"O Sesimbrense" não fala verdade
Vem publicado no último “O Sesimbrense” – de 14 de Fevereiro – um artigo intitulado “As desejadas Bandeiras Azuis a caminho”, que, seja por despautério ou por despudor, representa o cúmulo do desmando que tem norteado a linha editorial deste jornal. E dizer isto sempre será dizer pouco, tendo em conta a história, a um tempo mirabolante e vergonhosa, que aquela peça jornalística, consciente ou inconscientemente, nos pretende contar sobre as bandeiras azuis.
A benefício de inventário, fique a constar que a peça começa assim: “Poderá dizer-se, com um certo toque sentimental, que Sesimbra já tem muitas saudades de poder remirar-se em esvoaçantes bandeiras azuis, em algumas das suas praias, da Califórnia à do Ouro.”
E então não é que, logo a seguir, o quinzenário da Rua Direita, além de afirmar que “vicissitudes e contingências diversas têm impedido esse tão significativo galardão de qualidade”, afiança também que o mesmo “vai agora, em princípio, reaparecer, para regozijo geral, em 2006”?
Magnânimo, o plumitivo de serviço ainda concede que “nos dois últimos anos pudemos assinalar, com inteiro espírito de justiça, todo o empenho do Município em manter limpas e bem cuidadas as praias sesimbrenses.”
“Mas”, prossegue o articulista, “o rescaldo das obras da Califórnia, alguns engulhos de acessibilidades e a menor qualidade / quantidade de instalações sanitárias (duches funcionais, lava pés, etc.), foram inviabilizando os bons propósitos de “conquistas de bandeiras azuis.”
Chegado a este ponto, os nossos leitores já estarão, por certo, abismados com o teor de semelhantes afirmações e darão consigo a pensar em que planeta será publicado “O Sesimbrense”.
É que, como todos sabemos, em 2005 – há apenas alguns meses –, o concelho de Sesimbra foi distinguido com a atribuição de duas bandeiras azuis, uma à Praia do Moinho de Baixo, no Meco, e a outra à Praia do Ouro, que, por acaso, até é uma das visadas no artigo.
Então, de duas, uma: ou o autor do escrito desconhece ou se esqueceu de tal facto – que está longe de ser insignificante –, seja pelo seu significado próprio, seja pelo sentido acrescido que lhe advém de, no ano de 2005, se ter posto termo a um longo jejum no que respeita a bandeiras azuis para Sesimbra –, ou o omitiu deliberadamente.
Não queremos tomar partido por qualquer das hipóteses, nem opinar sobre as consequências que, em circunstâncias normais, resultariam da verificação de uma ou de outra possibilidade. Mas podemos tentar ajudar os nossos leitores a descobrir o que vai na alma de quem escreveu. E, para isso, talvez seja interessante perceber, antes de mais, quem, efectivamente, o escreveu.
Um novo parágrafo daquele artigo responde cristalinamente a esta nossa interrogação. Reza ele assim: “Mas agora vai! Sob os efeitos da “genica” especial da Vereadora Dr.ª Felícia Costa, metida em brios como é seu timbre, há boas notícias para os veraneantes utentes das praias, com os “pêxitos” (sic) sempre lembrados.”
Qualquer leitor que tenha estado atento aos recentes trajectos do mais antigo jornal de Sesimbra saberá que só uma pessoa n’ “O Sesimbrense” podia escrever “pêxito” em vez de “pexito”. Essa pessoa – e a análise estilística vem confirmá-lo – é o seu director.
E depois, claro, sempre há a ênfase posta na tal “genica especial” de quem está “metida em brios como é seu timbre”. Sem esses poderes fantásticos, é de crer que Sesimbra jamais tivesse as tão almejadas bandeiras azuis. “Mas agora vai!” Cesse tudo o que a Musa antiga canta / Que outro valor mais alto se alevanta, acrescentaria esse bom amigo da piscosa Sesimbra que foi o nosso épico imortal.
Voltamos às duas hipóteses para não tomar partido por nenhuma delas. Ou o director de “O Sesimbrense” se esqueceu das duas bandeiras azuis atribuídas a Sesimbra em 2005 (será que o facto lhe passou despercebido?) ou omitiu deliberadamente tal realidade. Ou manifesta ignorância… ou evidente má-fé.
Estamos cientes de que, apesar de todos os nossos esforços, ainda não lográmos vislumbrar o que lhe ia na alma quando escreveu a peça em apreço. Ficamos à espera de que ele nos esclareça. Trata-se, afinal, da verdade. A verdade a que temos direito.
Uma coisa temos por certa: “Pexito” nunca foi esdrúxulo. O erro, esse, é grave.
A benefício de inventário, fique a constar que a peça começa assim: “Poderá dizer-se, com um certo toque sentimental, que Sesimbra já tem muitas saudades de poder remirar-se em esvoaçantes bandeiras azuis, em algumas das suas praias, da Califórnia à do Ouro.”
E então não é que, logo a seguir, o quinzenário da Rua Direita, além de afirmar que “vicissitudes e contingências diversas têm impedido esse tão significativo galardão de qualidade”, afiança também que o mesmo “vai agora, em princípio, reaparecer, para regozijo geral, em 2006”?
Magnânimo, o plumitivo de serviço ainda concede que “nos dois últimos anos pudemos assinalar, com inteiro espírito de justiça, todo o empenho do Município em manter limpas e bem cuidadas as praias sesimbrenses.”
“Mas”, prossegue o articulista, “o rescaldo das obras da Califórnia, alguns engulhos de acessibilidades e a menor qualidade / quantidade de instalações sanitárias (duches funcionais, lava pés, etc.), foram inviabilizando os bons propósitos de “conquistas de bandeiras azuis.”
Chegado a este ponto, os nossos leitores já estarão, por certo, abismados com o teor de semelhantes afirmações e darão consigo a pensar em que planeta será publicado “O Sesimbrense”.
É que, como todos sabemos, em 2005 – há apenas alguns meses –, o concelho de Sesimbra foi distinguido com a atribuição de duas bandeiras azuis, uma à Praia do Moinho de Baixo, no Meco, e a outra à Praia do Ouro, que, por acaso, até é uma das visadas no artigo.
Então, de duas, uma: ou o autor do escrito desconhece ou se esqueceu de tal facto – que está longe de ser insignificante –, seja pelo seu significado próprio, seja pelo sentido acrescido que lhe advém de, no ano de 2005, se ter posto termo a um longo jejum no que respeita a bandeiras azuis para Sesimbra –, ou o omitiu deliberadamente.
Não queremos tomar partido por qualquer das hipóteses, nem opinar sobre as consequências que, em circunstâncias normais, resultariam da verificação de uma ou de outra possibilidade. Mas podemos tentar ajudar os nossos leitores a descobrir o que vai na alma de quem escreveu. E, para isso, talvez seja interessante perceber, antes de mais, quem, efectivamente, o escreveu.
Um novo parágrafo daquele artigo responde cristalinamente a esta nossa interrogação. Reza ele assim: “Mas agora vai! Sob os efeitos da “genica” especial da Vereadora Dr.ª Felícia Costa, metida em brios como é seu timbre, há boas notícias para os veraneantes utentes das praias, com os “pêxitos” (sic) sempre lembrados.”
Qualquer leitor que tenha estado atento aos recentes trajectos do mais antigo jornal de Sesimbra saberá que só uma pessoa n’ “O Sesimbrense” podia escrever “pêxito” em vez de “pexito”. Essa pessoa – e a análise estilística vem confirmá-lo – é o seu director.
E depois, claro, sempre há a ênfase posta na tal “genica especial” de quem está “metida em brios como é seu timbre”. Sem esses poderes fantásticos, é de crer que Sesimbra jamais tivesse as tão almejadas bandeiras azuis. “Mas agora vai!” Cesse tudo o que a Musa antiga canta / Que outro valor mais alto se alevanta, acrescentaria esse bom amigo da piscosa Sesimbra que foi o nosso épico imortal.
Voltamos às duas hipóteses para não tomar partido por nenhuma delas. Ou o director de “O Sesimbrense” se esqueceu das duas bandeiras azuis atribuídas a Sesimbra em 2005 (será que o facto lhe passou despercebido?) ou omitiu deliberadamente tal realidade. Ou manifesta ignorância… ou evidente má-fé.
Estamos cientes de que, apesar de todos os nossos esforços, ainda não lográmos vislumbrar o que lhe ia na alma quando escreveu a peça em apreço. Ficamos à espera de que ele nos esclareça. Trata-se, afinal, da verdade. A verdade a que temos direito.
Uma coisa temos por certa: “Pexito” nunca foi esdrúxulo. O erro, esse, é grave.

9 Comentários:
Há muitos anos, no tempo do antigamente, havia um programa na Emissora para responder ao que a Rádio Moscovo nos dizia sobre o reino do Salazar. E chamava-se esse programa "A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade".
Não sei se o Pedro Martins é desse tempo, mas este título vem muito a propósito. Li o sesimbrense e também achei esquesito. Agora percebo melhor. Será que o senhor Sequerra se tornou comunista sem a gente saber? Talvez isso explique a orientação do jornal nos últimos tempos.
Um violino soou/nas linhas d'"O Sesimbrense"/e houve alguém que acordou:/A música não convence!//
Eu adoro violino/mas assim, desafinado,/só pode ter um destino:/Ir tocar pra outro lado!
Chamaria ao senhor Cequerra um fotografo do Estaline, certamente muito amado pelas gente que ele agora tanto louva.
A Bandeira Azul não é atribuída a bel-prazer pelos Vereadores Que o Sr. Director pretende promover. O Sr. Director esquece-se que as B.A. que no ano 2005 foram atribuídas a Sesimbra e que nos trouxeram centenas de crianças de infantários e Escolas de todo o distrito de Setúbal (ao que muito também ajudou o encerramento de algumas prais dda linha Arrábida-Setúbal), foram fruto de empenho, não só autárquico através do aumento do nº de pessoal para limpar as praias, do aumento do nº de papeleiras, bem como da implementação de todo o grupo de infraestruturas de apoio ás praias,como duches, estrados de acesso, apoios de praia, vigilantes e nadadores salvadores bem como análises semanais de águas e areias, mas também da consciencialização e sensibilização da população e de todos os que dela usufruem para manterem a praia limpa. Até mesmo a proíbição do acesso de canideos à praia onde por norma, os donos os levavam a ...dejectar.
Mas como está tudo tão mudado e tão à frente se calhar todas estas medidas só foram implantadas ... deixem-me ver ...desde o dia da tomada de posse do novo executivo.
Todas estas mudanças se devem ás energias renovadas...Poupem-nos a mentiras. O 1º de Abril é só daqui a cerca de 1 mês
Urban@
Vamos por partes:
1. Não sei, nem me interessa, quais são as ideias políticas e/ou partidárias do Dr. David Sequerra.
2. Sobre isso, só ele poderá esclarecer os leitores.
3. Faço-lhe, no entanto, a justiça de destrinçar o seu pensamento político, seja ele qual for, da admiração sem limites que manifestamente denota por determinados políticos locais, nomadamente autarcas.
4. E aqui é que bate o ponto. É que a expressão reiterada e enfática, quase sistemática, de tal admiração, é, na minha modesta opinião, inimiga do bom jornalismo.
5. Começa por não contribuir para uma sempre desejável imagem de isenção e distanciamento do jornal relativamente aos poderes constituídos.
6. E, no auge do enlevo, pode toldar a visão serena e objectiva que se espera de um jornalista, e levar a afirmações muito gravosas como as que foram feitas a propósito das bandeiras azuis.
7. Está visto que "O Sesimbrense" em nada sai beneficiado de semelhantes imbróglios. Não foi este, por certo, o jornal que Abel Gomes Pólvora idealizou...
8. E custa ver um jornal vetusto, e que se desejaria venerando, chegar a este ponto.
9. Para mais, e objectivamente, não só parece que, em relação ao passado, se reescreve a história, como, no que toca ao futuro, se entra no domínio sempre movediço da profecia. E se as bandeiras, por uma razão qualquer, não são atribuídas em 2006? A coisa, tal como está, não pode parecer um desafio a quem decide da atribuição? Cautela e caldos de galinha...
Será que na redacção do jornal, alguém viajará na Net? Será que o vosso blogue é do conhecimento do senhor Director?
Será que teremos de esperar mais quinze dias para obter uma explicação?
Palpita-me que não vai haver reacção, a frontalidade não parece ser o forte do senhor.
Leio sempre os dois jornais de Sesimbra. Não, o outro, o raio de qualquer coisa não, obrigado.
E devo reconhecer que há muito que o velho Sesimbrense se deixou ultrapassar pelo seu rival. Este último número que acabo de ler é de uma extrema infelicidade para o seu Director. Aquela coisa das bandeiras e o rastejar diante da vereadora Felícia, é lamentável. Mas há mais. Vejam a notícia sobre a homenagem ao Eng. Godinho Alves em que o Carlos Batista aparece reduzido ao papel de braço direito do Engenheiro. Ora, toda a gente sabe que o Batista foi um pilar do jornal durante muitos anos. É injusto e feio, não se faz.
Aconselho igualmente a leitura da notícia da morte do Manel Matos. Como pôde o senhor Sequerra denegrir o falecido de quem tem o arrojo de se dizer amigo?
Deplorável, simplesmente deplorável. E incompreensível
Na quarta-feira, à tarde, ao dar a minha habitual passeata a pé, passei pelo largo da Câmara e vi, num espaço reservado à CMS, um carro de marca Skoda (acho que é) e de modelo FELÍCIA.
De quem será?
Ó Bardo, bem-vindo a bordo
Tu e o teu violino
Mesmo se desafinado.
Com teu trovar eu concordo
Isto assim fia mais fino
Até me sinto inspirado.
De impaciência eu ardo
Venham as azuis bandeiras
Causa de mil baboseiras
Que hás-de glosar, ó bardo.
Errar, errar é humano
Só quem se cala não erra
Mas assim tão grosseiro engano
Só mesmo o nosso Sequerra!
Enviar um comentário
<< Home