terça-feira, junho 27, 2006

O hábito não faz o monge

Na última edição do “Raio de Luz”, que por estes dias está a chegar a casa dos assinantes, o Presidente Pólvora, na sua habitual coluna de opinião, insurge-se contra o facto de, segundo ele, Sesimbra ter sido “mais uma vez o epicentro e o alvo da chamada política-espectáculo”.

Em causa estão as recentes declarações críticas dos deputados Nuno Magalhães, do CDS-PP, e Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, sobre o projecto existente para a Mata de Sesimbra.

Vamos por partes, para situar o leitor. Primeiro: o Presidente Pólvora não gostou de ter sabido previamente pela comunicação social das preocupações do deputado popular, uma vez que o correspondente requerimento só chegou à Câmara de Sesimbra mais de uma semana depois de ter sido apresentado ao Presidente da Assembleia da República. Segundo: o Presidente Pólvora não compreende as dúvidas do “Sr. Deputado” “sobre os objectivos dum Plano que foi desenvolvido na sequência dum Acordo celebrado com o Estado durante o Governo PSD-CDS, do qual o Sr. Deputado foi membro como Secretário de Estado”. Até aqui, dou de barato. E, com tudo isto, queixa-se o Presidente Pólvora de que a “tentação da “ribalta” é superior ao bom senso”.

Logo a seguir, é Francisco Louçã que apanha por tabela, ele que “também gosta das luzes da ribalta”. São conhecidas as críticas dirigidas pelo Bloco de Esquerda, quanto ao fundo e quanto à forma, ao projecto da Mata, e por isso o leitor pode, até certo ponto, calcular qual seja a contra-argumentação esgrimida pelo Presidente Pólvora, que expõe os seus pontos de vista e refuta algumas acusações susceptíveis de beliscar a sua imagem. O que o leitor talvez não possa imaginar é a circunstância de o Presidente Pólvora nos fazer notar que o Dr. Louçã foi por ele surpreendido – e passamos a citar – “a carregar tijolos na Marginal de Sesimbra, “com a sua impecável camisa “Gant”, num bem conseguido retrato de “operário-aristocrata” bem ao estilo da sua “esquerda-caviar”.

De permeio, o Presidente Pólvora tece considerações menos abonatórias para alguma comunicação social, de presumível âmbito nacional, pela atenção que esta dispensa à – voltamos a citar – “intenção anunciada e não concretizada de apresentação duma providência cautelar, encabeçada pelo Dr. Sá Fernandes, também ele um especialista em “show-off”.

Tenho para mim que este artigo do Presidente Pólvora está prenhe de significados. Na medida em que revela alguns sintomas preocupantes, assinala também a entrada numa nova fase da sua governação. Vejamos.

Parece que o Presidente Pólvora começou agora a zurzir certa comunicação social menos do seu agrado, apodando de “ligeira” a forma como ela trata “estas questões”, que são as da Mata. Registo com alguma surpresa a acrimónia revelada pelo edil perante a imprensa do seu descontentamento. Ao que parece, não lhe agradam os critérios adoptados. Consigo compreendê-lo, na exacta medida em que muitas vezes se me têm afigurado assaz discutíveis as orientações de alguns periódicos locais e regionais. Mas são coisas que acontecem. Para o resto, lá temos a Lei de Imprensa…

Só não percebo a razão que leva o Presidente Pólvora a considerar o Dr. Sá Fernandes um especialista em show-off? Será pelo facto de este cidadão convocar os meios de comunicação social de cada vez que pretende exercer jurisdicionalmente um alegado direito? Mas não foi o Presidente Pólvora que, em conjunto com os seus homólogos de Setúbal e Palmela, marcou uma conferência de imprensa para o aburguesado Solar do Vinho do Porto, no mesmo dia em que foi entregue no foro administrativo a peça processual tendente à impugnação do POPNA? Dois pesos e duas medidas?

Também compreendo mal esta obsessão crítica do Presidente Pólvora relativamente àquilo a que chama política-espectáculo. Que foram as sucessivas manifestações contra o POPNA que ele encabeçou? Discretas reuniões diplomáticas? Sóbrias visitas de cortesia? Alguém viu o Presidente Pólvora a demarcar-se publicamente dos tristes acontecimentos registados em 8 e 9 de Outubro do ano passado, junto às mesas de voto de Sesimbra? E não foi o Presidente Pólvora que, em tempos, quis promover uma manifestação por causa do problema das “Villas de Sesimbra”?

“Já chega de política-espectáculo”, diz o Presidente Pólvora. “Vamos tratar com seriedade aquilo que diz respeito ao futuro de todos nós!”, acrescenta logo o edil. Claro, desde o Alexandre O’Neill que se sabia que o “respeitinho é que é preciso”.

Eu também sou pelo respeito, mas nunca me lembraria de esgrimir como argumento político a marca da roupa de um adversário, ou as suas eventuais preferências pelas ovas de esturjão. Não sei se o Dr. Louçã comete o supremo pecado (para um revolucionário, está bem de ver) de ir tomar chá à Versailles, mas também não me recordo de alguma vez ter visto o Presidente Pólvora, destacado militante de um partido tão próximo do operariado, vestir um fato-macaco. Suponho, aliás, que ele não se abasteça todos os quinze dias no mercado das sextas-feiras, ao Calvário. Em política, e custa a crer que o Presidente Pólvora não saiba isto, o hábito não faz o monge. A dispensável alusão à camisa de Louçã já fez descer à cintura o nível do debate. Esperemos que ele fique por aqui.

10 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

O PP, Presidente Pólvora, sabe bem para quem fala, para quem escreve e, sobretudo, para quem se mostra, isto é, para quem se pavoneia.
Não é novidade para ninguém a incapacidade do dito PP em resolver os problemas de Sesimbra. E a prova mais visível é o famigerado caótico estacionamento dos veículos automóveis que assim continua depois de mais de dez anos sob sua (dele) responsabilidade. Fala, fala e fala mas as coisas importantes continuam por resolver ao fim de tantos anos.
Certo, certo, é que com paleio se levam os pacóvios, o povo, à certa.
Chico-espertismo e estupidez natural é uma coligação vencedora. Até quando? Até haver orçamento para pagar mensalmente aos mais de 1.000 funcionários.
E irão haver despedimentos? Concerteza que não pois o licenciamento para a construção desenfreada irá continuar até à "quarteirização" total.
Onde páram os "milhões" de democratas anti-fascistas auto-intitulados os melhores amigos do povo de Sesimbra? Onde páram? Será que já morreram todos? Ou, na pior das hipóteses, estarão cegos, surdos e mudos?

12:45 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Olhe que no Calvário também se vende Gant...

10:33 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Mais uma manobra de Augustus Egocentrus: a partir de agora, os leitores do "Raio de luz" sempre que se cruzarem com o edil, vão olhar atenta e curiosamente, para as marcas que veste. Lembram-se das antigas calças de ganga "Soviet"?

Ps.: Quiz:Qual é o cúmulo do jornalismo espectáculo? Um jornal religioso com crónicas de um PC (de Presidente de Câmara, pois!)que abomina a política espectáculo. Onde é que já vi isto?

10:47 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Porque razão o Presidente Pólvora está tão nervoso?

Porque razão lhe saltou e fina camada de verniz democrático?

3:34 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Uma receita de caviar com o intuito de ajudar Augusto a baixar os níveis de adrenalina que o estão a deixar tão tenso.
Ostras com Caviar
Ingredientes:
6 rodelas de pão de forma
6 ostras
1 latinha de caviar
1 limão e manteiga q.b.
Preparação:
Torram-se as rodelas de pão e barram-se com manteiga. Deita-se no centro de cada rodela um pouco de caviar e por cima deste uma ostra fresca em que se deixa cair umas gotas de limão.
Para beber sugiro Muscat alsaciano
Bem sei que antigamente era mais fácil encontrar caviar de qualidade.
Ai que saudades que tenho daquelas velhas festas do Avante onde no restaurante do PC da URSS podíamos saborear as belas entranhas do esturjão acompanhadas de límpido vodka. São tempos que já não voltam Augusto…

4:25 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

A melhor receita neste momento são perninhas de rã ou serão de sapo? O Sr. Artº Augusto já vai tendo de engolir alguns sapos!E sapos sempre é mais popularucho que caviar, que isso é coisa de gente muito GANTe, quero dizer grande. Desculpem o lapso!

5:24 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

o que aqui dizem é absolutamente inqualificável. Mas o que mais me espanta é que afinal há mais!!!

Viva o Raio de Luz!

10:06 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

A procissão ainda vai no adro. Esperam-se as cenas dos próximos capítulos. A cultura democrática Checoslovaca do Presidente Pólvora começou a vir ao de cima. Desta vez ficou-se apenas pela crítica da roupa dos adversários e à imprensa nacional que não consegue controlar.
Se o Pólvora para isso tivesse poderes seríamos obrigados a levar com os actuais directores do Sesimbrense e Raio de Luz a dirigirem a RTP e o DN.
De igual forma todos teríamos que vestir obrigatoriamente fatinhos da Maconde e comer alternadamente goulash e strogonoff. Sim porque já percebemos que Pólvora não gosta de caviar

4:39 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

sinceramente acho ridiculo; só mostra ke o noxo presidente já começa a descer de nivel, por estar kom medo ou nervoso. se anda kom nervos 1 valdispert ou xanax(axo k é axim o nome dos medicamentos).e se anda kom medo recomendo o ke os meus avozinhos diziam. Quem tem medo compra um cão. E quem tem medo espeta o dedo!
Senhor presidente, Mais vale o calar do mudo que o falar do mentiroso.

Saudações

P.S= tb axo estupido ter uma coluna no jornal raio de Luz;

ASSINADO POR: YAMAZAKY BOSS

7:57 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

É estranho o raio de luz dar mais espaço ao Pólvora do que ao Papa. Porque será?

12:28 a.m.  

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