Manual de sobrevivência (19)
REM, "Driver 8"
Ao Ricardo
Nessa altura tínhamos a mania. Líamos pela cartilha do António Sérgio (no “Som da Frente”) e dizíamos “Reme”, como quem dá uma ordem. Não dizíamos “Arieme”, como depois se tornou moda. Anos mais tarde, logo que a banda americana ficou “Out of Time”, nós, os da primeira hora, com um inabalável desdém de cristãos velhos, não tolerávamos que os novos-ricos da “pop”, recém-chegados ao convívio dos mestres, pegassem com pinças no nome de um grupo cujo passado glorioso decerto desconheceriam. A verdade é que, quando o comum dos mortais nem sequer sonhava com a existência de uma banda assim tão genial em Athens, Georgia, o Ricardo Mira Cabaço, então um puto de treze ou catorze anos, trazia de Londres achados improváveis como o primeiro EP da banda de Michael Stipe, ou a novidade do maxi-single de “Panic”, dos Smiths, acabado de sair. Passou-se isto em 1986, quando Morrissey e Marr haviam dado ao mundo o definitivo “The Queen Is Dead”. Eram os últimos dias do vinil, e a importação ainda ditava regras no mercado nacional da música “indie”. Muito para além do solar, a Quintinha, com os seus muros e as suas sebes, os seus pinhais e os seus poentes, era então, inquestionavelmente, o centro do nosso mundo. Nunca mais voltou a sê-lo. “Driver 8”, uma das minhas faixas preferidas no grande monumento da música popular que é o álbum “Fables of the Reconstruction”, ficou-nos como um hino dessas primeiras tardes do resto das nossas vidas.
Nessa altura tínhamos a mania. Líamos pela cartilha do António Sérgio (no “Som da Frente”) e dizíamos “Reme”, como quem dá uma ordem. Não dizíamos “Arieme”, como depois se tornou moda. Anos mais tarde, logo que a banda americana ficou “Out of Time”, nós, os da primeira hora, com um inabalável desdém de cristãos velhos, não tolerávamos que os novos-ricos da “pop”, recém-chegados ao convívio dos mestres, pegassem com pinças no nome de um grupo cujo passado glorioso decerto desconheceriam. A verdade é que, quando o comum dos mortais nem sequer sonhava com a existência de uma banda assim tão genial em Athens, Georgia, o Ricardo Mira Cabaço, então um puto de treze ou catorze anos, trazia de Londres achados improváveis como o primeiro EP da banda de Michael Stipe, ou a novidade do maxi-single de “Panic”, dos Smiths, acabado de sair. Passou-se isto em 1986, quando Morrissey e Marr haviam dado ao mundo o definitivo “The Queen Is Dead”. Eram os últimos dias do vinil, e a importação ainda ditava regras no mercado nacional da música “indie”. Muito para além do solar, a Quintinha, com os seus muros e as suas sebes, os seus pinhais e os seus poentes, era então, inquestionavelmente, o centro do nosso mundo. Nunca mais voltou a sê-lo. “Driver 8”, uma das minhas faixas preferidas no grande monumento da música popular que é o álbum “Fables of the Reconstruction”, ficou-nos como um hino dessas primeiras tardes do resto das nossas vidas.

2 Comentários:
The walls are built up, stone by stone,
The fields divided one by one
And the train conductor says
"Take a break Driver 8, Driver 8 take a break
We've been on this shift too long"
And the train conductor says
"Take a break Driver 8, Driver 8 take a break
We can reach our destination, but we're still a ways away"
I saw a treehouse on the outskirts of the farm
The power lines have floaters so the airplanes won't get snagged
Bells are ringing through the town again,
Children look up, all they hear is sky-blue, bells ringing
And the train conductor says
"Take a break Driver 8, Driver 8 take a break
We can reach our destination, but we're still a ways away"
But we're still a ways away
Way to shield the hated heat
Way to put myself to sleep
Way to shield the hated heat
Way to put myself, my children to sleep
He piloted this song in a plane like that one
She is selling faith on the Go Tell crusade
Locomotive 8, Southern Crescent hear the bells ring again
Field to weed is lookin' thin
And the train conductor says
"Take a break Driver 8, Driver 8 take a break
We've been on this shift too long"
And the train conductor says
"Take a break Driver 8, Driver 8 take a break
We can reach our destination, but we're still a ways away"
But we're still a ways away
Quando ela passa
Franzina, cheia de graça
Há sempre um ar de chalaça
No seu olhar feiticeiro.
Lá vai catita
Cada dia mais bonita,
E o seu vestido de chita
Tem sempre um ar domingueiro.
Passa ligeira
Alegre e namoradeira
A sorrir p´ra rua inteira
Vai semeando ilusões.
Quando ela passa
Vai vender limões à praça
E até lhe chamam por graça
A Rosinha dos Limões.
Quando ela passa
Junto da minha janela,
Meus olhos vão atrás dela
Até ver da rua o fim.
Com ar gaiato
Ela caminha apressada,
Rindo por tudo e por nada
E às vezes sorri p´ra mim.
Quando ela passa
Apregoando os limões,
A sós com os meus botões
No vão da minha janela.
Fico pensando
Que qualquer dia por graça,
Vou comprar limões à praça
E Depois caso com ela.
'''''''''''''''''
Nota 1: Era pequenino mas ainda conheci a D.Maria do Céu. Por cinco escudos, apenas.
Nota 2: Nem sei porque escrevi isto.
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