sábado, setembro 09, 2006

Esta é a ditosa pátria minha amada... (3)







[trato sucessivo]








NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem.
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!

Valete Fratres

Fernando Pessoa

5 Comentários:

Blogger Luis Eme said...

Pois é, o nevoeiro ainda não se dissipou...

2:32 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Um Quinto Império adiado por um Sebastianismo que só muda de nevoeiro...

2:44 a.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Como é grande o Pessoa da "Mensagem"...

8:47 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

fatalismo fado futebol , tudo a mesma treta

12:36 p.m.  
Blogger Pedro Martins said...

Publicámos este último comentário, mesmo que ele nada traga ao diálogo.

Pode-se até não gostar de Pessoa, mas ao menos tentar explicar porquê. Já basta que Óscar Lopes tenha dito que Pessoa era, "infelizmente", um grande poeta, e que Clara Ferreira Alves, enquanto Directora da Casa Fernando Pessoa, tivesse publicamente afirmado que achava "detestável" o lado religioso do poeta.

Valha-nos o insuspeito António José Saraiva, que se libertou a tempo de certa cangalhada ideológica e pôs a "Mensagem" ao lado de "Os Lusíadas" e da "História de Portugal", de Oliveira Martins, como um dos três maiores livros da cultura portuguesa...

Agora, quem nada tem para dizer, é preferível abster-se...

1:11 p.m.  

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