sexta-feira, setembro 15, 2006

NAMORADOS

[“Vénus e Marte”, de Sandro Botticelli]

Na minha rua
há namorados
como na tua:
apaixonados.

Amor nos olhos,
dados os braços,
não há escolhos
nem embaraços.

A minha rua
é igual à tua:
tem candeeiros,
sempre apagados,
medianeiros
dos namorados.

Plas horas mortas,
nos vãos das portas,
ouvem-se juras,
beijos roubados.
Ruas escuras
não são pecados.

Guardas-nocturnos?
Bons camaradas!
Fazem seus turnos
por vãos de escadas!

Velhas solteiras,
pelas janelas?
Alcoviteiras!
Que importam elas?

Pelas ruelas
ladram os cães.
Já às janelas
chegam as mães...

Beijos sem fim
à despedida:
é sempre assim,
toda uma vida!

Mudem cidades,
tempos e gentes;
venham idades,
usos diferentes...
Mesmo em portais
iluminados
serão iguais
os namorados!

LISBOA, 65

Pedro Ferreira Neves

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