OS CARACÓIS MARICAS

por Elísio
Quem é mais sexy? Norma Jean, como uma candeia ao vento ou como uma luz eléctrica? Ou Shakira, que move as ancas como ninguém, ou Rick Martin que nos põe todos a sacudir os legumes, e a caspa também ou Robin Williams, que se desnuda como um garoto para brincar aos médicos com o leiteiro, ou Paulina Rubio que se esfrega com os amigos e amigas, num vídeo, tipo o autoclismo a rodar, ao fim do Dilúvio. Ou Vanessa Paradis que é sexy por ser casada com Johnny Depp, ou por ser francesa, ou por ainda há pouco ter sido criança e se chamar Paradis a cantar no banco traseiro dum táxi, ou por ser mulher mexida em palco, agarrando com as duas mãos uma carreira, ou por ter sotaque, ou por ser boa actriz enquanto cantora e boa cantora enquanto actriz e, de tudo isto, ser boa, apesar de escanzelada e ter uma testa proeminente como um extraterrestre e um sorriso podre como uma perdida de Zola. E Sting é sexy porque se vê que pensa e faz hinos. Talvez venha a fazer o novo hino do Iraque antes de explodirem com a orquestra. Mas melhor é Bono, nomeado para o Prémio Nobel da Paz, fotografado com o Papa e estadistas, mas acima de tudo, apoiante da Guerra contra Saddam que agora ninguém o ouve. Passemos agora aos rabos: Jennifer Lopez com aquela curva empolada como um Big-Mac da Bronx que não devia fazer parte do contrato de Casamento com Ben Affleck, que só queria comer MacDonalds, e ate pôs uma bilha a falar, e viu um calhau com cara. E Beyonce, o rabo mais pando da temporada, como um bife de tornedó e ainda Kylie Minogue, outro cru de antologia, com o seu Na-na-na-nã, até nos dar um golpe de anca no nariz, posto que nos tinha posto de joelhos e ainda os abdominais do Usher, tido como a melhor barra de chocolate da época. E ainda Justin Timberlake, que saiu dum desenho animado de Walt Disney, como um Rato Mickey com os anões grandes. E que falar dos peitorais de Fifty cents, mais modelados que os da Pamela Anderson? E as pernas da Fergie dos Black Eyed Peas e do casal Gavin e Gwen Stefani, que parece ser um dever ir vê-los juntos no banco de trás de um automóvel a fazerem mais um filho. Mas a melhor de todas é a Cristina Aguilera, com as cuecas na cabeça, o soutien na boca, vestida de peru, pintada de preto e com penas, com os braços enfiados em filtros do gasóleo, como uma rapariguita pendurada de um estendal dum arranha-céus a escorregar pela saia abaixo, de passarinha ao vento. E depois a Mónica Belluci com aqueles pneus enchidos tipo Fórmula Um e a cara paralisada por uma injecção de silicone mal-dada. Com isto tudo, ainda a Cher faz uma reentrada com setenta anos, acompanhada pelo Mick Jagger, todos articulados por cordas no palco, calhando na apoteose, a cabeça a um espectador, e a outro, felizardo, um chinó húmido, descosido a meio. Em tempos pensei que estes bichos faziam o que deviam: tentavam ganhar o máximo de dinheiro possível para que pudessem gozar a reforma quando passar a ser sexy meter crianças, ou doentes terminais, ou decepados de guerra, ou bestas de carga em palco, em cetim branco, ao som duma lengalenga, com arranjos de telemóvel e alarmes de automóveis. Mas percebi, por fim, que, no prato cor-de-rosa, os corpos só precisam de ter dois pontos no peito e altos e baixos como uma viagem em círculos pelas dunas do deserto. Se não somos todos homossexuais é porque não vemos televisão. As mulheres são mais espertas, porque sabem que no meio desta confusão, elas sempre apanham umas bolas de golfe, seja por tacada directa, ou por ricochete nas rameiras. E, no meio disto tudo, surge a voz pausada de Bin Laden, com o rosto sereno e descansado ou a voz extremosa do Oftalmologista Zawhiri, de cada vez que diz que nos vai desabar com arranha-céus por cima, fazer voar em comboios, ou fritar em diesel só para nos educar nas flores do Corão. É só Música.

5 Comentários:
Caramba, Elísio, o mundo feérico da gente famosa e (às vezes) bonita, visto através dos seus óculos alucinados é mesmo Apocalipse Now.
Dê-nos poesia, não nos assuste...
O pior disto é que com todos os adereços, a musica fica para 2º plano, infelizmente.
Espectacular. Como sempre.
Parabéns! Este texto está delicioso, pela crueza e pela ironia.
Filinto amigo, o Elísio não está contigo.Desta vez.
Mas o Bocage também tinha umas neste género. Tive que fazer isto para me rir, pois ando de novo com gastrite e toda a gente sabe o bem que faz rir. Eu pelo menos ri-me sózinho que é coisa benfazeja. Também não é justo que quando um tipo se estende para relaxar em frente à TV, nos pregam com uma overdose de drogas psicológicas, de modo que um tipo sai mais cansado do descando, que do trabalho.
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