo, que “em Globália todos os dias há uma festa. É um modo de desviar a atenção, a agressividade e o interesse para coisas que não têm importância. Da mesma maneira há um desviar de atenção das causas do medo. O resultado é um mundo de alienados.”
E quando a jornalista lhe pergunta se no tempo futuro em que se situa a Globália haverá espaço para o romance, responde que “há um lugar central. A defesa da leitura e em particular da ficção é qualquer coisa de essencial, porque é o único verdadeiro acesso individual à expressão. A única liberdade directa é escrever. A possibilidade de escrever, de escrever histórias, é verdadeiramente uma liberdade individual. O cinema já não é assim. Depende do meio, o controlo político, social. O livro é o último meio revolucionário ao alcance de todos.” Ora aqui está uma bela achega para o debate sobre “Blogues: expressão e liberdade hoje”, a realizar na Biblioteca Municipal de Sesimbra, no próximo dia 21, pelas 21h30.
Jean-Christophe Rufin. Garanto-vos que não me vou esquecer deste nome. E vou ler a “Globália”.
Rufin, de quem ainda não li qualquer obra, é médico, político e escritor. Venceu por duas vezes o Prémio Goncourt, primeiro com “O Abissínio” (Goncourt Primeiro Romance em 1997), e depois com “Pau Brasil” (em 2001). Na entrevista concedida ao DN, fala-nos do seu último romance, “Globália”, cuja tradução portuguesa foi agora publicada pela Asa. Trata-se uma fábula política e social, de alguma sorte inspirada em “1984”, de George Orwell. Mas enquanto a obra-prima do escritor inglês visionava o estalinismo do pós-guerra, o livro de Rufin parte do mundo dos nossos dias e da liberdade fixada como seu princípio fundamental, para nos alertar para os grandes perigos que as democracias também encerram.
Na conversa, o escritor francês chega a levantar-nos, aqui e ali, a ponta do véu. Diz-nos, por exemplo, que “em Globália todos os dias há uma festa. É um modo de desviar a atenção, a agressividade e o interesse para coisas que não têm importância. Da mesma maneira há um desviar de atenção das causas do medo. O resultado é um mundo de alienados.”
E quando a jornalista lhe pergunta se no tempo futuro em que se situa a Globália haverá espaço para o romance, responde que “há um lugar central. A defesa da leitura e em particular da ficção é qualquer coisa de essencial, porque é o único verdadeiro acesso individual à expressão. A única liberdade directa é escrever. A possibilidade de escrever, de escrever histórias, é verdadeiramente uma liberdade individual. O cinema já não é assim. Depende do meio, o controlo político, social. O livro é o último meio revolucionário ao alcance de todos.” Ora aqui está uma bela achega para o debate sobre “Blogues: expressão e liberdade hoje”, a realizar na Biblioteca Municipal de Sesimbra, no próximo dia 21, pelas 21h30.
Jean-Christophe Rufin. Garanto-vos que não me vou esquecer deste nome. E vou ler a “Globália”.

5 Comentários:
Por mais voltas que dê ao bestunto, não consigo lembrar-me de terra com que esta Globália se pareça.
Será que conseguirei encontrália?
"...há um desviar de atenção das causas do medo..."
Eu acho que a causa do medo foi o Karaoke com que terminou a "Noite do Arrepio", inserida na Onda Jovem'06, e que me fez deixar "As Escolhas de Marcelo" e a composição " As minhas férias da Páscoa" do meu delfim, na busca de uma noite diferente (que foi!) e que, tal como parece ser comum agora na nossa Globália, terminou em karaoke pimba. E pensar que os meus filhos queriam ir...
O Professor Fortunato diz que não tarda muito vai ter saudades dos tempos do Amadeu. Eu cá vou mais longe e por este andar vou ter saudades mas é dos tempos da Dra. Odete Graça. A gente podia gostar mais ou menos das actividades, mas a senhora punha dignidade naquilo que fazia. Não era esta animação azeiteira a toda a hora.
Odete, tu é que devias ter sido a cabeça de lista. Os Verdadeiros e genuínos estão contigo. Continua assim que o Augusto não vai longe.
Então não sabiam que foi o Augusto Pólvora que se impôs como cabeça de lista? Ainda que quando perdeu pela segunda vez, e foi ultrapassado pelo PSD, tivesse dito que não voltava a faze-lo.
Não sei mesmo se está na moda esta forma de fazer política.
O mais grave é que "ele e ela", a do Casal do Sapo, estão completamente desfazados da realidade. Primam pela foleirice.
Quem perde com isto é a terra e as suas gentes.
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