Nocturnos (7)
NOITE
Devagarinho, vá, devagarinho,
Toma nas tuas mãos como num berço
O meu orgulho, e deita-o no bom linho
Dessa piedade em que me quero imerso.
Aqui tens o teu deus: - um pobrezinho…
Que importa! Um gesto teu é um lindo verso;
E o teu amor vai dar-lhe o pão e o vinho
E todo o oiro que há no céu disperso.
Aqui me tens à porta da tua alma…
Vem abrir, vem abrir: ia a passar
Quando senti na noite o teu perfume…
Aqui me tens à porta da tua alma…
Mas tu não ouves: só me entende o mar
E uma nuvem, além, naquele cume.
António Patrício
Devagarinho, vá, devagarinho,
Toma nas tuas mãos como num berço
O meu orgulho, e deita-o no bom linho
Dessa piedade em que me quero imerso.
Aqui tens o teu deus: - um pobrezinho…
Que importa! Um gesto teu é um lindo verso;
E o teu amor vai dar-lhe o pão e o vinho
E todo o oiro que há no céu disperso.
Aqui me tens à porta da tua alma…
Vem abrir, vem abrir: ia a passar
Quando senti na noite o teu perfume…
Aqui me tens à porta da tua alma…
Mas tu não ouves: só me entende o mar
E uma nuvem, além, naquele cume.
António Patrício

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