quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Nos cem anos do Refugo (5)

No centenário da Sociedade Recreio Sesimbrense

(continuação do texto publicado ontem)

O “Refugo” tinha, como é próprio das colectividades do género, o seu ciclo anual de festas.

A comemoração do aniversário, e, logo de seguida, o Carnaval, eram os momentos mais importantes.

No início de cada ano, e dada a proximidade desses actos do calendário festivo, a preocupação dos dirigentes era programar a sua realização, estimando custos e procurando entre os sócios as colaborações necessárias.

Os famosos bailes de máscaras do desaparecido e genuíno carnaval sesimbrense tinham aqui grande expressão, atingindo por vezes uma excepcional duração que se estendia por toda a noite e manhã seguinte, facto que chegou a ser assinalado no jornal lisboeta “O Século”.

Desse Carnaval, resta apenas a realização do chamado “Enterro do Bacalhau”, hoje uma iniciativa de referência da Sociedade.

Este recinto acolheu muitas das mais interessantes manifestações de cultura e recreio registadas na nossa terra.

Mas era nos bailes de fim-de-semana, que mais se enchia de vida, de calor humano, tornando-se lugar de convívio, no único ponto de encontro então tolerado para rapazes e raparigas, as quais, nesses dias, se libertavam da rotina e solidão em que viviam, devidas à tacanhez de alguns costumes da época, que as discriminava na participação das actividades da terra, no acesso ao ensino secundário, ao mundo do trabalho e à promoção social.

Apesar destas instalações serem mais pequenas que as das suas congéneres, também dispunha dum palco para as representações do seu grupo dramático.

Grupo que, constituído por alguns dos mais notáveis amadores locais, tomou o nome de “Alma Nova”, que queria significar a renovação, um novo ânimo nas actividades teatrais em Sesimbra, após um período de estagnação. E fê-lo com pleno êxito, uma vez que aqui representaram, em memoráveis serões, algumas das melhores peças dos grandes dramaturgos nacionais, pese embora as limitações resultantes da exiguidade do palco, que dificultava a montagem de cenários, a caracterização dos actores e as suas entradas e saídas de cena.

Todavia a carolice, que era a palavra então usada para melhor traduzir a dedicação, o espírito de bem servir, o bairrismo desses sesimbrenses, conseguiu operar milagres.
António Reis Marques
(continua)

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